
Miguel Coelho consolida aliança com João Campos
O encontro entre Miguel Coelho e João Campos teve um efeito político imediato: encerrou, de forma definitiva, as especulações que vinham sendo alimentadas nos bastidores sobre uma eventual aproximação do ex-prefeito de Petrolina com a governadora Raquel Lyra para a disputa de 2026. A leitura feita por lideranças partidárias e observadores atentos do cenário pernambucano é clara: Miguel já fez sua escolha e ela passa pela manutenção de sua posição dentro do projeto encabeçado pelo prefeito do Recife. O gesto público, ainda que discreto, funcionou como uma sinalização objetiva de alinhamento e estratégia, afastando qualquer dúvida sobre um eventual redesenho de alianças no curto prazo.
É fato que Miguel conversou com Raquel Lyra em dezembro e que, naquela ocasião, houve uma tentativa concreta de atraí-lo para sua órbita política. A oferta de duas vagas ao Senado para a federação que comporia sua chapa foi interpretada como um movimento ousado da governadora, numa tentativa de ampliar seu arco de alianças e neutralizar um ator político relevante do Sertão. No entanto, a proposta não foi suficiente para convencer Miguel de que valeria a pena abandonar o caminho que vem sendo construído ao lado de João Campos. Para ele, o cálculo não se resume a cargos ou promessas eleitorais, mas à coerência e à viabilidade de um projeto político de longo prazo.
Outro fator determinante pesou na decisão: a opção de Raquel Lyra por não integrar Miguel Coelho ao seu secretariado. Na política, a ausência de espaço institucional costuma ser interpretada como um sinal claro de limites na relação. Para Miguel, a falta de protagonismo dentro do governo estadual reduziu o apelo de uma eventual aliança, sobretudo quando comparada ao espaço político que encontra no campo liderado por João Campos. O ex-prefeito entendeu que, mais do que uma composição eleitoral, estava em jogo a capacidade de seu grupo influenciar decisões e participar efetivamente da construção de um projeto estadual.
Ao optar por permanecer com João Campos, Miguel Coelho sinaliza que aposta em uma aliança que considera mais orgânica, politicamente promissora e com maior capacidade de crescimento. Trata-se de uma decisão que fortalece o campo oposicionista ao governo estadual e consolida João como polo de atração para lideranças que buscam protagonismo e perspectiva futura. Mais do que refutar rumores, o movimento de Miguel organiza o tabuleiro, antecipa cenários e deixa claro que, na corrida pelo Governo de Pernambuco, as escolhas já começaram a ser feitas — e algumas portas, definitivamente, foram fechadas.
Caminho livre – Com a decisão de Miguel Coelho de seguir na Frente Popular com o projeto de João Campos, tudo leva a crer que a governadora Raquel Lyra afunilou suas opções para Eduardo da Fonte e Fernando Dueire para as duas vagas ao Senado. Fernando poderá, inclusive, integrar a federação União Progressista para ser indicado para o Senado na chapa da governadora, caso não consiga ter a indicação do MDB.
Tomando forma – Com a permanência de Miguel Coelho na Frente Popular, o desenho da chapa majoritária de João Campos começa a tomar forma. Tendo Humberto Costa como vaga cativa no Senado, o vice e o segundo senador deverá ficar entre o ministro Silvio Costa Filho e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho. Caso nenhum dos dois queira ficar com a vice, ganha força o nome de Álvaro Porto.
Técnico – O prefeito João Campos tem a dor de cabeça que todo técnico de um bom time tem. Ele tem duas vagas para três nomes. Todos legitimados para sonhar com a majoritária: Álvaro Porto, Miguel Coelho e Silvio Costa Filho.
Federal – Apesar de ainda nutrir o desejo de ser candidata ao Senado, Marília Arraes já é dada como certa na disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados por integrantes da Frente Popular. A única dúvida é se ela tentará o mandato pelo Solidariedade ou se voltará ao PSB de João Campos após uma década filiada a outros partidos.
Inocente quer saber – João Campos oficializou Miguel Coelho como seu senador durante encontro entre os dois?


