Coluna desta quinta-feira

Foto: Divulgação

Gilson Machado troca o PL após desgaste com Anderson Ferreira

A saída de Gilson Machado Neto do Partido Liberal está longe de ser um movimento isolado ou repentino. Ela é o desfecho de uma relação política marcada por ruídos, disputas internas e convivência difícil com a direção estadual da legenda. Nos bastidores, a relação entre Gilson e o presidente estadual do PL, Anderson Ferreira, sempre foi descrita como conturbada — e, ao longo do tempo, tornou-se insustentável.

Ex-ministro do Turismo e um dos quadros mais identificados com o bolsonarismo em Pernambuco, Gilson deixa o PL alegando falta de legenda para disputar o Senado. A justificativa é formal, mas o pano de fundo é político. Desde o pós-2022, havia um desalinhamento claro entre o projeto pessoal de Gilson e a estratégia conduzida por Anderson Ferreira no comando do partido. A disputa por espaço, protagonismo e definição de candidaturas majoritárias foi se acumulando até culminar na decisão de saída.

A carta divulgada por Gilson tem tom calculado. Não há ataque direto ao PL nem à sua direção estadual, mas há uma linha explícita separando o bolsonarismo nacional da condução local do partido. Ao afirmar que segue sendo o nome defendido por Jair Bolsonaro para o Senado, mas não o escolhido pela direção estadual, Gilson expõe a fissura interna sem precisar nominá-la. Ainda assim, nos bastidores, é consenso que a convivência difícil com Anderson Ferreira foi determinante para o rompimento.

Gilson faz questão de preservar sua identidade política. “Troco de partido, mas não de lado”, escreve, reforçando lealdade a Jair Bolsonaro e a Flávio Bolsonaro. A estratégia é clara: sair do PL sem sair do bolsonarismo, mantendo o capital simbólico e eleitoral construído nos últimos anos. Não por acaso, ele relembra os mais de 1,3 milhão de votos obtidos em 2022 e o segundo lugar repetido em 2024, números usados como credencial para seguir competitivo.

Com a saída consumada, o destino político já começa a se desenhar. Gilson Machado é esperado no Podemos, partido que vê na sua filiação uma oportunidade de ampliar musculatura eleitoral em Pernambuco. Diferentemente do projeto anterior, a tendência agora é que ele dispute uma vaga na Câmara dos Deputados, caminho considerado mais viável dentro da nova correlação de forças partidárias.

O movimento reorganiza o campo conservador no estado e expõe um PL que, apesar de abrigar o bolsonarismo, enfrenta dificuldades para acomodar suas principais lideranças. Gilson deixa o partido, mas leva consigo discurso, base e voto — e entra em 2026 como peça ativa, agora em outro tabuleiro.

DefesaDe posse de dados e documentações oficiais do Detran-PE e de outros órgãos públicos, o deputado Antônio Moraes reagiu nesta terça-feira (21) aos ataques da oposição à governadora Raquel Lyra envolvendo o fechamento da empresa de transportes Logo Caruaruense, afirmando que a empresa não possui dívidas, mantém todos os veículos com CRLV 2025 e opera com uma das frotas mais bem conservadas do setor, sem histórico de processos judiciais. Segundo o parlamentar, o encerramento das atividades após 60 anos decorre da crise no transporte intermunicipal e da concorrência com aplicativos, e não de irregularidades. Moraes classificou as acusações como um “carnaval de mentiras”, acusou a oposição de manipular informações por interesse eleitoral e afirmou que os ataques não conseguirão manchar a biografia da governadora, ressaltando que todos os fatos serão esclarecidos e que a verdade prevalecerá.

ConvocaçãoA Secretaria de Educação do Recife anunciou a convocação de mais de 500 novos profissionais para a Rede Municipal de Ensino, entre professores e Auxiliares de Apoio ao Desenvolvimento Educacional Especial (AADEEs), ampliando o alcance do maior concurso público já realizado pela cidade e reforçando a recomposição do quadro funcional da rede. Segundo o prefeito João Campos (PSB), a nova etapa inclui mais de 300 professores, mais de 150 profissionais da educação inclusiva e cerca de 50 docentes de disciplinas específicas, o que permitirá zerar o cadastro de reserva para professores e elevar para mais de 2.500 o total de docentes convocados na atual gestão — número que supera em mais de 150% as vagas originalmente previstas em edital.

Palanque triploPré-candidato ao governo de Pernambuco pelo PSOL, Ivan Moraes se reuniu com o deputado federal Carlos Veras, presidente estadual do PT, para discutir o cenário político local e o alinhamento em torno da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em meio ao debate sobre a possibilidade de múltiplos palanques no Estado, que também envolveriam o prefeito do Recife, João Campos (PSB), e a governadora Raquel Lyra (PSD). Durante o encontro, Ivan defendeu a consolidação de um campo político de esquerda em Pernambuco e a convergência das forças democráticas em torno de Lula, enquanto Veras destacou que o apoio ao presidente é um ponto comum entre os principais atores da disputa estadual.

Inocente quer saber – Existe mesmo alguma chance de Lula ter múltiplos palanques em Pernambuco?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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