Coluna desta sexta-feira

Foto: Divulgação

Raquel Lyra comemora LOA e diz que governo seguirá com pé no acelerador 

A aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de Pernambuco pela Assembleia Legislativa, após cinco meses de impasse, marca uma inflexão relevante na dinâmica entre Executivo e Legislativo e explicita os custos políticos e administrativos de um atraso dessa magnitude. Em entrevista concedida ao Blog do Alberes Xavier e ao Blog Edmar Lyra, a governadora Raquel Lyra celebrou a votação unânime do projeto, que autoriza o remanejamento de 20% do orçamento estadual, destacando a importância do desfecho para o funcionamento da máquina pública.

O episódio escancara um paradoxo frequente na política pernambucana: a capacidade de construção de consensos amplos, ainda que precedida por longos períodos de desgaste. Durante quase meio ano, o Estado operou sem a principal peça orçamentária devidamente aprovada, o que, na prática, impôs limitações à execução de políticas públicas. Como reconheceu a própria governadora, ações não foram interrompidas, mas sofreram atrasos — o que se traduz em obras postergadas, serviços comprometidos e entregas adiadas para a população.

Na entrevista, Raquel Lyra buscou reposicionar a narrativa ao afirmar que o impasse não se tratava de “arenga política”, mas da necessidade de construção de entendimento. A estratégia é evidente: reduzir a temperatura do conflito e preservar pontes com o Legislativo para evitar novos entraves. Ainda assim, é difícil dissociar completamente o episódio de fatores políticos, ainda que estes não tenham sido assumidos de forma explícita pelas partes envolvidas.

Outro elemento central foi a atuação dos prefeitos e da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), que pressionaram pela votação da LOA. A mobilização evidencia que o atraso não ficou restrito ao âmbito estadual, afetando diretamente os municípios, que dependem de repasses e da previsibilidade orçamentária para planejar suas ações. Quando os gestores locais entram em cena, o custo político da demora cresce exponencialmente.

A autorização para remanejamento de 20% do orçamento também merece destaque. Trata-se de um instrumento que amplia a capacidade de gestão do Executivo, permitindo ajustes ao longo do ano e maior agilidade na execução de políticas públicas. Ao mesmo tempo, esse tipo de dispositivo sempre reacende o debate sobre os limites entre autonomia governamental e controle legislativo, uma tensão inerente ao processo democrático.

Do ponto de vista político, a unanimidade na votação carrega forte simbolismo. Indica que, apesar das divergências, há espaço para convergência quando o custo do impasse se torna elevado demais. Para o governo, representa a retomada de uma agenda com maior previsibilidade. Para a Assembleia, o encerramento de um capítulo que já começava a gerar desgaste perante a opinião pública.

Superada essa etapa, o desafio passa a ser transformar o discurso em resultados. A governadora afirmou que o governo seguirá “com o pé no acelerador” para recuperar o tempo perdido, mas isso exigirá mais do que intenção: será necessário imprimir ritmo à execução orçamentária, destravar obras e acelerar investimentos em áreas sensíveis como saúde, educação e segurança.

A LOA finalmente saiu do papel, mas deixa uma lição evidente: atrasos institucionais não são neutros. Eles impactam diretamente a vida das pessoas e expõem os limites de uma política que, quando tarda a produzir consensos, transfere o custo da demora para a sociedade.

Cidadãos – A Câmara Municipal de Caruaru concede, nesta sexta-feira, o título de cidadão caruaruense aos deputados federais Eduardo da Fonte e Lula da Fonte e ao chefe de gabinete do senador Fernando Dueire, Aristeu Plácido.  O ato contará com a presença de diversos atores da política e da sociedade e terá início às 20 horas na sede do legislativo municipal.

Alternativas – Apesar de não ter fechado sua chapa majoritária, a governadora Raquel Lyra tem cinco nomes para três vagas: Priscila Krause, Túlio Gadelha, Fernando Dueire, Eduardo da Fonte e Miguel Coelho. Ela tem um bom problema para resolver, e possui prazo de sobra para tomar a decisão.

DataTrends – Sucesso absoluto em Pernambuco nas eleições de 2024, o DataTrends Pesquisas divulgará na próxima segunda-feira mais um levantamento estadual, desta vez sobre a corrida pelo governo de Alagoas, que tende a ser polarizada entre o ex-prefeito João Henrique Caldas e o senador Renan Filho. A disputa promete fortes emoções.

Inocente quer saber – Como virá a pesquisa DataTrends para o governo de Alagoas?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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