Blog Edmar Lyra

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Postado por Edmar Lyra às 0:00 am do dia 23 de fevereiro de 2026

Coluna desta segunda-feira

Foto: Reprodução Instagram

O prestígio de João Campos

O casamento do prefeito do Recife, João Campos, com a deputada federal Tábata Amaral, realizado na charmosa Praia dos Carneiros, foi menos um evento social e mais um ato político de alto simbolismo. A lista de convidados traduziu isso com clareza. Entre os presentes estavam o presidente em exercício Geraldo Alckmin, o presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que acabou sendo a grande celebridade da noite, cercado por pedidos de fotos e conversas reservadas. Em Pernambuco, onde cada gesto carrega múltiplas leituras, a cerimônia extrapolou o campo pessoal: tornou-se uma vitrine de força, conexões e trânsito institucional.

Não é trivial reunir, em um mesmo ambiente, o chefe do Executivo em exercício, o presidente da Câmara e um dos ministros mais influentes do STF. A fotografia do evento é, por si só, uma mensagem. João Campos mostrou que construiu pontes em Brasília e que dialoga com diferentes centros de poder. Em um momento de rearranjos nacionais e incertezas estaduais, essa demonstração pública de capital político funciona como credencial. Mais do que celebrar uma união, o prefeito exibiu musculatura institucional. Para quem está prestes a dar um salto mais alto, o recado foi direto: há lastro político para sustentar o próximo movimento.

E o próximo movimento é claro. João Campos deve renunciar à Prefeitura do Recife para disputar o Governo de Pernambuco em 2026. O gesto carrega peso histórico. Em 2006, Eduardo Campos venceu a eleição estadual e iniciou um ciclo político que redefiniu o protagonismo pernambucano no cenário nacional. Vinte anos depois, o filho tenta repetir o feito e chegar ao Palácio do Campo das Princesas. A comparação é inevitável — e estratégica. Se Eduardo representou, à época, renovação e capacidade administrativa aliadas a articulação política nacional, João tenta se apresentar como continuidade modernizada desse projeto, com discurso urbano, agenda de inovação e forte presença digital.

A disputa, no entanto, não será apenas simbólica. Pernambuco vive um ambiente polarizado, com forças competitivas consolidadas e eleitorado exigente. Ao transformar o próprio casamento em palco de articulação política, João Campos sinaliza que compreende a dimensão do desafio. Não se trata apenas de herdar um sobrenome ou capitalizar a memória afetiva de 2006, mas de construir maioria em um cenário mais fragmentado e complexo. A cerimônia na Praia dos Carneiros pode ter sido celebrada ao pôr do sol, mas o que se desenha é uma campanha que promete ser travada sob os holofotes mais intensos da política estadual. Vinte anos depois, a história oferece a João a chance de reeditar um capítulo decisivo — mas, como toda eleição, o veredito caberá às urnas.

DataTrends – Grande sensação das eleições de 2024 em Pernambuco com 94% de acerto, o DataTrends Pesquisas realizará sua primeira pesquisa sobre a disputa estadual. Além do cenário para governador, serão aferidos os quadros para senador e presidente. As entrevistas começam nesta segunda-feira e terminam na terça-feira, a divulgação será à meia-noite da quinta-feira e promete agitar o cenário político pós-carnaval.

Alerta – Pesquisas diárias realizadas para o mercado financeiro e que circularam entre lideranças do PT e integrantes do governo acenderam o alerta no entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o Carnaval. Segundo a colunista Mônica Bérgamo, da Folha de S.Paulo, por dois dias o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apareceu numericamente à frente de Lula em simulações de segundo turno. No mesmo período, a rejeição ao presidente superou a aprovação em mais de quatro pontos, ampliando a preocupação entre aliados.

Alívio – Passada a folia, porém, os números teriam voltado a um patamar menos adverso, com recuo da desaprovação — movimento semelhante ao do principal adversário do petista no cenário pré-eleitoral. Interlocutores próximos a Lula avaliam que não houve consolidação de um novo patamar mais elevado de rejeição, mas reconhecem que o governo ainda precisa reverter o quadro observado desde dezembro, quando pesquisas passaram a mostrar predominância de avaliação negativa, após empate técnico registrado pelo Datafolha (49% de desaprovação e 48% de aprovação).

Avaliação – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ser grato à escola de samba Acadêmicos de Niterói pela homenagem no enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, apresentado na Marquês de Sapucaí, mas evitou comentar o conteúdo do desfile, que acabou rebaixado para a Série Ouro do carnaval do Rio. Em entrevista a jornalistas em Nova Délhi, na Índia, Lula foi questionado sobre críticas de evangélicos à ala “Neoconservadores em conserva”, que trazia famílias retratadas em latas com referências religiosas, e respondeu que não cabia a ele opinar: “Eu não penso. Porque primeiro eu não sou o carnavalesco, eu não fiz o samba-enredo, eu não cuidei dos carros alegóricos. Eu apenas sou homenageado em uma música maravilhosa”, declarou.

Inocente quer saber – Como virá a primeira pesquisa pós-carnaval para governador?

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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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