
Recalculando a rota
Miguel Coelho voltou a se afirmar como um dos nomes centrais da eleição de 2026 ao reafirmar, durante evento partidário em Jaboatão dos Guararapes, que trabalha para ser o candidato da Federação União Progressista ao Senado. Ex-prefeito de Petrolina e candidato ao Governo de Pernambuco em 2022, Miguel busca transformar o capital político acumulado naquela disputa em um projeto viável para a Câmara Alta. O movimento é sustentado, sobretudo, pelo desempenho consistente que seu nome apresentou nas pesquisas divulgadas ao longo do ano passado, onde figurou entre os mais competitivos para o Senado.
Ao colocar seu nome à disposição não apenas do União Brasil, mas de todo o campo político que integra a federação com o PP, Miguel sinaliza que pretende ser mais do que uma opção partidária. A estratégia passa por apresentar-se como um nome capaz de agregar forças e dar densidade eleitoral a qualquer composição majoritária. A convicção expressa de que um dos próximos senadores será da União Progressista revela não apenas confiança, mas também a intenção de elevar o patamar das negociações desde já, aproveitando o calendário acelerado do ano eleitoral.
Na avaliação do cenário estadual, Miguel foi realista ao destacar que Pernambuco tem tradição de disputas duras e reconheceu a polarização entre a governadora Raquel Lyra e o prefeito do Recife, João Campos. Embora mantenha preferência política por João, aliado histórico, sua fala foi cuidadosamente construída para não estabelecer amarras definitivas. Ao tratar o embate de forma objetiva, Miguel preserva margem de diálogo e mantém seu projeto ao Senado acima das disputas locais, algo fundamental para quem busca uma eleição de alcance estadual.
Esse posicionamento ganha peso quando se observa a configuração das chapas. Enquanto a Frente Popular dispõe, na prática, de apenas uma vaga em disputa, já que Humberto Costa é o candidato natural à reeleição na composição PT/PSB, o campo governista pode oferecer duas vagas ao Senado. Nesse desenho, Eduardo da Fonte e Miguel Coelho aparecem como nomes capazes de contemplar integralmente a Federação União Progressista. Ao manter bom desempenho nas pesquisas e não fechar portas, Miguel transforma sua candidatura em elemento central das articulações de 2026, ampliando sua capacidade de negociação e consolidando-se como um dos protagonistas da disputa.
Diálogo avançado – Em que pese negativas do grupo liderado por Miguel Coelho, nos bastidores há informações que o ex-prefeito de Petrolina voltou a dialogar com a governadora Raquel Lyra. Há quem afirme que o clã petrolinense não apenas garanta o Senado como possa emplacar aliados no secretariado da governadora.
Incômodo – Apesar de ter acenado diversas vezes para o projeto de João Campos, Miguel Coelho estaria demonstrando incômodo com a falta de definição e a declarações de integrantes da Frente Popular de que não há espaço para o seu grupo político na chapa majoritária por ter apoiado os governos Temer e Bolsonaro.
Teto baixo – Levantamento do Datafolha aponta que, desde 2014, a polarização política impôs um teto à popularidade dos presidentes, que não conseguem ultrapassar 42% de avaliação positiva. Segundo o instituto, além de crises econômicas e escândalos, a radicalização do debate e as mudanças no consumo de informação consolidaram eleitores firmemente a favor ou contra os governos, dificultando avanços expressivos na aprovação. Para a diretora do Datafolha, Luciana Chong, a polarização é fator decisivo nesse cenário, enquanto o cientista político Creomar de Souza destaca que a lógica do “nós contra eles”, amplificada pelas redes sociais, dilui rapidamente acertos e superdimensiona erros, mantendo a avaliação presidencial permanentemente achatada.
Após o carnaval – A análise do veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria deve ficar para depois do Carnaval, já que o Congresso retoma os trabalhos em 2 de fevereiro com foco inicial na organização das pautas e das comissões. Mesmo assim, a oposição pressiona para antecipar a votação e aposta na derrubada do veto, movimento que, segundo o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, está articulado desde dezembro. Do outro lado, a base governista tenta sustentar a decisão presidencial, com mobilização liderada pelo PT, que vê no projeto risco de impunidade aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
Inocente quer saber – Eduardo da Fonte aceitaria ser candidato junto com Miguel Coelho ao Senado na chapa de Raquel Lyra?


