
A reeleição presidencial entrou em fadiga no Brasil?
Desde a introdução da reeleição presidencial, em 1997, a experiência brasileira permite identificar regularidades empíricas relevantes. Fernando Henrique Cardoso venceu em 1998 no primeiro turno com cerca de 53% dos votos válidos, amparado por índices de aprovação superiores a 60% ao longo do ano pré-eleitoral. Lula, em 2006, embora tenha sido empurrado ao segundo turno, iniciou o ciclo com avaliação positiva acima de 50% e liderança nas pesquisas frequentemente superior a 15 pontos percentuais. Dilma Rousseff, em 2014, já apresentava sinais de desgaste mais evidentes: sua aprovação oscilava entre 38% e 42% no ano eleitoral, e sua vantagem nas intenções de voto raramente superava 8 pontos. Ainda assim, venceu por margem mínima. A trajetória histórica sugere uma relação inversa entre popularidade do incumbente e previsibilidade do resultado: quanto menor a aprovação, maior a competitividade da disputa.
Um segundo padrão emerge da comparação sistemática entre pesquisas e resultados eleitorais. Em todas as reeleições bem-sucedidas — 1998, 2006 e 2014 — o presidente liderava as intenções de voto desde o início do ciclo, mas essa liderança foi consistentemente superestimada nos levantamentos. FHC, que chegou a aparecer com vantagem superior a 20 pontos, venceu por cerca de 12. Lula, em 2006, viu sua vantagem inicial ser reduzida à metade no segundo turno. Dilma, em 2014, liderou a maior parte da campanha, mas venceu por apenas 3,3 pontos percentuais. O caso Bolsonaro, em 2022, ajuda a delimitar essa regularidade: com avaliação persistentemente abaixo de 40% e sem liderança nas pesquisas em nenhum momento relevante, mesmo uma recuperação expressiva — que o levou a 49,1% dos votos válidos — não foi suficiente para inverter o resultado. A inferência é clara: liderar pesquisas é condição necessária; não liderar torna a reeleição estatisticamente improvável. [Ler mais …]


















