Ponte Giratória: O mau exemplo

Foto: Divulgação

A icônica Ponte Giratória, batizada oficialmente como Ponte 12 de Setembro, é uma das referências visuais e históricas do Centro do Recife, ligando o Bairro de São José ao Bairro do Recife. No entanto, como mostrou reportagem da jornalista Roberta Soares publicada nesta semana pelo JC, o que deveria ser um processo de revitalização transformou-se em um longo e penoso capítulo de descaso e ineficiência na gestão pública, deixando a estrutura fechada por mais de dois anos e meio, desde sua interdição em outubro de 2023.

O principal desacerto apontado pela população e especialistas reside no projeto inicial sofrível e na falta de um diagnóstico estrutural completo antes do início das obras. A prefeitura iniciou a reforma baseada em um cronograma que se mostrou irreal, pois novos e graves problemas patológicos foram descobertos apenas após a remoção do concreto antigo. Isso levou à paralisação das obras originais, à necessidade de novos estudos técnicos aprofundados e a um novo processo licitatório, atrasando a conclusão em anos.

A morosidade na reavaliação e na retomada dos trabalhos gera impactos diretos e negativos na rotina da cidade: o trânsito na área central, já caótico, piorou consideravelmente, e a região do entorno da ponte, que dá acesso ao Recife Antigo, virou ponto de assaltos e insegurança, como denunciam moradores e comerciantes.

Além dos prejuízos à mobilidade e à segurança, há também um dano simbólico e econômico expressivo. A Ponte 12 de Setembro integra o circuito histórico e turístico do Recife, atraindo visitantes interessados em sua arquitetura e na vista privilegiada do porto e do casario antigo. O fechamento prolongado afastou turistas, reduziu o movimento em bares e restaurantes da região e enfraqueceu a vitalidade econômica de um dos cartões-postais mais emblemáticos da cidade, impactando diretamente quem vive do turismo e do comércio local.

A nova previsão de entrega, agora para março de 2026, estende a agonia e o sentimento de frustração da população, que vê a “ponte que não gira” virar símbolo de uma gestão de obras públicas marcada por imprevistos e falta de planejamento robusto. O investimento, que já soma mais de R$ 14 milhões, reflete os aditivos e os custos de um projeto que precisou ser refeito em pleno andamento, evidenciando a falha primária no planejamento e na execução.

A referência histórica do Recife permanece, assim, como uma cicatriz aberta na mobilidade e na imagem da cidade. Que possamos renovar esperanças em reintegrar a velha ponte ao dia a dia da cidade Maurícia.

Fernando Dueire
Senador da República por Pernambuco

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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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