A semana será bastante movimentada com a divulgação de pesquisas presidenciais. Nesta segunda-feira teremos a primeira rodada do Ibope que será divulgada na Globo. Já na terça-feira teremos Real Time Big Data, na quarta-feira nova rodada do Datafolha, na quinta-feira DataPoder, e na sexta-feira dois levantamentos, nova rodada do Ibope e nova rodada da Ipespe/XP. O índice Band que é a compilação de todas as pesquisas da primeira semana apontou Jair Bolsonaro com 58% dos votos válidos contra 42% de Fernando Haddad.
Coluna do blog desta segunda-feira
Eleição da mesa da Alepe ganha ares de pacificação
Passado o processo eleitoral quando foram eleitos os 49 deputados estaduais com 25 reeeleitos e 24 novatos, a Assembleia Legislativa de Pernambuco já respira as articulações com vistas à eleição da mesa diretora. Com sete cargos no comando da Casa, há condições de respeitar a proporcionalidade e atender às maiores bancadas.
Com 11 parlamentares eleitos, o PSB que comanda a primeira-secretaria já trabalha na recondução de Diogo Moraes para o posto. Setores palacianos avaliam que a sua manutenção no cargo é mais fácil de viabilizar do que a construção de um novo nome para o posto. O mesmo se avalia no caso do presidente Eriberto Medeiros, filiado ao PP que possui dez deputados eleitos. Por Eriberto ser um deputado experiente e com excelente trânsito na Casa, não há motivos para disputa pelo cargo, havendo as condições políticas para a sua recondução.
Para os demais cargos, PSC, PT, DEM e PSD teriam direito a reivindicar espaços na mesa, cabendo ao PSC a primeira vice-presidência e os demais partidos poderiam trabalhar os outros quatro cargos restantes da mesa diretora. Porém, este não é o único espaço passível de entendimento entre os partidos. Ainda existem o comando das comissões e as lideranças do governo, da oposição e dos dezoito partidos representados na Casa.
O nome de Priscila Krause parece ser o escolhido pelo DEM para a mesa, Rodrigo Novaes surge como o nome natural do PSD e Teresa Leitão por ser a única deputada reeleita do PT, aparece como favorita para o posto. Já no PSC, há apenas uma dúvida se Guilherme Uchoa Junior ou Manoel Ferreira serão o indicado para a primeira vice-presidência neste primeiro biênio.
Na liderança do governo, o nome do deputado Isaltino Nascimento parece resolvido para o posto, uma vez que desde que ele retornou para a Casa em 2017 que desempenhou com maestria o papel. Enquanto na oposição, por ser do partido de Armando Monteiro, o deputado Alvaro Porto desponta como favorito para liderar os deputados que compuserem a bancada de oposição a Paulo Câmara na Assembleia Legislativa de Pernambuco.
A eleição ocorrerá apenas no dia 1 de fevereiro, quando haverá a posse dos deputados eleitos no último dia 7 de outubro. Até lá as articulações seguirão a todo vapor, sobretudo para o comando das comissões, uma vez que os dois principais cargos, presidência e primeira-secretaria, existem favoritos para a recondução que são os atuais ocupantes.
Aglailson Victor – Deputado estadual eleito no último dia 7, Aglailson Victor obteve uma expressiva votação, legitimando-o a exercer funções importantes na Casa Joaquim Nabuco. Integrante da maior bancada na Casa, Victor possui estreita relação com o Palácio do Campo das Princesas devido a sua aliança histórica com o PSB, e por isso tem sido lembrado pelos seus pares para exercer um papel destacado na próxima legislatura.
Gleide Angelo – Eleita com votação recorde para a Assembleia Legislativa de Pernambuco, a deputada Gleide Angelo, se não for convocada para o secretariado de Paulo Câmara, deverá assumir a presidência da comissão Defesa pelos Direitos da Mulher, atualmente ocupada por Simone Santana.
Grande estilo – Substituto e herdeiro político do ex-presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, deputado Guilherme Uchoa, falecido em julho, o deputado eleito Guilherme Uchoa Junior chegou à Casa Joaquim Nabuco em grande estilo, sendo o mais votado do PSC e o terceiro mais votado de Pernambuco com 71.898 votos.
Junior de Cleto – Com 10.298 votos, dos quais 8.257 no Recife, o candidato a deputado estadual Junior de Cleto saiu credenciado da disputa para eleger-se vereador na eleição de 2020. Ele ficou na primeira suplência do Patriota em 2016 e agora está consolidado para chegar a um mandato na Casa José Mariano.
Sucesso – Reeleito para o terceiro mandato com 50.188 votos, o deputado Diogo Moraes realizou ontem uma grande festa em Santa Cruz do Capibaribe para comemorar o feito. Ele convidou o cantor Bell Marques, ícone da música baiana, e reuniu milhares de pessoas pelas ruas da cidade neste domingo.
RÁPIDAS
Queda – Candidatos a prefeito do Recife em 2016, Daniel Coelho e Priscila Krause tiveram significativa perda de votos na capital pernambucana em relação a 2014. Daniel caiu de 62.576 para 39.972 votos, enquanto Priscila caiu de 33.051 para 26.486 votos. A exposição da eleição municipal terminou sendo negativa para ambos e os números de 2018 comprometem uma nova tentativa majoritária em 2020.
Senado – Eleito para o segundo mandato como senador, Jarbas Vasconcelos, de volta à Câmara Alta a partir de 2019, poderia ser um excelente nome para ocupar a presidência do Senado. Com o eleitor cada vez mais atento e pela mudança da composição da Casa, não cabe a volta de Renan Calheiros ao cargo, é preciso alguém que tenha lastro moral para o posto e somente Jarbas tem isso.
Inocente quer saber – Jair Bolsonaro terá quantos votos em Pernambuco neste segundo turno?
FSB/BTG Pactual: Bolsonaro 59%, Haddad 41%
Neste domingo (14) foi divulgada a pesquisa de intenção de voto para o segundo turno do instituto FSB, encomendada pelo banco BTG Pactual.
A pesquisa mostra Jair Bolsonaro (PSL) com 59% dos votos válidos, tendo 18 pontos percentuais de vantagem sobre Fernando Haddad (PT), que aparece com 41%.

Entre os eleitores do candidato do PSL, 94% disseram que não há possibilidade de mudarem seu voto.
Em votos totais, Bolsonaro aparece com 51% contra 35% de Haddad, havendo 5% de votos brancos ou nulos, 6% que dizem não apoiar ninguém e 3% que não responderam.
Silvio Costa: “Que o ódio ao PT não comprometa o futuro do Brasil”

Há doze anos convivo com o PT na Câmara Federal. Como todo partido, tem gente de bem e gente que não presta. Eu, por exemplo, tenho todos os motivos para estar decepcionado com o PT. O sonho de ser senador da República desmoronou quando o PT retirou a candidatura de Marília Arraes ao governo de Pernambuco. Marilia poderia ter ganho a eleição para o governo e hoje eu poderia estar eleito senador do Brasil.
Não sou homem de alimentar ódio ou mágoa. Nem faço política olhando pelo retrovisor. Nunca esperei, nem cobrei reciprocidade do PT.
No País, o ódio ao PT, a negação da política e o populismo de classe média são os ingredientes da anestesia social que Jair Bolsonaro (PSL) está aplicando em parte dos homens e mulheres do Brasil. Porém, toda anestesia tem um tempo de duração. Torço para que o efeito do anestésico social usado por Bolsonaro acabe antes do próximo dia 28 de outubro.
Para o bem do futuro do Brasil, espero que os trabalhadores e trabalhadoras do País que estão pensando em votar em Bolsonaro acordem da anestesia e conheçam o mal que ele pode causar aos direitos sociais e aos direitos humanos no País.
Um exemplo do que Bolsonaro pensa e do mal que ameaça causar ele já deu este ano na Câmara dos Deputados: ele votou a favor da reforma trabalhista. Bolsonaro votou contra os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil.
Lembro do período em que o Congresso Nacional estava discutindo os direitos sociais das empregadas domésticas, quando grande parte da classe média era contra. Bolsonaro se transformou na voz da insensibilidade social dessa parcela da classe média. Bolsonaro trabalhou pesado e votou contra as conquistas das empregadas domésticas.
Neste momento, os defensores da estabilidade democrática do Brasil precisam fazer um grande debate nacional para apresentar o verdadeiro Bolsonaro aos eleitores que não o conhecem. Esta é a tarefa mais importante para o futuro do País desde a redemocratização.
É evidente que respeito os eleitores e eleitoras de Bolsonaro, mas sinto-me na obrigação de alertar que eles estão equivocados. Nós não podemos criminalizar Fernando Haddad só porque ele é candidato pelo Partido dos Trabalhadores. Haddad é um homem digno, competente, um professor universitário de classe média, um homem de família, um homem preparado para ser um grande presidente do Brasil .
* Silvio Costa (Avante) é vice-líder da oposição na Câmara dos Deputados.
Roberta Arraes comemora o Dia das Crianças em festa no município do Cedro
A deputada Roberta Arraes esteve ontem (12), comemorando o Dia das Crianças no município do Cedro, na tradicional festa realizada todos os anos pela empresária Riva Bezerra.
A parlamentar aproveitou também sua ida, para agradecer a expressiva votação que teve na no município.
“Cedro foi uma cidade que desde a primeira vez, me acolheu e recebeu com muito carinho e apoio. Agradeço a toda população, vereadores e lideranças políticas. Agora trabalharemos juntos em busca de ações e benfeitorias para todos!”, afirmou Roberta.
Juliana Chaves mostra força em Feira Nova
A principal liderança da oposição e ex-candidata em Feira Nova, a arquiteta Juliana Chaves (PSB) demonstrou força nessas eleições 2018 e sedimentou seu nome para a disputa do pleito eleitoral de 2020, quando proporcionou aos seus Deputados André Ferreira e Isaltino, federal e estadual respectivamente, expressivas votações.
Ao contrario do que ocorreu com os prefeitos e prefeitas dos municipios circunvizinhos Limoeiro, Passira, Glória do Goita, Lagoa de Itaenga e Chã de Alegria, que fizeram seus deputados maioritários, Juliana impediu que tal feito também acontecesse com o prefeito Danilson Gonzaga (PSD), que apenas fez majoritário seu deputado estadual Joaquim Lira, pois seu outro deputado Ricardo Teobaldo perdeu para André Ferreira que foi apoiado por Juliana e seu grupo político.
Destaca-se que diferentemente do prefeito, com a máquina pública, todos seus 06 vereadores, 03 ex-prefeitos e todo o seu grupo que apoiaram seus candidatos, a arquiteta, teve o apoio do ex-prefeito Nicodemos e 03 vereadores, embora o seu grupo estivesse dividido.
Proporcionalmente, para federal, com exceção de Canhotinho onde André Ferreira também foi majoritário, Juliana conseguiu 3.454 votos, representando quase 30% dos votos válidos em Feira Nova, a maior votação do deputado nos municipos em que obteve expressivas números de votos. Também proporcionalmente, Isaltino teve em Feira Nova sua maior votação no Estado, foram 2.863 votos.
Juliana segue trabalhando no Município, agora com o apoio legitimado de seus dois deputados, eleitos no último de 7 de outubro.
“Agradeço primeiramente a Deus e ao povo de Feira Nova, que reconheceu nas urnas, de um lado nosso trabalho junto aos mais carentes, em parceria com nossos deputados e agora com o governador Paulo Câmara e, por outro, a desastrosa gestão do prefeito que foca os gastos públicos em eventos festivos. Eles diziam acreditar e até apostavam que venceriam tudo nessas eleições, mas o povo deu a resposta. Seguiremos firmes debatendo a boa política, para juntos projetar uma nova etapa na vida social, econômica e política de Feira Nova”. Pontuou Juliana Chaves.
PRTB criará comitês pró-Bolsonaro em Pernambuco
O presidente nacional do PRTB, Levy Fidelix, recomendou aos diretórios estaduais a criação de comitês de campanha de Jair Bolsonaro e do vice General Mourão, que é filiado à sigla.
Em Pernambuco esta incumbência caberá ao presidente estadual da sigla, Edinázio Silva, que comemorou o resultado do partido no primeiro turno com a vitória do deputado estadual eleito Marco Aurélio, evidenciando o crescimento da sigla em Pernambuco.
Juliana de Chaparral a grande liderança do Agreste Setentrional
Apesar de não ter sido eleita deputada estadual no último domingo, por causa do partido não ter conseguido o número suficiente de votos para atingir o quociente eleitoral, conquistou uma expressiva votação em todo estado 31.999 votos, ela também conseguiu desbancar muitos candidatos a deputados dos prefeitos e ex prefeitos dos municípios do agreste setentrional como Surubim, Casinhas, João Alfredo, Limoeiro, São Vicente Ferrer e Bom Jardim.
Em alguns municípios chegou a atingir de 20% a 30% dos votos válidos, resultado que a credenciou para projetos futuros nas cidades da região. Esposa do prefeito Cleber Chaparral, que vem fazendo uma gestão bem avaliada em Orobó com 80% de aprovação, ainda conseguiu ter 7.559 votos na sua cidade ficando com 62% dos votos válidos. Dependendo da conjuntura politica Juliana de Chaparral pode apoiar muitas lideranças políticas desses municípios, até mesmo ser candidata a prefeita de alguma cidade da região do agreste em 2020.
Coluna do blog deste sábado
Bivar ganha protagonismo político local e nacional
Quando a pré-candidatura de Jair Bolsonaro era apenas um sonho distante, o presidenciável teve que buscar um partido para colocá-la em prática. Era filiado ao PP, mas deixou a sigla rumo ao PSC, que acabou não lhe garantindo a legenda, então iniciou negociações com o PEN no sentido de formalizar a candidatura. Ficou acertado que a sigla mudaria de nome para Patriota, porém novamente ele enfrentou problemas no partido e sua filiação acabou não ocorrendo.
O PSL, comandado por Luciano Bivar, estava iniciando um processo de mudança de nome para Livres, cujo líder era o seu filho Sérgio Bivar. A mudança de nome atrairia diversos segmentos sociais como o RenovaBR, o Movimento Brasil Livre, etc, porém para o PSL continuar existindo ele precisava superar a cláusula de barreira, e a única saída era apresentar uma candidatura competitiva presidencial.
O casamento Bolsonaro e PSL ocorreu no início deste ano, porém com muita gritaria do Livres que ficou insatisfeito com a entrada do presidenciável. Bolsonaro só entrou na disputa porque contou com Luciano Bivar, que foi fundamental para a sua entrada no partido e consequentemente no processo eleitoral. Bivar, por sua vez, estava decidido a não ser mais candidato a nada, uma vez que na eleição anterior não havia logrado êxito na disputa.
Veio o processo eleitoral e Jair Bolsonaro liderou de ponta a ponta a eleição, mesmo com apenas oito segundos de guia eleitoral. O PSL por sua vez lançou sem grandes pretensões nomes para as eleições estaduais deste ano. O casamento quase perfeito foi bom para Bolsonaro, que chegou ao segundo turno presidencial com 46% dos votos válidos, e foi extraordinário para o PSL que não só escapou da cláusula de barreira como se tornou a segunda maior bancada da Câmara dos Deputados com 52 parlamentares, tornando-se um partido grande na política brasileira suplantando gigantes como MDB, PSDB, PP, PR e PSD.
Líder nas pesquisas do segundo turno com 58% dos votos válidos no Datafolha, Jair Bolsonaro está a duas semanas de ser o próximo presidente da República, e em se confirmando seu favoritismo, o deputado federal eleito Luciano Bivar, sétimo mais votado de Pernambuco, terá um papel fundamental em seu governo, podendo até presidir a Câmara dos Deputados ou ocupar um importante ministério. Em Pernambuco, qualquer que seja a função de Bivar, ele será o principal interlocutor do estado no governo Bolsonaro.
O resultado de 2018 tem tudo para fazer de Luciano Bivar um dos mais importantes políticos de Pernambuco, e quem precisar destravar demandas do estado no governo federal poderá contar com o empenho e a influência dele.
Majoritários – Os deputados estaduais eleitos com a maior votação proporcional de um município foram Álvaro Porto (Canhotinho com 68,13%), Lucas Ramos (Santa Cruz com 59,53%), Antonio Fernando (Ouricuri com 56,56%) e Gustavo Gouveia (Paudalho com 55,76%). Já os federais foram Sebastião Oliveira (Santa Cruz com 56,85%) e André Ferreira (Canhotinho com 52,99%).
Kaio Maniçoba – Apesar de não ter sido reeleito, Kaio Maniçoba atingiu 61.287 votos, dobrando seus votos em relação a 2014. Junto com Bivar, que quadruplicou seus votos, Kaio obteve proporcionalmente a melhor ampliação de votos em relação ao pleito anterior. Primeiro suplente da sua coligação, Kaio tem grandes chances de assumir o mandato caso algum deputado seja convocado por Paulo Câmara.
João Fernando – Após sair do PSB, João Fernando Coutinho achou que seria fácil renovar seu mandato. Filiou-se ao PROS, rompeu com o Palácio e foi para a disputa sem calcular os riscos de um distanciamento com o governo. Caiu de mais de 120 mil votos em 2014 para apenas 63.939 votos em 2018, ficou sem mandato e muito provavelmente sepultou sua carreira política.
Alepe – Com as duas maiores bancadas, PSB e PP deverão ficar com os dois principais cargos da mesa diretora da Assembleia Legislativa de Pernambuco. Sem um nome natural para presidir a Casa, o PSB deverá abdicar do posto para Eriberto Medeiros, que já deu inúmeras demonstrações de fidelidade ao Palácio e será um importante aliado do governador Paulo Câmara na Casa. Para a primeira-secretaria, o PSB tem Diogo Moraes, Lucas Ramos e Clodoaldo Magalhães, que saíram fortalecidos das urnas no último domingo.
RÁPIDAS
Composição – A nova composição da Alepe será representada por dezoito partidos, pela ordem: PSB (11), PP (10), PSC (5), DEM, PSD e PT (3), PTB e PR (2), PDT, Avante, PRTB, PSDB, PRB, PHS, PSOL, MDB, PCdoB e Solidariedade (1).
Mulheres – A Assembleia Legislativa de Pernambuco terá um número recorde de mulheres na composição da Casa. Além das deputadas reeleitas Roberta Arraes, Simone Santana, Teresa Leitão e Priscila Krause, a Casa ganhou o reforço de Fabiola Cabral, Ducicleide Amorim, Clarissa Tercio, Alessandra Vieira, Gleide Angelo e Juntas.
Inocente quer saber – Felipe Carreras terá coragem de romper com o PSB para ser candidato a prefeito do Recife em 2020?
Sílvio Costa: “Quem conhece Bolsonaro não vota em Bolsonaro”
Há doze anos conheço Jair Bolsonaro. Quem conhece Bolsonaro não vota em Bolsonaro. O homem que, por enquanto, está liderando as pesquisas, na verdade é um grande marqueteiro. Um político que se apropriou de algumas frases de efeito do tipo “bandido bom é bandido morto “, frases que têm ressonância em uma grande parcela da população brasileira, em razão da violência que tem assustado o País.
Em três mandatos de convivência na Câmara Federal, nunca vi Bolsonaro participar de debates sobre a educação, saúde, orçamento público, meio- ambiente, geração de empregos, enfim, nunca ouvi nenhuma fala de Bolsonaro sobre qualquer assunto de interesse da economia brasileira e da gestão pública responsável.
Já presenciei, por diversas vezes, o marqueteiro Bolsonaro agredir as minorias, defender a diminuição da maioridade penal, defender a indústria das armas e, sobretudo, decorar e falar frases de efeito como aquela em que homenageou o coronel Brilhante Ustra, um torturador, no dia do impeachment da presidente Dilma.
Reconheço que Bolsonaro sempre soube onde queria chegar. Ele percebeu claramente que existe uma plateia que aplaude estes arroubos.
Bolsonaro se apresenta como o “senhor solução”, com propostas simplistas e ameaçadoras.
É evidente que respeito o direito de escolha das pessoas, o voto livre e soberano, entretanto tenho o dever, como cidadão e como parlamentar, de alertar que – se eleito presidente -, Bolsonaro será, tenham certeza, o “senhor decepção”.
Bolsonaro sempre foi um parlamentar isolado, dificilmente recebia atenção de algum colega parlamentar. Nunca teve liderança, capacidade de articulação e poder de influência. Esta semana, no plenário, fiquei impressionado com a quantidade de deputados que já apoiam Bolsonaro. Os que não se reelegeram estão atrás de emprego e os que se reelegeram e conhecem Bolsonaro sabem que estão prestando um desserviço ao País, mas já estão preocupados com a velha política do “é dando que se recebe”. São os eternos governistas de plantão.
Não tenho respeito por um parlamentar que conhece Bolsonaro, convivi com Bolsonaro e vota em Bolsonaro.
Ratifico que respeito os eleitores e eleitoras de Bolsonaro, aliás é o meu dever constitucional respeitar o contraditório. Infelizmente, Bolsonaro não tem militantes, tem adeptos. Falando inverdades, lamentavelmente ele conseguiu chegar ao coração de milhões de homens e mulheres do Brasil.
Quando Bolsonaro diz que vai dar uma arma a todo brasileiro e brasileira, ele está mentindo. Bolsonaro sabe que essa decisão não depende do presidente da República e sim do Congresso Nacional. Torço para que o Brasil reflita e não eleja Bolsonaro, não cometa esse erro histórico. Mas, se essa for a jdecisão majoritária do povo brasileiro, temos que desarmar os palanques e cuidar da pacificação do País. Temos que cuidar do nosso bem mais precioso: a democracia.
* Sílvio Costa (Avante) é vice-líder da oposição na Câmara dos Deputados.








