Coluna desta quarta-feira

Foto: Divulgação

A dança dos partidos

A abertura da janela partidária desencadeou uma intensa movimentação no tabuleiro político de Pernambuco, transformando o cenário em uma verdadeira dança das cadeiras. Em poucos dias, lideranças tradicionais trocaram de legenda, alianças foram reavaliadas e novos arranjos começaram a se desenhar para a disputa eleitoral. O movimento mais simbólico até agora foi a saída de Álvaro Porto do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) rumo ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), praticamente sacramentando a permanência da legenda na Frente Popular. A mudança reforça o campo político ligado ao prefeito do Recife, João Campos, e sinaliza que o MDB seguirá como peça relevante no bloco oposicionista ao governo estadual.

A saída de Álvaro Porto também produziu efeitos imediatos na reorganização do PSDB em Pernambuco. Com a legenda livre para novas articulações, o deputado federal Pastor Eurico passou a integrar o partido, garantindo aos tucanos uma representação em Brasília. Ao mesmo tempo, o movimento recoloca o PSDB na base política da governadora Raquel Lyra, fortalecendo o campo governista em um momento em que a construção de alianças será decisiva para o próximo ciclo eleitoral.

Outra peça importante desse xadrez é Marília Arraes. Prestes a ingressar no Partido Democrático Trabalhista (PDT), ela deixou o Solidariedade sem um horizonte político claro em Pernambuco. A saída da principal liderança da sigla no estado abriu uma disputa silenciosa pelo comando partidário. Nos bastidores, cresce a expectativa sobre quem assumirá a direção do Solidariedade e qual rumo a legenda adotará nas próximas eleições — se permanecerá próxima da Frente Popular ou buscará uma aproximação com o Palácio do Campo das Princesas.

No campo governista, novas articulações também começam a ganhar forma. O ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, filiado ao Republicanos, outrora aliado político de João Campos, passou a ser citado como possível reforço na coligação da governadora Raquel Lyra. Caso essa movimentação se concretize, representará uma inflexão importante no cenário político, ampliando a base da governadora e trazendo para seu entorno uma liderança com forte presença em Brasília e trânsito em diversos setores do Congresso.

Ao mesmo tempo, a política pernambucana convive com especulações em sentido oposto. O deputado federal Eduardo da Fonte, principal aliado de Raquel Lyra no estado e líder do Progressistas (PP), é citado como possível reforço no palanque de João Campos. A eventual migração poderia levar consigo a chamada União Progressista e consolidar seu nome como candidato ao Senado na chapa da Frente Popular, redesenhando o equilíbrio de forças no estado.

Nesse ambiente de intensa movimentação, outra articulação também ganhou destaque. O deputado federal Waldemar Oliveira, do Avante, reuniu-se com Marília Arraes e defendeu que ela também converse com a governadora Raquel Lyra sobre o cenário eleitoral. A avaliação de aliados é que Marília poderia compor a chapa governista ao Senado, ao lado de Silvio Costa Filho, formando uma dupla competitiva na disputa.

Com a janela partidária aberta e prazo final marcado para o dia 4, a política pernambucana vive um momento de imprevisibilidade. Partidos trocam de posição, líderes reavaliam alianças e novas composições surgem a cada dia. No meio dessa salada mista, uma única certeza parece prevalecer: até o fechamento da janela, novas e bruscas movimentações ainda podem surpreender o eleitorado e redesenhar o mapa político do estado.

Vistas – O ministro Nunes Marques pediu vista e adiou o julgamento, no Tribunal Superior Eleitoral, dos recursos que pedem a cassação do mandato e a inelegibilidade do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, reeleito em 2022. Com a decisão, a análise do caso foi remarcada para 24 de março. As ações foram apresentadas pelo Ministério Público Eleitoral e pela coligação do então candidato Marcelo Freixo, que apontam supostos abusos de poder político e econômico, irregularidades no uso de recursos de campanha e condutas vedadas a agentes públicos durante o período eleitoral.

ReaproximaçãoApós um telefonema de reaproximação na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, devem se reunir nos próximos dias para discutir os recentes reveses do governo na Casa e a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. O encontro também deve tratar do impasse entre Alcolumbre e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, com quem o amapaense rompeu relações no fim de 2025. Interlocutores relatam que o presidente do Senado pretende levar a Lula a avaliação de que o governo tem cometido erros na articulação de pautas prioritárias no Congresso.

PresençaMensagens obtidas na quebra de sigilos da CPMI do INSS indicam que o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, participou em 3 de agosto de 2024 do casamento da filha do senador Ciro Nogueira, realizado em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, dez dias antes de o parlamentar apresentar no Congresso a proposta que ficou conhecida como “emenda Master”. Em trocas de mensagens de julho de 2024 com sua então companheira, Martha Graeff, Vorcaro comentava os planos de ir ao evento e chegou a se referir ao senador como um de seus “grandes amigos de vida”. Já em 13 de agosto, ele comemorou com a namorada a apresentação da emenda que ampliava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.

Inocente quer saber – Quem ficará com o maior tempo de televisão da disputa estadual?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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