
Por Terezinha Nunes
Na próxima terça-feira, dia 03 de março, começa, oficialmente, o calendário eleitoral deste ano com o início da janela partidária, período que vai até o dia 03 de abril e no qual os pré-candidatos a cargos proporcionais que estão no exercício do mandato, poderão mudar de legenda sem sofrer punições. Na Assembleia Legislativa, desde o início do ano, todos os 49 deputados fazem contas e análises estratégicas para definir se vão permanecer a legenda atual ou migrar para outro partido ou Federação (união de partidos) para terem mais condições de disputar a reeleição.
Nesse período se discute mais no Legislativo os mandatos proporcionais do que os majoritários, embora a eleição deste ano prometa ser acirrada em torno da conquista do governo do estado tendo como principais nomes a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito João Campos (PSB). “Tem deputado que está com o nome na lista de, pelo menos, três legendas”- conta um deputado veterano referindo-se a alguns casos de parlamentares que estão exercendo o primeiro mandato ou que se sentem inseguros na legenda atual pela alta concorrência de nomes tarimbados.
Quem mais ganha e quem mais perde
Mas como está chegando a hora H – os deputados Dani Portela, do PSOL, que vai para o PT e Renato Antunes, do PL, que vai para o Novo, serão dos primeiros a trocar de camisa – já é possível fazer uma previsão de como vai ficar a correlação de forças partidárias no legislativo a partir do dia 03 de abril.
Todos os deputados concordam que o PP, do deputado federal Eduardo da Fonte, terá três novos deputados ( dois deles do PSB) e será o partido de maior representação legislativa, desbancando o PSB que elegeu 14 deputados em 2022 e vai ficar com uma bancada de no máximo 9 deputados podendo baixar para 7 se Diogo Moraes permanecer no PSDB e Waldemar Borges migrar, como está previsto, para o PCdoB.
Já o PSD, da governadora Raquel Lyra, terá entre 6 a 8 deputados. Outro partido novo na Alepe que é da base da governadora, o Podemos, terá entre 4 a 6 deputados. O PT ficará com 4 parlamentares, o PV com os 3 que tem e o PCdoB com 1 a 2 a depender de Waldemar Borges. O PSDB, do presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto, ainda é uma incógnita. No momento tem o próprio Álvaro e Diogo Moraes, que pode voltar ao PSB mas estuda uma aliança com o PRD que daria ao grupo mais um parlamentar, o ex-prefeito de Paulista, Junior Matuto. Também pode ganhar o deputado Mário Ricardo, que está deixando o Republicanos.
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Republicanos desaparece
O União Brasil, do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, só ficará com um deputado dos quatro que elegeu em 2022, por sinal o irmão de Miguel, Antonio Coelho. O PSOL vai perder a única vaga que tinha com a ida de Dani Portela para o PT e o Partido Novo, até agora sem representação parlamentar, contará com o deputado Renato Antunes que vai deixar o PL. Aliás o PL começou a atual legislatura com 5 deputados e vai ficar com apenas três: Alberto Feitosa, Abimael Santos e Nino de Enoque.
Já o partido Republicanos, do ministro Sílvio Costa Filho, está para perder os dois deputados que tem: Mário Ricardo e William Brígido. O primeiro que sempre fez parte da base da governadora negocia filiação ao PSD e Mário está no bloco do deputado Álvaro Porto que pode permanecer no PSDB, acoplando os pré-candidatos do PRD
Como fica a governadora?
Alguns deputados vão esperar por uma definição mais para a frente. Entre eles está Jarbas Filho, do MDB. Como a legenda enfrenta uma batalha judicial que pode inviabilizar a formação de chapas proporcionais ele vem sendo cobiçado pelo PSD e PV mas tem dito que vai esperar o MDB. Outro é Joel da Harpa que já conversou com vários partidos e o mais provável, pelo que este blog apurou, é que saia do PL e se filie ao Podemos. Edson Vieira, do União Brasil, já posou até para fotos com a futura bancada do Podemos mas ainda não bateu o martelo.
Nesse emaranhado de trocas, como ficará a governadora Raquel Lyra na Alepe após 3 de abril? Embora seu partido, o PSD, não vá ter o crescimento que o Palácio desejava isso se deve, segundo um dos assessores da Casa Civil, ao fato de o Governo ter respeitado as legendas antigas ou novas que lhe são fiéis como o PP e o Podemos que tiveram carta branca para se movimentar e vão continuar dando sustentação ao Executivo no plenário onde a governadora tem maioria.
O Palácio pretende continuar também com um bom relacionamento com a federação PT/PV/PCdoB. No momento os deputados do PT continuam dispostos a não criar problema para ela na Alepe, o PV, comandando pelo deputado federal Clodoaldo Magalhães também vai se manter fiel e só há duvida sobre o PCdoB sobretudo se ganhar o deputado Waldemar Borges que faz oposição à governadora na Assembleia. Mesmo assim no colegiado como um todo os governistas são maioria.
Embora ainda possam ocorrer alterações mostramos abaixo as prováveis composições dos vários partidos na Alepe após a janela partidária.
- PP – Antonio Moraes, Kaio Maniçoba, Adalto Santos, Cleiton Collins, Henrique Filho, Pastor Junior Tércio, Claudiano Martins, Jefferson Timóteo, Romero Sales (vai sair do União Brasil) e France Hacker e Dannilo Godoy (estão deixando o PSB).
- PSD – Débora Almeida e Izaías Regis (estão deixando o PSDB), Socorro Pimentel ( vai deixar o União Brasil), Joãozinho Tenório (vai sair do PRD), Aglailson Victor (está deixando o PSB), William Brígido ( está saindo do Republicanos), Jarbas Filho ( ainda aguarda definição do MDB e também recebeu convite do PV ) e Jefferson Timóteo (deve deixar o PP).
- PSB – Gleide Ângelo, Eriberto Filho, Francismar Pontes, Simone Santana, Romero Albuquerque (está deixando o União Brasil), Sileno Guedes, Rodrigo Farias. Pendentes os deputados Diogo Moraes (está no PSDB) e Waldemar Borges (está no MDB mas pode ir para o PCdoB).
- Podemos – Gustavo Gouveia, Luciano Duque, Wanderson Florêncio e Fabrizio Ferraz. Edson Vieira e Joel da Harpa estão pendentes.
- PT – João Paulo Silva, Doriel Barros, Dani Portela e Rosa Amorim
- PV – João de Nadegi, Joaquim Lira e Gilmar Junior. Jarbas Filho está pendente
- PCdoB – João Paulo Costa. Waldemar Borges está pendente.
- PSDB – Álvaro Porto, Diogo Moraes (pendente) e Mário Ricardo
- PL – Alberto Feitosa, Abimael Santos e Nino de Enoque. Joel da Harpa (pendente)
- PRD – Junior Matuto (ex-PSB)
- União Brasil – Antonio Coelho. Edson Vieira (pendente)
- Partido Novo – Renato Antunes



