Coluna desta quinta-feira

Foto: Divulgação

Uma derrota histórica do Planalto

A rejeição do nome de Jorge Messias pelo plenário do Senado, por 42 votos a 34, inaugura um episódio de forte tensão entre o Executivo e o Legislativo e marca um revés político relevante para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda que derrotas parlamentares não sejam incomuns em regimes presidencialistas de coalizão, o simbolismo deste caso específico — apontado como inédito em mais de um século de República — expõe uma fragilidade que vai além da aritmética legislativa. Trata-se de uma derrota construída, articulada e conduzida com método, tendo como principal fiador o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que demonstrou capacidade de organização e influência sobre uma maioria decisiva.

O movimento liderado por Alcolumbre não foi improvisado. Pelo contrário, revela um padrão cada vez mais evidente no Congresso: o fortalecimento de lideranças parlamentares que operam com autonomia crescente em relação ao Palácio do Planalto. Ao reunir votos suficientes para barrar a indicação, o presidente do Senado sinalizou que o governo não detém controle automático de sua base, nem mesmo em votações consideradas estratégicas. Mais do que uma derrota pontual, o episódio sugere uma mudança no equilíbrio de forças, em que o Legislativo amplia seu protagonismo e cobra, de forma mais assertiva, participação nas decisões e no desenho do poder.

O contexto torna o revés ainda mais significativo. A votação ocorreu após o governo liberar mais de R$ 12 bilhões em emendas parlamentares, numa tentativa clara de consolidar apoio. O resultado, no entanto, indica que o instrumento — tradicionalmente eficaz na construção de maiorias — perdeu parte de sua capacidade de garantir fidelidade. Isso não significa que as emendas deixaram de ser relevantes, mas aponta para um cenário em que fatores políticos, pessoais e institucionais pesam tanto quanto — ou mais — do que os recursos orçamentários. Em outras palavras, o governo gastou capital financeiro sem obter o retorno político esperado, o que aprofunda a percepção de desgaste.

Para Lula, o episódio se soma a um conjunto de sinais de enfraquecimento que vêm se acumulando. A dificuldade em coordenar sua base, a dependência de negociações fragmentadas e a ascensão de lideranças independentes no Congresso compõem um quadro desafiador. A derrota de Messias, nesse sentido, não é apenas sobre um nome rejeitado, mas sobre a capacidade do governo de impor sua agenda e manter coesão política. Já para Alcolumbre, o resultado reforça sua posição como um dos principais articuladores do país, capaz de pautar e, quando necessário, confrontar o Executivo. O recado foi dado: no atual arranjo de poder, nenhuma decisão relevante passa incólume sem a chancela efetiva do Congresso.

GiroA pré-candidata ao Senado Marília Arraes (PDT) inicia nesta quinta-feira (30) uma agenda de três dias pelo interior de Pernambuco ao lado do pré-candidato ao governo João Campos (PSB), com visitas a municípios do Agreste e do Sertão; o roteiro começa em Jupi, com apoio da prefeita Rivanda Freire, e segue para Garanhuns, onde cumpre compromissos com o prefeito Sivaldo Albino, incluindo visita ao Hospital do Amor, homenagem na Câmara e participação no Festival Viva Garanhuns, antes de avançar na sexta e no sábado por outras cidades da região em encontros políticos e eventos populares.

Pré-candidata – Nesta quarta-feira (29), a presidente do PSD em Jaboatão dos Guararapes, Andréa Medeiros, oficializou sua pré-candidatura a deputada estadual, destacando sua trajetória ligada às pautas sociais no município e apresentando-se como uma liderança disposta a ampliar sua atuação para todo o estado; o anúncio foi acompanhado de um vídeo nas redes sociais que marca o novo ciclo, reforça o compromisso com uma política participativa e evidencia sua identidade como “mulher de atitude”, construída a partir de iniciativas voltadas ao bem-estar social, como ações nas áreas de saúde, educação e assistência, além de programas como o Lazer Sem Barreiras, o Cuidar de Quem Cuida e o Amor por Jaboatão.

Inocente quer saber – Com a derrota de Messias para o STF, Lula também foi derrotado?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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