
Entre a continuidade e a construção de identidade própria
A posse de Victor Marques como novo prefeito do Recife marca mais do que uma simples transição administrativa: representa a continuidade de um projeto político que, ao longo dos últimos anos, consolidou uma base de apoio robusta e resultados que dialogam diretamente com a população. Alçado ao cargo após a renúncia de João Campos, com quem dividiu uma vitória histórica nas urnas em 2024, Victor chega ao comando da cidade respaldado por uma legitimidade eleitoral expressiva e por uma trajetória técnica dentro da própria gestão. Sua fala de posse não deixa margem para dúvidas: o objetivo é manter o ritmo acelerado de entregas e aprofundar políticas públicas já em curso.
Ao enfatizar a continuidade, Victor Marques também sinaliza estabilidade — um ativo valioso em tempos de incerteza política e econômica. Ao longo de seu discurso, o novo prefeito fez questão de resgatar marcos da gestão iniciada em 2021, sobretudo na ampliação de vagas em creches e nos investimentos em infraestrutura urbana. Esses dois eixos, aliás, ajudam a explicar parte significativa da aprovação popular do ciclo político que agora se renova. Ao triplicar a oferta de creches e liderar nacionalmente a geração de novas vagas, a gestão municipal atacou uma demanda histórica das famílias recifenses, especialmente nas áreas mais vulneráveis.
Outro ponto de destaque é o volume de investimentos em obras de contenção de encostas e redução de riscos, tema sensível em uma cidade marcada por tragédias recorrentes em períodos de chuva. Ao afirmar que o Recife se tornou a capital que mais investe em obras de morro no país, Victor não apenas reforça um dado de gestão, mas também toca em um aspecto crucial da política urbana: a proteção da vida. A menção a mais de 120 mil pessoas beneficiadas por essas intervenções revela o alcance social dessas ações e evidencia uma estratégia que alia infraestrutura a políticas de prevenção.
Se o discurso aponta para continuidade, o horizonte político exige mais do que repetição. Victor Marques assume com o desafio de imprimir sua própria marca, sem romper com o legado que o conduziu ao cargo. As entregas previstas — como urbanizações em áreas populares, novos reservatórios para contenção de alagamentos e expansão de equipamentos públicos — serão o primeiro teste dessa equação. Ao afirmar que “tem time, tem projetos e tem recursos garantidos”, o prefeito aposta na capacidade de execução como principal ativo político. Resta saber se, além da eficiência técnica, conseguirá construir também uma identidade política própria, capaz de sustentar o projeto no médio e longo prazo.
Novo líder – O deputado federal Waldemar Oliveira assumiu a liderança do Avante na Câmara dos Deputados do Brasil, ampliando seu protagonismo nas articulações políticas e nas votações da Casa. Em primeiro mandato, o parlamentar já acumulava posições estratégicas, como a vice-liderança do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, e agora consolida seu espaço como uma das principais vozes da legenda em Brasília. Com perfil conciliador e bom trânsito entre diferentes forças políticas, Waldemar chega ao posto em um momento chave para o fortalecimento do Avante, sinalizando a aposta do partido em uma liderança com capacidade de diálogo e construção de consensos no Congresso Nacional.
Maurício Rands – A possível candidatura de Maurício Rands à Câmara dos Deputados volta ao debate como uma alternativa qualificada para reforçar a representação de Pernambuco em Brasília, reunindo experiência, formação sólida e capacidade de articulação. Nos bastidores, sua movimentação ocorre em sintonia com o grupo do deputado Túlio Gadêlha, ampliando seu potencial competitivo e o colocando como um nome consistente no cenário eleitoral.
No PT – O ex-secretário nacional de Inclusão Socioprodutiva e ex-deputado federal Milton Coelho deixou o Partido Socialista Brasileiro após 32 anos e se filiou ao Partido dos Trabalhadores, por onde pretende disputar vaga na Câmara. A decisão, comunicada a João Campos, ocorre no contexto das articulações para 2026 e reforça o movimento do PT de atrair quadros experientes no estado.
Lulômetro – O mais recente levantamento do “Lulômetro”, em parceria entre a Real Time Big Data e O Antagonista, aponta o momento mais crítico de avaliação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva desde o início da série, com 48% de ruim/péssimo, refletindo o impacto de fatores como endividamento das famílias, perda de poder de compra, desgaste político e queda de apoio em segmentos estratégicos, como o eleitorado evangélico.
Inocente quer saber – Com desaprovação elevada, seria mais prudente a decisão de Lula desistir de tentar o quarto mandato?



