
O intuito deste artigo é relembrar amigos valorosos que fiz no Partido Socialista Brasileiro e que, ao longo do tempo, se foram para o reino celestial — e, infelizmente, não foram poucos. Trata-se, em verdade, de uma homenagem aos mesmos.
Ingressei no PSB em 1993; minha primeira ficha de filiação havia sido abonada por Miguel Arraes† (in memoriam), mas ela se perdeu e precisei de outra, que fora abonada por Edmar Moury Fernandes Sobrinho †, médico obstetra (in memoriam). Minha relação com o PSB, porém, começou um ano antes, na campanha de Eduardo Campos †(in memoriam) para prefeito em 1992, quando pude participar como voluntário de sua campanha.
Não serei preciso na ordem cronológica dos falecimentos, e é possível que um ou outro não seja citado por esquecimento meu. Mas tentarei ser o mais fiel possível à ordem dos fatos e aos nomes dos amigos que, ao longo do tempo, nos deixaram.
Começo lembrando o ano de 1992, na campanha de Eduardo Campos (in memoriam) para prefeito. A campanha foi coordenada por Pedro Eugênio† (i.m.), e tinha Edmar Moury Fernandes† (i.m.) como cocoordenador e candidato a vereador. Eduardo sofreu uma derrota eleitoral, mas, como ele mesmo dizia, teve uma vitória política. Edmar se elege vereador.
Em 1994, na campanha de Miguel Arraes† (i.m.) para o governo, participo como integrante da Militância Jovem, coordenada por Edmar Moury Fernandes Sobrinho †, e coordeno a fiscalização do dia da eleição na 1ª zona eleitoral. Arraes se elege facilmente contra Gustavo Krause e, em janeiro de 1995, toma posse pela terceira vez no governo do Estado de Pernambuco — e eu sou nomeado um dos seus seis oficiais de gabinete.
Indica para chefe da Casa Militar o coronel Sebastião Pereira Lima† (i.m.), que, ao meu lado, cuidou do comitê financeiro do PSB em 2010, 2012 e 2014, sempre com aprovação das contas eleitorais. Ele indica, para ajudantes de ordem do Governador, à época, o capitão Dantas †(i.m.), que seria logo substituído pelo capitão Luís Pinto †(i.m.) e pelo capitão Mário Cavalcanti. O cozinheiro do Palácio era seu Francisco †(i.m.), que sempre preparava um delicioso consomê quando esticávamos o expediente.
Dilton da Conti †(i.m.) foi indicado para presidir a CELPEe anos após foi candidato ao governo pelo PSB; Ariano Suassuna † (i.m.), para a Secretaria de Cultura; Ivan Rodrigues †(i.m.), para chefe-adjunto de Gabinetejuntamente com Adilson Gomes. Os fotógrafos oficiais da Secretaria de Imprensa eram Solano †(i.m.) e Roberto Pereira †(i.m.). Eduardo escolhe Fernando Pugliese †, conhecido como Lupa (i.m.), e Pedro Mendes † (i.m.) para serem seus adjuntos.
No Palácio dos Campos da Princesa, Arraes †recebia frequentemente seu grande amigo Valdir Ximenes † (i.m.), que foi preso junto com ele em 1964 e era o único que o chamava apenas de Miguel. Recentemente, Dona Madalena† (i.m.), viúva de Dr. Arraes, também descansou. O ex-senador Severino SERGIO Estelita GUERRA † (i.m) chamava-o de Dr. Miguel.
Durante esse período, o PSB tentou crescer como partido e organizou setores representativos como Juventude, Mulher, Sindical e Movimentos Sociais. Eu era presidente da JSB – Juventude Socialista do Brasil em Pernambuco; Wilma Lessa †(i.m.), representante das mulheres; Ailton do Vasco da Gama † (i.m.), pelo movimento sindical; e Ninô, representando os movimentos sociais. Viajamos o Estado todo ao lado de Dr. Arraes † montando núcleos de base do PSB.
Em 1998, Arraes †disputa a reeleição e perde para Jarbas Vasconcelos. Sua candidatura era uma derrota anunciada, e o marketing foi realizado por Duda Mendonça † (i.m.). O próprio Duda Mendonça contou, em seu livro “Casos & Coisas”, que advertira Dr. Arraes de que ele não ganharia a eleição, mas o governador lhe disse que iria para o sacrifício eleitoral, pois não havia outro nome. Apesar de, em 1996, a Frente Popular ter elegido mais de 100 (cem) prefeitos, em 1998 menos de 20 (vinte) permaneceram com Dr. Arraes.
Em 2002, com a eleição do presidente Lula, o PSB volta a ter uma sobrevida no Estado, pois indica para o Ministério da Ciência e Tecnologia Roberto Amaral e, logo depois, o próprio Eduardo Campos †. Em 2005, Miguel Arraes †vem a óbito e Eduardo assume a presidência do PSB nacional e o Ministério da Ciência e Tecnologia no lugar de Roberto Amaral.
Vem 2006, e Eduardo, de azarão, se elege governador. Sua campanha contou, dentre outros profissionais de comunicação, com Cláudio Cegonha (i.m.); na coordenação estava Fernando Lyra (i.m.), irmão do seu candidato a vice-governador João Lyra e ex-ministro da Justiça. Começa, então, o que muitos chamam de dinastia do PSB em Pernambuco — ou a dinastia da família Campos.
De lá até os dias atuais, muitos outros “companheiros” do PSB vieram a óbito, alguns muito precocemente, como Camilo Simões † (i.m.); outros, em decorrência de doenças, como Honorato Leitão † , ex-vice-prefeito de São Vicente Ferrer; José Patriota † (i.m.), ex-prefeito de Afogados da Ingazeira e ex-presidente da AMUPE; José Augusto Farias † (i.m.), ex-deputado estadual; Romeu Neves Batista †(i.m.), administrador de Fernando de Noronha, Vicente André Gomes †ex-vereador, Fernando Correia † ex-Conselheiro do Tribunal de Contas indicado por Arraes, Ivan Mauricio † (i. m), jornalista; e outros por acidente, como Robertinho de Floresta † (i.m.), dono do Empório Sertanejo, ponto de encontro dos socialistas pernambucanos, e o advogado Eduardo Leocádio † , que fez parte da JSB comigo.
Não foram poucos, mas muitos amigos, como Carlos Percol † (i.m.) e Pedrinho Valadares † (i.m.), que morreram no acidente aéreo que ceifou a vida de Eduardo. Meu querido amigo Paulo Pintado † (i.m.), que foi motorista de Arraes, passando por Eduardo* e depois dedicado a Renata e ajudando com seu filho caçula Miguel.
Com a precoce perda de Eduardo, o PSB passou por diversos conflitos, sobretudo quanto à liderança no Estado. Antônio Figueira † (i.m.) foi um dos que tentaram intermediar ou harmonizar a relação entre Geraldo Júlio e Paulo Câmara.
Mas o pior é o que o PSB faz com quem não mais se pode tirar algum proveito. São os “mortos-vivos”, ou renegados. Pessoas que outrora dedicaram suas vidas e seus próprios nomes ao partido e hoje são tratadas como leprosos. Cito apenas, por exemplo, uma das pessoas mais prejudicadas por cumprir missão partidária: meu amigo Gilberto Rodrigues, do Sertão do Pajeú. A lista dos mortos-vivos ultrapassa, com certeza, a lista com os nomes que aqui citei in memoriam.
Desfiliei-me do partido em 2016. Deixei de ser um militante que advogava para ser um advogado militante, tendo hoje clientes que vão do PT ao PL — apenas para citar os dois que mais antagonizam a cena política brasileira. Todavia, sou grato pelo tempo em que acreditava que o PSB era diferente das demais agremiações partidárias, e guardo com muito carinho todas essas pessoas com quem tive muito aprendizado e amizade.
O uso do ou (i.m.) significa in memoriam, expressão em latim que significa “em memória” ou “em lembrança de”, utilizada para homenagear alguém falecido.
Bruno Brennand – Advogado, ex-filiado ao PSB, tendo sido Tesoureiro da Executiva Estadual por quase dez anos.



