
A disputa entre o Centrão e o governo Lula por cargos vai além do Ministério do Turismo. O grupo também busca controlar a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), atualmente liderada por Marcelo Freixo, ex-deputado e aliado de Lula no Rio de Janeiro.
Por exigência do partido União Brasil, a saída da ministra do Turismo, Daniela Carneiro, está praticamente certa. Lula ainda terá uma conversa com o prefeito de Belfort Roxo, Wagner Carneiro, conhecido como Waguinho, para discutir “compensações” pela dispensa de Daniela, que podem incluir indicações para a Embratur. O União Brasil considera a Embratur como uma extensão do ministério.
O deputado Celso Sabino, aliado do presidente da Câmara, Arthur Lira, é cotado para substituir Daniela no Ministério do Turismo. No entanto, Waguinho critica a campanha de Sabino no grupo de WhatsApp da bancada do União Brasil na Câmara, pedindo apoio para ocupar a cadeira de Daniela. Waguinho questiona se o presidente irá trocar uma mulher lulista e evangélica por um bolsonarista.
Nos bastidores, Arthur Lira tem enfatizado que não indicou Sabino, mas sim pediu ao Palácio do Planalto para resolver a questão da articulação política e obter apoio para formar uma base sólida no Congresso. O PP de Lira almeja o Ministério da Saúde, cujo orçamento é significativo. No entanto, o grupo de Sabino busca mais do que o Ministério do Turismo e, portanto, a disputa agora se concentra na Embratur.
A Embratur, apesar das limitações de recursos, possui muitos cargos. Recentemente, houve um acordo para que o Sesc e o Senac destinem anualmente R$ 100 milhões para a promoção do turismo, após Lula vetar um trecho de Medida Provisória que repassava verba do Sistema S à Embratur.
O governo está considerando oferecer a Embratur para que Waguinho e Daniela, filiados ao Republicanos, possam fazer indicações. No entanto, o União Brasil se opõe a esse cenário e deseja que a Embratur faça parte do seu partido.
Além disso, para obter o apoio de uma ala do Republicanos, as trocas de cadeiras precisarão ser mais amplas. Membros do partido, que possuem ligações com a Igreja Universal do Reino de Deus, têm interesse no Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, atualmente sob Waldez Góes. O presidente do Republicanos afirma que o partido não aceitará cargos no primeiro escalão.
O ex-governador do Amapá, Waldez Góes, foi indicado para o governo por meio do União Brasil, apesar de ser do PDT. O padrinho político de Góes é o senador Davi Alcolumbre, que marcará a sabatina de Cristiano Zanin, advogado indicado para o Supremo Tribunal Federal. Diante dessa situação, o governo busca evitar atritos com Alcolumbre.



