Blog Edmar Lyra

O blog da política de Pernambuco

  • Início
  • Sobre
  • Pernambuco
  • Brasil
  • Contato

Postado por Edmar Lyra às 0:00 am do dia 5 de março de 2026

Coluna desta quinta-feira

Foto: Divulgação

A tese dos dois palanques e os desafios locais e nacionais 

A agenda de ontem em Brasília foi tudo, menos protocolar. Em horários distintos, o prefeito do Recife, João Campos, e a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, estiveram com o presidente nacional do PT, Edinho Silva. Na mesa, 2026. João defende a construção de um único palanque em Pernambuco para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reforçando a aliança histórica entre PT e PSB no plano nacional. Raquel, por sua vez, trabalha para ser reconhecida como o segundo palanque lulista no Estado, oferecendo apoio político sem abdicar de seu projeto de reeleição. A disputa é menos sobre 2026 em Pernambuco e mais sobre quem terá o carimbo de principal fiador de Lula no Estado.

O PSB reagiu prontamente. O presidente estadual da sigla, Sileno Guedes, descartou qualquer possibilidade de repetição do modelo de dois palanques adotado em 2006. Naquela eleição, Lula buscava a reeleição e contava, em Pernambuco, com dois ex-ministros seus na disputa pelo Governo: Humberto Costa e Eduardo Campos, que enfrentavam o candidato apoiado pelo então governador Jarbas Vasconcelos, Mendonça Filho. Para os socialistas, a unidade fortalece o projeto nacional e evita ruídos desnecessários. Afinal, o PSB é aliado histórico do PT, parceiro em sucessivas eleições presidenciais e peça-chave na sustentação política do governo no Congresso.

Mas 2026 não é 2006. Se naquele pleito Lula tinha ampla vantagem sobre Geraldo Alckmin e caminhava para uma reeleição relativamente confortável, o cenário que se desenha agora é de confronto apertado contra Flávio Bolsonaro. A polarização tende a se repetir em níveis semelhantes aos de 2022, o que transforma o Nordeste — e particularmente Pernambuco — em território estratégico. Num embate voto a voto, ampliar a capilaridade política pode ser mais decisivo do que preservar arranjos tradicionais. É aí que entra o pragmatismo.

No Palácio do Planalto, a lógica é matemática: mais palanques competitivos significam mais estruturas mobilizadas, mais prefeitos engajados e maior potencial de transferência de votos. Mesmo reconhecendo o peso histórico do PSB como aliado nacional, o PT sabe que uma disputa apertada exige flexibilidade. Se dois palanques puderem potencializar a votação de Lula em Pernambuco, o pragmatismo pode falar mais alto que a tradição. No fim das contas, a decisão passará menos pelo simbolismo das alianças e mais pela necessidade concreta de vencer uma eleição que promete ser uma das mais desafiadoras da história recente.

De coadjuvante – Criado nacionalmente por Gilberto Kassab em 2011, o PSD ganhou força em Pernambuco com o apoio do então governador Eduardo Campos, que indicou André de Paula para comandar a sigla no Estado. O partido atuou como linha auxiliar do PSB por quase uma década, garantindo mandatos e espaço político, mas perdeu protagonismo em 2022 após frustração na disputa ao Senado e ausência de chapas competitivas, ficando praticamente esvaziado em Pernambuco.

A protagonista – O cenário mudou com a filiação da governadora Raquel Lyra ao PSD, em 2025, levando cerca de 80 prefeitos e iniciando uma ampla reorganização partidária. A legenda trabalha para montar chapas robustas à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa em 2026, com meta de eleger até quatro deputados federais e até dez estaduais, movimento que pode transformar o PSD em peça central do xadrez político pernambucano.

Descartou – O ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, soltou uma nota oficial descartando qualquer possibilidade de compor a vice na chapa encabeçada por João Campos na disputa pelo governo de Pernambuco. O ministro é presidente do Republicanos e reafirmou sua intenção de disputar o Senado Federal em outubro.

Aprovada – A Câmara aprovou nesta quarta-feira (4), por 487 votos, o relatório da PEC da Segurança Pública do deputado Mendonça Filho, que endurece regras contra o crime organizado e criminosos de alta periculosidade. O texto amplia a apreensão de bens de facções, restringe benefícios penais e reforça a cooperação entre União, estados e municípios, alterando a proposta original enviada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Inocente quer saber – Existem outros deputados estaduais e federais de outras legendas a caminho do PSD?

Arquivado em: Sem categoria

Siga-me nas redes sociais

  • Facebook
  • Instagram
  • LinkedIn
  • Twitter

 

Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

Saiba mais

Siga-me nas redes sociais

  • Facebook
  • Instagram
  • LinkedIn
  • Twitter

Copyright © 2026 · Atlas Escolar On Genesis Framework · WordPress · Login