
Quaest inaugura o ano eleitoral com alertas para Lula e dilemas estratégicos da oposição
A primeira pesquisa Quaest do ano eleitoral funciona como um termômetro antecipado de uma disputa que, embora ainda distante do calendário formal, já começa a se desenhar com nitidez. Os números indicam um cenário paradoxal para o presidente Lula: ele lidera todos os cenários de primeiro e segundo turno testados, mas enfrenta um ambiente de desgaste contínuo. A avaliação do governo permanece em empate técnico, com leve desvantagem na desaprovação, e a maioria dos entrevistados — 56% — afirma que o petista não merece um novo mandato. O dado mais sensível para o Planalto, porém, está entre os eleitores independentes, onde a rejeição cresceu e passou a superar com folga a aprovação, um sinal de alerta para quem depende desse segmento para vencer eleições competitivas.
Ainda assim, do ponto de vista estritamente eleitoral, Lula segue em posição confortável. Seus percentuais oscilam entre 35% e 40% no primeiro turno e ele venceria todos os adversários no segundo, ainda que com margens menores do que no fim de 2025. A pesquisa sugere que a força do presidente não está necessariamente na empolgação popular, mas na fragmentação da oposição e na permanência de uma rejeição relevante à família Bolsonaro. O temor de um retorno bolsonarista continua sendo um ativo político importante para Lula, sobretudo se o adversário final carregar o sobrenome Bolsonaro, cenário em que a maioria dos eleitores acredita que o presidente seria reeleito.
Do lado oposicionista, o levantamento revela uma mudança relevante: Flávio Bolsonaro emerge como o principal nome da direita no primeiro turno, consolidando-se em segundo lugar em quase todos os cenários. Mais do que herdar votos do bolsonarismo tradicional, ele passa a avançar sobre a chamada direita não bolsonarista, o que explica sua arrancada recente. A percepção de que sua candidatura “é para valer” também cresce, assim como a avaliação de que Jair Bolsonaro acertou ao indicá-lo. Ainda assim, Flávio carrega o maior índice de rejeição entre os opositores, apesar de ter conseguido reduzi-lo, o que limita sua competitividade em um segundo turno.
Nesse contexto, Tarcísio de Freitas aparece como o nome mais competitivo contra Lula numa eventual rodada final. A diferença entre os dois caiu significativamente, e entre eleitores independentes o governador de São Paulo já aparece tecnicamente à frente. A pesquisa reforça a leitura de que um candidato de direita fora da família Bolsonaro tornaria a disputa mais equilibrada. O dilema da oposição, portanto, está posto: insistir em um nome que mobiliza fortemente sua base, mas amplia rejeições, ou apostar em um perfil menos polarizador, capaz de disputar o eleitorado do meio. A resposta a essa equação pode definir não apenas o tom da campanha, mas o próprio desfecho da eleição.
Terceira eleição – Apesar de terem se enfrentado somente em 2022, com vitória para Lula por uma ínfima margem, Lula e Jair Bolsonaro serão protagonistas pela terceira vez em 2026, antes eles protagonizaram também 2018. A primeira foi vencida por Bolsonaro, a segunda por Lula. Agora, a disputa favorece Lula que está na máquina, mas Bolsonaro mostra resiliência e capacidade de transferência de voto, como seu antagonista em 2018.
Rejeição caindo – O senador Flávio Bolsonaro viu sua rejeição cair em cinco pontos percentuais, baixando de 60% para 55%, Lula por sua vez tem 54% de rejeição. Se continuar reduzindo a rejeição, Flávio poderá ser mais competitivo do que os analistas estão apontando.
Eleitor chave – A bem da verdade é que o Brasil está dividido entre lulistas e bolsonaristas. Com grandes chances de ambos terem um piso de 45% dos votos válidos no segundo turno. Existe um eleitor de centro que foi determinante para que Lula atingisse 50,9% e derrotasse Jair Bolsonaro. Passados quatro anos, será que esse eleitor seguirá optando por Lula após sua volta ao Planalto?
Inocente quer saber – Na polarização entre Lula e Bolsonaro que dura três eleições, quem levará a melhor?



