Uma vitória maiúscula da articulação política
O governador Paulo Câmara foi eleito em 2014 na esteira de uma tragédia após a morte do ex-governador Eduardo Campos. Sem experiência eleitoral e política, Paulo teve o desafio de governar o estado sucedendo o maior governador da história do estado. Além da falta de traquejo, Paulo enfrentou a maior crise econômica dos últimos anos que impactou na gestão liderada por ele no estado.
Foram quatro anos de vacas magras, com muitos afirmando que ele não teria condições de se recuperar para vencer a disputa. Como se não bastasse, Paulo viu uma ameaça real a sua reeleição quando o MDB correu risco de trocar de comando, além do mais viu a pré-candidatura de Marília Arraes ganhar respaldo eleitoral e político.
Era preciso articulação e o Palácio lutou com as armas que tinha, primeiramente na questão envolvendo o MDB. Raul Henry e Jarbas Vasconcelos foram para o jogo do tudo ou nada, judicializando a disputa pelo comando do partido, e acabaram evitando que ele fosse para as mãos do senador Fernando Bezerra Coelho e consequentemente para a oposição. Aquele movimento foi de vital importância para fortalecer o governo e fragilizar o grupo oposicionista, que se tivesse dado errado, o governo teria muitas dificuldades.
Na questão do PT, o risco de Marília Arraes foi se tornando cada vez mais alto, e na véspera da decisão, uma articulação envolvendo o PCdoB nacional retirou Marília do jogo, e trouxe Lula para o palanque governista. Sem Marília no jogo, foi a hora de formar a chapa majoritária. Precisou dar espaço a figuras antagônicas, Jarbas Vasconcelos e Humberto Costa, e Luciana Santos, que não tinha sido eleita na prefeitura de Olinda.
Paulo enfrentou além dos desafios, políticos que estavam mais poderosos, como os três ministros que juntos tinham tanta força quanto a sua caneta de governador. Mendonça Filho, Fernando Filho e Bruno Araújo assumiram ministérios relevantes em Brasilia, e se juntaram a Armando Monteiro para enfrentá-lo nas eleições deste ano. Armando que havia sido derrotado em 2014, foi o nome que o Palácio esperava enfrentar desde o começo.
A campanha começou e as pesquisas já davam sinais de que a estratégia do governo surtia efeito, com o palanque de Lula x o palanque de Temer, narrativa que no começo deu certo, mas era preciso mais. Paulo Câmara foi para a eleição e conseguiu abrir vantagem, porém as pesquisas apontavam que a fadiga de material já estava dando seus sinais. E o ponto crítico da campanha foi quando a diferença entre Paulo e Armando se reduziu para quatro pontos, numa condição de empate técnico.
Em vez de se desesperar, a Frente Popular iniciou uma narrativa mais agressiva a respeito da reforma trabalhista, que logo surtiu efeito, e a vantagem de Paulo Câmara se elasteceu até a véspera da eleição, mas um novo desafio se fez presente, que foi o crescimento abrupto de Jair Bolsonaro em todo o Brasil e não foi diferente em Pernambuco. O alerta estava pronto, mas a Frente Popular foi para o jogo com as armas que tinha, lutou com o que poderia, e garantiu a reeleição de Paulo Câmara, bem como a vitória da chapa completa.
A Paulo Câmara, a sensação de ser o terceiro governador reeleito da história de Pernambuco, e a responsabilidade que os pernambucanos lhe deram. Mesmo com um número muito menor do que em 2014, Paulo Câmara teve uma vitória maiúscula do ponto de vista das dificuldades que se apresentaram. Ele agora terá mais quatro anos, ao lado de Jarbas Vasconcelos e Humberto Costa e de toda a Frente Popular, para fazer mais e melhor, agradecendo e retribuindo a confiança que os pernambucanos lhe conferiram. Foi uma vitória de quem se superou e acreditou no seu potencial. Paulo se consolida como a principal liderança de Pernambuco e mostrou que assim com Eduardo, ele também é Madeira de lei que cupim não rói.
Gleide Angelo – Tida como uma surpresa na disputa para a Assembleia Legislativa de Pernambuco, a delegada Gleide Angelo foi eleita com a maior votação da história de Pernambuco com 412.636 votos, superando o Pastor Cleiton Collins que tinha obtido quase 217 mil votos. Gleide é a parlamentar mais votada de todos os tempos e dificilmente terá este recorde batido.
João Campos – Já o deputado federal eleito João Campos, filho do ex-governador Eduardo Campos, suplantou a sua avó Ana Arraes e seu bisavô Miguel Arraes, até então eleitos com quase 400 mil votos. João atingiu 460.387 votos e foi o mais votado da história de Pernambuco, num claro reconhecimento do eleitor pernambucano ao legado de Eduardo Campos.
Marília Arraes – A deputada federal eleita Marília Arraes foi a segunda mais votada para a Câmara dos Deputados, perdendo apenas para o primo João Campos, e atingiu 193.108 votos. Sem estrutura, Marília mostrou novamente que é boa de urna e chega ao mandato de deputada federal como uma liderança em ascensão na política estadual.
Herdeiro – Quem também saiu com uma expressiva votação foi Guilherme Uchoa Junior, que terminou com mais de 70 mil votos e ficou na terceira colocação. A sua vitória além de merecida, foi uma justa homenagem a saudosa memória do ex-presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, deputado Guilherme Uchoa, falecido em julho.
Roberta Arraes – Reeleita para a Assembleia Legislativa de Pernambuco, a deputada Roberta Arraes foi a única vitoriosa de Araripina. Ela tinha dois adversários diretos na sua cidade, Socorro Pimentel e Aluisio Coelho, e foi a única que conseguiu vencer neste domingo. Roberta consolida a sua liderança e garante a força do seu grupo para voltar a prefeitura em 2020.
RÁPIDAS
André Ferreira – O deputado federal eleito André Ferreira deu uma demonstração de força do grupo Ferreira, com a sua eleição para a Câmara dos Deputados figurando como o terceiro mais votado com 175.834 votos. Além disso, o seu partido elegeu cinco deputados estaduais, dentre eles Manoel Ferreira, que voltou à Assembleia Legislativa de Pernambuco depois de oito anos.
Silvio Costa – Apesar de não ter sido eleito senador, Silvio Costa obteve quase 700 mil votos e ainda elegeu Silvio Costa Filho com uma expressiva votação para a Câmara dos Deputados e João Paulo Costa para a Assembleia Legislativa de Pernambuco. Silvio mostrou que é uma das mentes mais brilhantes da política pernambucana e mesmo sem dispor de grandes estruturas saiu gigante do processo eleitoral.
Inocente quer saber – O que faltou a oposição para tentar chegar a um resultado melhor nas eleições deste ano?



O DataLyra acertou 46 dos 49 deputados estaduais e 23 dos 25 federais. Errando apenas Túlio Gadêlha e Carlos Veras para federal e Juntas, Gleide Ângelo e Joel da Harpa para deputado estadual. Com isso foram 94% de acerto para a Alepe e 92% de acerto para a Câmara dos Deputados. Foi o maior acerto desde a primeira edição do DataLyra em 2010. Obrigado a todos pela audiência!
O candidato a governador Julio Lossio votou em Petrolina, na manhã desta domingo (7), acompanhado da esposa Andréa Lossio, postulante à deputada estadual, e dos três filhos. O ex-prefeito foi muito bem recebido pelos eleitores no Colégio Maria Auxiliadora, enquanto no esperava para votar. Lossio foi muito saudado e recebeu muitas declarações de voto.
O candidato ao governo pela coligação Pernambuco Vai Mudar, Armando Monteiro (PTB), reafirmou a disposição de debater de maneira limpa e em condições de igualdade as soluções para os problemas do Estado. “Agora nós poderemos ter as mesmas condições de fazer uma discussão séria sobre os problemas de Pernambuco e suas soluções para as questões da segurança, da saúde e da geração de emprego. No segundo turno, o povo vai ter a chance de conhecer melhor as nossas ideias”, disse Armando, após votar na Escola Menino Jesus, no Pina, na Zona Sul do Recife.
O leitor Antônio Júnior, de Ouricuri, denunciou a falta de transporte para os eleitores da zona rural da cidade.
A respeito dos questionamentos sobre uma posição em relação a um eventual segundo turno, de que poderia negar voto a Jair Bolsonaro, o candidato a governador Armando Monteiro afirmou que não votaria no PT no segundo turno e que a posição dele seria definida com a confirmação de uma segunda etapa.
Em entrevista neste domingo, o candidato do PTB a governador de Pernambuco, Armando Monteiro, negou que apoiaria a candidatura de Jair Bolsonaro. Ele declarou no sábado em vídeo que não votaria em Fernando Haddad no segundo turno, o que deixou subentendido que votaria no candidato do PSL numa eventual segunda etapa. Questionado neste domingo sobre sua posição, ele disse que não apoiaria Jair Bolsonaro. A declaração de Armando recebeu críticas nas redes sociais de eleitores de Bolsonaro que estavam dispostos a votar na sua candidatura.


Na noite de ontem, sexta-feira (05), faltando dois dias para as eleições, Carlos Batata encerrou sua campanha com grande buzinaço pelas ruas de Garanhuns, sua cidade natal. O clima de animação era perene e o buzinaço tomou os quatro cantos da cidade. 