
ACM Neto tem vantagem significativa na Bahia
A nova pesquisa DataTrends para o Governo da Bahia traz um dado que certamente animará o grupo liderado por ACM Neto e acenderá o sinal de alerta no Palácio de Ondina. A vantagem de dez pontos percentuais do ex-prefeito de Salvador sobre o governador Jerônimo Rodrigues não representa apenas uma liderança circunstancial de pré-campanha, mas sinaliza uma posição eleitoral confortável a pouco mais de três meses do início oficial da campanha. Depois de perder a eleição de 2022 em uma virada histórica promovida pela força política do presidente Lula, ACM Neto demonstra ter preservado capital político relevante e reaparece como favorito para retomar o protagonismo no cenário baiano. O resultado sugere que parcela significativa do eleitorado continua enxergando no líder do União Brasil uma alternativa competitiva para comandar o estado, mesmo após a derrota sofrida há quatro anos.
O aspecto mais preocupante para Jerônimo Rodrigues talvez não esteja apenas na diferença registrada no primeiro turno, mas na simulação de segundo turno. Nesse cenário, ACM Neto alcança 50% das intenções de voto contra 41% do atual governador. Em eleições majoritárias, a capacidade de ampliar apoios fora da base original costuma ser decisiva, e os números indicam que o ex-prefeito consegue, neste momento, dialogar com segmentos mais amplos do eleitorado. Para o governador, o desafio é significativo porque a pré-campanha ainda não conseguiu transformar a aprovação administrativa em intenção de voto suficiente para equilibrar a disputa. A diferença observada sugere que parte dos eleitores aprova a gestão estadual, mas ainda não está convencida de que isso seja motivo suficiente para garantir a reeleição do atual mandatário.
Outro elemento importante do levantamento é justamente a avaliação do governo. Jerônimo Rodrigues aparece com 52% de aprovação e 45% de desaprovação, índices que, isoladamente, podem ser considerados positivos para um governante que pretende disputar um novo mandato. Entretanto, a pesquisa revela uma aparente desconexão entre aprovação administrativa e desempenho eleitoral. Em tese, um governador aprovado por mais da metade da população deveria iniciar o período de pré-campanha em situação mais confortável. O fato de isso não ocorrer demonstra que a aprovação não necessariamente se converte em apoio automático nas urnas. Há casos em que o eleitor reconhece avanços de uma gestão, mas opta por apoiar uma mudança política. É justamente essa janela que ACM Neto parece explorar ao liderar tanto no primeiro quanto no segundo turno.
Os índices de rejeição também ajudam a compreender o cenário. Embora Ronaldo Mansur apareça com a maior taxa de rejeição, por ser menos conhecido e ocupar espaço reduzido na disputa, o dado politicamente relevante é o equilíbrio entre ACM Neto e Jerônimo Rodrigues. O governador tem rejeição de 46%, enquanto o adversário registra 41%. A diferença existe, mas não é suficientemente ampla para inviabilizar nenhum dos dois. Isso significa que a eleição permanece aberta e sujeita às movimentações da pré-campanha. Ainda assim, os números atuais mostram um quadro favorável para ACM Neto. Se a eleição fosse hoje, a pesquisa indica que o ex-prefeito chegaria ao início da campanha oficial em posição privilegiada. Para Jerônimo, a missão será transformar a aprovação de sua administração em votos efetivos e reduzir uma distância que, embora reversível, já se mostra politicamente relevante.
Números do Senado – Nesta terça-feira, o DataTrends Pesquisas divulgará os números da disputa pelo Senado na Bahia. As duas vagas em disputa têm nomes como Ângelo Coronel, João Roma, Jaques Wagner e Rui Costa.
Contratos – A proposta de acordo de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, trouxe referências ao ministro do STF, Alexandre de Moraes, e a contratos firmados entre a instituição financeira e o escritório da advogada Viviane Barci, esposa do magistrado. Segundo informações divulgadas pela imprensa, um dos anexos mencionava um contrato de R$ 129 milhões, que teria sido celebrado com o objetivo de estreitar relações institucionais, embora o próprio relato afirme que não houve qualquer contrapartida em troca da contratação.
Proposta rejeitada – A Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro por entender que o material não atendia aos requisitos legais necessários para a formalização do acordo. Além de citar contratos entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci, a colaboração mencionava um novo vínculo profissional estimado em cerca de R$ 50 milhões. Com a avaliação negativa da PF, as negociações não avançaram para a etapa de homologação judicial.
Inocente quer saber – ACM Neto manterá o favoritismo no governo da Bahia?



