
Quaest e Datafolha convergem para uma eleição acirrada
As mais recentes rodadas dos institutos Quaest e Datafolha trouxeram um raro ponto de convergência no cenário político de Pernambuco: a eleição para o governo estadual caminha para um desfecho competitivo. Ainda que os números variem — com o Datafolha indicando uma vantagem de 12 pontos para João Campos e a Quaest apontando oito — o diagnóstico é semelhante. Não há espaço para leitura de fatura liquidada. Ao contrário, o ambiente é de disputa aberta, com margem para movimentações estratégicas e mudanças de humor do eleitorado ao longo da campanha.
Esse quadro ganha contornos ainda mais interessantes quando se observa a situação da governadora Raquel Lyra. Com índices de aprovação que ultrapassam os 60% — 62% na Quaest e 61% no Datafolha —, ela reúne um dos ativos mais valiosos para quem busca a reeleição: a validação majoritária de sua gestão. A literatura política costuma tratar esse patamar como altamente favorável, sobretudo porque raramente governantes bem avaliados fracassam nas urnas ao tentar um segundo mandato. Soma-se a isso o dado qualitativo da Quaest, segundo o qual 57% dos entrevistados consideram que Raquel merece ser reeleita, um salto expressivo em relação aos 43% registrados anteriormente. Trata-se de um indicativo de consolidação de imagem e de possível amadurecimento da percepção positiva do governo.
Ainda assim, os números não permitem conforto. A razão tem nome e sobrenome: João Campos. Herdeiro político de Miguel Arraes e Eduardo Campos, ele não depende apenas do capital simbólico da família. Sua trajetória recente indica capacidade própria de comunicação e conexão com o eleitorado. A expressiva votação de 78% dos votos válidos na eleição municipal do Recife elevou seu patamar político a um nível incomum, sobretudo quando comparado ao histórico de prefeitos eleitos com margens mais estreitas. Esse desempenho o coloca como um adversário fora da curva, capaz de equilibrar uma disputa que, em condições normais, penderia fortemente para a governadora.
O contraste com o passado recente reforça a percepção de virada no cenário. Em agosto de 2025, a própria Quaest projetava uma vantagem de 31 pontos para João Campos, sugerindo uma eleição praticamente definida com antecedência. Meses depois, o mesmo instituto aponta para um embate voto a voto, com potencial de definição já no primeiro turno — mas sem qualquer garantia de quem cruzará a linha de chegada na frente. O que se desenha, portanto, é um clássico eleitoral, em que força administrativa e popularidade governamental se enfrentam com carisma, renovação e capital político acumulado. Pernambuco caminha para uma eleição de alta intensidade, onde cada movimento poderá ser decisivo até o último instante.
Conta palaciana – A conta dos aliados da governadora Raquel Lyra é a de que a vantagem de João Campos não é de oito e sim de cinco pontos. Na avaliação deles, o voto de Eduardo Moura, que não será candidato e pontua com três, tende a migrar integralmente para a governadora pelo perfil do eleitorado. Então na conta é 42% x 37% e não 42% x 34%.
Votos válidos – Apesar da análise palaciana, ainda que a premissa seja verdadeira, João Campos teria 52,5% dos votos válidos no quadro de primeiro turno e 54,8% no segundo turno. Foram nesses dados que os socialistas se apegaram ontem e divulgaram em suas redes sociais.
Humberto no risco – Mais um levantamento deixou o senador Humberto Costa no meio da confusão. Buscando o terceiro mandato consecutivo, Humberto tem sofrido um desgaste da fadiga de material e viu Marília Arraes ser a principal ameaça ao seu projeto de continuar no Senado. Se estivesse sozinho, suas chances ampliariam, mas como Marília disputará e lidera a corrida, Humberto já vê Miguel Coelho pelo retrovisor com grandes chances de ser ultrapassado.
PL no jogo – Com grandes chances de ter um candidato avulso ao Senado para garantir palanque a Flávio Bolsonaro, o PL tem dois postulantes à Câmara Alta com potencial: Anderson Ferreira e Mendonça Filho. Apenas um deles deve disputar, e o voto de um deve migrar para o outro, o que definitivamente coloca o nome do PL completamente no jogo.
Sem arrasa-quarteirão – Apesar da liderança de Marília Arraes, os números da Quaest apontam que ela não está muito à frente dos demais. Evidentemente que tem certo favoritismo, mas não é a fatura liquidada que parecia ser. Além do mais, os números não mostraram crescimento após ser oficializada como nome da Frente Popular.
Inocente quer saber – Quem é o melhor nome do PL para disputar o Senado?



