
Além do corte de gênero, segundo a parlamentar, o atual modelo atinge majoritariamente aos trabalhadores com menor escolaridade e salários mais baixos.
A vereadora do Recife e líder do PT na Câmara Municipal, Liana Cirne, criticou a escala de trabalho 6 por 1 durante entrevista ao Brasil 247, afirmando que o modelo aprofunda desigualdades sociais e atinge de forma ainda mais dura as mulheres trabalhadoras.
Segundo a parlamentar, a escala 6×1 é imposta majoritariamente aos trabalhadores mais precarizados, com menor escolaridade e salários mais baixos, mas carrega também um forte recorte de gênero. “A mulher é quem, em geral, assume a maior parte das tarefas domésticas e do cuidado. No único dia de descanso, ela não consegue, de fato, descansar”, destacou.
Liana defende a redução da jornada para a escala 5 por 2, como forma de garantir mais qualidade de vida à classe trabalhadora. “É fundamental que as pessoas tenham tempo não só para os afazeres domésticos e a organização da vida pessoal, mas também para descansar de verdade, ter acesso ao lazer, à cultura e ao convívio social”, afirmou.
A vereadora também citou estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que aponta que o fim da escala 6×1 pode gerar impactos positivos na economia.
“O estudo do Ipea mostra que reduzir a jornada para 40 horas coloca os trabalhadores de menores salários em pé de igualdade na quantidade de horas trabalhadas e aumenta o valor da hora de trabalho, ajudando a aproximar suas condições das de quem hoje tem empregos mais protegidos”, finaliza.



