Queremos o mando de campo

Isabela Lessa Ribeiro

Advogada sócia do Bahia, Lins e Lessa.

Vice-presidente da ESA OAB-PE.

Coordenadora do Curso de Direito da Faculdade Nova Roma

Historicamente, a nós mulheres não é dado voz e vez no comando do jogo. Atualmente, até podemos até participar, mas a bola é deles e as regras foram feitas por e para eles. E se agimos neste modelo somos mandonas, histéricas, descontroladas.

Somos minoria no executivo, no legislativo, no judiciário, no sistema OAB. A despeito de sermos quase metade da população, nos espaços de poder, essa paridade de gênero não se reflete. Assim, seguimos alijadas e invisibilizadas, nossas necessidades e peculiaridades seguimos na insanidade do machismo institucional.

Por quê? Porque fomos criadas para o cuidar, para o jardim e para maternar. Não fomos criadas para praça, quiçá para termos o mando do campo. Mas, porque reclamamos, quanto mimimi, já podemos jogar… Bem, agora, queremos cantar, nossa canção iluminada de Sol!

Na verdade, para aquelas (ainda poucas) que desbravam a ocupação dos espaços de poder, o caminho é espinhoso. Mas, uma rosa floresce no despertar para a relevância e premência da participação feminina. Porque só quando as nossas vivências forem consideradas para a criação das regras do jogo é que a brincadeira ficará mais justa.

O machismo nos permeia com tanta sutileza e de forma tão visceral que muitas vezes nem notamos. Sequer percebemos falas absurdas proferidas contra nosso único pecado de sermos mulheres: vaca, gorda, descontrolada histérica. Representatividade importa, precisamos mulheres liderando com sensibilidade, com integridade, com transparência e sem subterfúgios, sem discursos de fachada. Líderes cheias de atitude, de amabilidade, de firmeza, doçura e generosidade.

Pluralidade de realidades (gênero, raça e sexualidade) é alicerce para uma ambiência verdadeiramente democrática, para uma sociedade com pessoas capazes de enxergar o outro. É pontapé para desconstrução de um padrão de jogo estritamente masculino e sem diversidade.

Representatividade e diversidade é fomento da alteridade; é estimular que meninas possam sonhar.

A cada mulher hoje em espaço de poder, siga firme! Pois as pessoas na sala de jantar são ocupadas em nascer e morrer… Persista, não é mais só por você, é por mim, é por nós! É a esperança por um dia em que poderemos ser corteses e generosas, plurais e diversas, meninas e mulheres em um mundo, onde todas essas características não sejam tão difíceis. Sejamos folhas de sonho no jardim do solar, as folhas sabem procurar pelo Sol.

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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