
A avenida aberta no Senado e o palanque ampliado de Raquel Lyra
A decisão do PL de não disputar o Senado em Pernambuco redesenha de maneira significativa o tabuleiro político de 2026 e cria um novo eixo de força na montagem da chapa majoritária da governadora Raquel Lyra. Ao optar por lançar Anderson Ferreira à Câmara dos Deputados, com a missão de funcionar como grande puxador de votos da legenda e figurar entre os mais votados do estado, o partido faz uma escolha pragmática. O movimento preserva o capital político de Anderson, fortalece a bancada federal bolsonarista em Pernambuco e evita um confronto de risco em uma disputa majoritária que tende a ser extremamente competitiva. Ao mesmo tempo, o PL passa a ocupar uma posição estratégica: com um dos maiores tempos de televisão da eleição, atrás apenas da federação União Progressista, o partido se torna peça-chave na construção das alianças estaduais.
Nesse contexto, o caminho da neutralidade sempre existiu como alternativa possível para o PL. Entretanto, nos bastidores, a tendência mais evidente aponta para um alinhamento com a reeleição de Raquel Lyra. A governadora conseguiu atravessar o primeiro biênio ampliando pontes com setores de centro e centro-direita, e o PL percebe que há mais vantagens em compor do que em isolar-se politicamente. A ausência de uma candidatura própria ao Senado abriu uma avenida para a definição de um nome competitivo no campo conservador moderado dentro do palanque governista. Hoje, os dois nomes mais fortes nessa disputa interna são o deputado federal Eduardo da Fonte e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho. Ambos representam forças relevantes da federação União Progressista, mas carregam diferenças importantes na capacidade de articulação partidária e de construção de alianças.
É justamente nesse ponto que Eduardo da Fonte pode ganhar vantagem decisiva. Além de integrar o comando da federação, o parlamentar trabalha para consolidar um entendimento político com Anderson Ferreira e o PL. A engenharia em curso prevê apoio formal do partido à eventual candidatura de Eduardo ao Senado, acompanhado de um alinhamento regional entre bases políticas dos dois grupos. Na prática, seria um acordo de reciprocidade: Eduardo ajudaria na ampliação da votação proporcional do PL, enquanto Anderson direcionaria a estrutura partidária para fortalecer o projeto senatorial do dirigente progressista. Em uma eleição marcada por forte peso das chapas proporcionais e pela influência do tempo de televisão, esse tipo de composição tende a produzir efeitos concretos sobre a competitividade eleitoral. Mais do que uma simples aliança, trata-se da formação de um bloco político de centro-direita com musculatura estadual.
Se essa equação se confirmar, Raquel Lyra poderá chegar à disputa de 2026 com uma das maiores estruturas eleitorais já vistas em Pernambuco desde a redemocratização. PSD, PL, PP, União Brasil e Podemos reunidos numa mesma coligação representariam não apenas um arco partidário amplo, mas um domínio expressivo sobre o tempo de propaganda eleitoral. Pelas projeções feitas nos bastidores, a governadora teria aproximadamente 60% do tempo de televisão, além do apoio de uma base parlamentar que ultrapassaria 260 deputados federais somados nacionalmente. O impacto disso não se restringiria à candidatura ao governo. Os candidatos ao Senado vinculados ao palanque governista também seriam diretamente beneficiados por uma exposição massiva de mídia e por uma capilaridade política capaz de alcançar praticamente todas as regiões do estado. Em Pernambuco, onde televisão, estrutura partidária e alianças municipais continuam tendo peso decisivo, a construção desse palanque pode transformar a eleição em uma disputa de desequilíbrio estratégico antes mesmo do início oficial da campanha.
Polo de confecções – O deputado estadual Edson Vieira reforçou, nesta terça-feira (26), sua atuação em defesa do Polo de Confecções do Agreste durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Pernambuco para discutir os impactos da extinção da chamada “taxa da blusinha” e possíveis tributações sobre matérias-primas e tecidos. Autor do debate, o parlamentar destacou a importância de proteger os milhares de empregos gerados pelo setor em cidades como Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru, defendendo união e equilíbrio para garantir a competitividade da indústria confeccionista pernambucana.
Simepe – O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) participou, na última segunda-feira (25), de reunião com o deputado federal Augusto Coutinho para discutir a tramitação do Projeto de Lei nº 1.365/2022, que atualiza o piso salarial nacional de médicos e cirurgiões-dentistas. Representada pela presidente Carol Tabosa, além dos diretores Marcílio Oliveira e Robson Miranda, a entidade destacou a importância da proposta para a valorização profissional da categoria e reafirmou que seguirá acompanhando o andamento do projeto junto ao Congresso Nacional e às entidades médicas.
Terrorismo – O senador Flávio Bolsonaro afirmou nesta terça-feira (26), após reunião com o presidente dos Estados Unidos Donald Trump em Washington, que solicitou ao governo norte-americano a classificação das facções PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Segundo Flávio, o encontro também serviu para discutir diferenças entre um eventual governo liderado por ele e a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora tenha ressaltado que Trump não declarou apoio à sua pré-candidatura presidencial.
Prestigiado – O empresário Tarcisinho Calado foi bastante felicitado pelos seus amigos pela passagem do seu aniversário. Tarcisinho é figura conhecida no mundo político, jurídico, médico e social de Pernambuco e tem ampliado seus horizontes nas articulações no estado.
Inocente quer saber – O apoio do PL sacramentou Eduardo da Fonte como senador na chapa de Raquel Lyra?



