No Fla X Flu de São Lourenço, sociedade sempre perde o jogo

Por Netinho Lapenda

Quem gosta de futebol vai entender bem o que vamos tratar aqui. Um dos confrontos mais tradicionais ocorre quando entram em campo o Flamengo e o Fluminense, o famosíssimo Fla x Flu. Os dois times cariocas atraem verdadeiras multidões quando se enfrentam. Trata-se de um verdadeiro clássico. Ora a torcida de um sai feliz, ora sai a outra. Preferências de cores e times a parte, todos têm uma certeza: é um espetáculo do esporte.

Agora, vem aqui comigo imaginar um cenário. Saindo das quatro linhas do estádio e traçando um paralelo com a política de São Lourenço da Mata, o nosso Fla x Flu, que pode ser comparado ao eterno embate entre dois grupos que se sucedem no poder no município( os Labanca e os Pereira), estamos, convenhamos, bem distantes de algo semelhante com o que ocorre no universo real do futebol.

Ao invés de espetáculo, decepção. Onde se espera demonstrações de austeridade e da boa política, só saem péssimos exemplos. Aqui, diferente do esporte, as jogadas são contra a sociedade, que perde, a cada dia, lance após lance, a oportunidade de viver em um lugar com melhor qualidade de vida, com serviços públicos minimamente adequados, com mais oportunidade para o trabalhador, para os jovens, para as mulheres, para as mães e pais de família.

A política dos clãs, velha e ultrapassada, já deixou muitos feridas na história do Brasil e de Pernambuco. Muita gente, felizmente, conseguiu enterrar essa prática no passado, mas, lamentavelmente, não é o caso de São Lourenço. O município ainda sofre com essa mazela terrível.

São Lourenço, como se sabe, vive, mais uma vez, um momento delicadíssimo. O prefeito foi afastado e as denúncias de corrupção e roubalheira, devidamente investigadas e apuradas pelas autoridades competentes, trazem à tona um cenário deplorável. Afinal, as denúncias procedem, não procedem?

Deixemos, por prudência e responsabilidade, que as autoridades nos tragam a resposta correta e justa, mas, ao mesmo tempo, não é razoável que o cidadão , diretamente afetado pela crise, fique de braços cruzados. É preciso ficar alerta. Acompanhar, fiscalizar e guardar com cuidado na memória as informações que forem surgindo. Isso fará toda a diferença quando chegar a hora da eleição. O voto, não tenha dúvidas, é o seu maior aliado para virar esse jogo.

​O poder, na sua forma mais nefasta, tem atraído políticos antiéticos e cheios de intenções que nada têm a ver com o interesse do povo. Basta apenas um fisgada nele e pronto. Muita gente já esquece compromissos em troca de cargos e de benefício próprio, nem sempre alinhados com o clamor da sociedade. Temos em São Lourenço um exemplo nítido desta movimentação condenável.

O atual prefeito, Gabriel Neto, que assumiu interinamente, projetando-se como um gestor moderno e comprometido com as expectativas da sociedade, já mostrou, em dois meses, que não passa do mais do mesmo. A linha de independência, tão defendida por ele, desapareceu. Grabiel Neto, por razões ainda sombrias, aliou-se de pronto aos Labanca alimentando, de forma nociva, o ciclo vicioso. O que significa isso? Segue o nosso Flax Flu ainda sem vencedores.

Tem jeito? Sim. Evidente que sim. Mas como mudar tudo isso, enfrentar os poderosos? O exercício da cidadania é o grande instrumento de mudança. Você, eu, seu vizinho, seu pai, sua mãe. Todos nós, juntos, podemos inverter a lógica da velha política. Não é possível ficar apenas como espectador esperando uma jogada mágica. Afinal, no Fla x Flu de São Lourenço, não precisa de repeteco nem consultar o juiz.

Os times, desgastados e corroídos por interesses nem sempre republicanos, já deram o que tinham que dar. O placar não deixa a menor dúvida: o jogo tem sempre terminado em 0 x 0 para a sociedade. Chegou a hora de tirar os times de campo. Basta o eficiente cartão vermelho. E ele está nas suas mãos. Pense nisso.

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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