
O presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Pernambuco, deputado Joel da Harpa, criticou duramente a punição aplicada a um policial militar por uso de barba e bigode, caso que gerou ampla repercussão nos últimos dias. Para o parlamentar, a decisão é retrógrada e não condiz com a realidade atual da sociedade e das forças de segurança.
Joel acredita que é preciso conciliar disciplina com modernização e respeito aos profissionais. “A Polícia Militar precisa evoluir junto com a sociedade. Manter punições por aparência é insistir em um modelo que já não faz sentido. Isso é um pensamento atrasado. Não vivemos mais em tempos de guerra, nem em um modelo militar ultrapassado que ignora a dignidade e a individualidade do profissional”, afirma.
Diante da repercussão do caso, o deputado anunciou que irá apresentar um projeto de lei propondo mudanças no regulamento interno da Polícia Militar, tanto para homens quanto para mulheres. Entre as principais alterações, Joel da Harpa propõe que as mulheres da PM não sejam mais obrigadas a manter os cabelos presos, podendo utilizá-los soltos, desde que de forma adequada ao serviço.
Já para os homens, o projeto prevê a liberação do uso de barba rala, bigode mais cheio e cavanhaque, desde que mantidos com asseio. “Estou apresentando mudanças importantes. Se aprovado, as mulheres não serão mais obrigadas a usar o cabelo preso o tempo todo, e os homens poderão usar cavanhaque, barba rala e bigode mais cheio. Não existe motivo razoável para proibir isso”, destacou.
O parlamentar lembra que outros estados já avançaram nesse debate. Na Bahia, por exemplo, houve atualização do regulamento da Polícia Militar, especialmente em relação às mulheres, permitindo o uso de tranças, tiaras e outros estilos de cabelo. Já a Polícia Penal de São Paulo possui um regulamento específico que autoriza o uso de barba pelos servidores.
O deputado reconhece que a Polícia Militar segue regras rígidas de padronização e disciplina, herdadas da tradição militar, mas defende que esses critérios precisam ser atualizados. Entre os argumentos usados historicamente para a proibição da barba estão a padronização visual, a facilidade de identificação, questões operacionais (como o uso de máscaras e equipamentos) e a tradição das Forças Armadas.
No entanto, o deputado rebate essas justificativas. “Não há qualquer comprovação de que uma barba rala ou um bigode mais cheio comprometam a identificação ou a segurança. Da mesma forma, permitir que mulheres usem o cabelo solto não afeta a disciplina nem a operacionalidade”, afirmou.



