Coluna da Folha desta quarta-feira

Foto: Alexandre Schneider

O papel de Geraldo Alckmin no governo eleito 

No último domingo, os brasileiros escolheram pela terceira vez na democracia Lula para ocupar a presidência da República. A construção do projeto vitorioso de Lula, que pôs fim ao governo Jair Bolsonaro teve forte participação de Geraldo Alckmin, eleito vice-presidente. Alckmin governou São Paulo por quatro ocasiões e disputou a presidência da República por duas vezes, uma contra Lula, outra contra Bolsonaro, sendo derrotado nas duas oportunidades.

Prestes a completar 70 anos de idade, Geraldo Alckmin sempre foi um político conhecido como conciliador e capaz de apresentar soluções nas funções que ocupou. Agora como vice-presidente eleito, Alckmin que também foi vice-governador de Mário Covas e ascendeu ao Palácio dos Bandeirantes, poderá ter uma função estratégica para apaziguar os ânimos, construir pontes e ajudar o presidente Lula a governar o Brasil.

O presidente eleito incumbiu Geraldo Alckmin de ser o coordenador da transição junto ao Palácio do Planalto. Será de Alckmin a função de tomar pé das ações implementadas pelo governo Bolsonaro e consequentemente esquadrinhar o novo governo que se iniciará em janeiro do próximo ano. Aos 77 anos, Lula terá muito mais uma missão de chefe de estado do que necessariamente de governo, cabendo a Geraldo Alckmin, muito provavelmente, uma função informal de primeiro-ministro, responsável pela interlocução do governo com diversos setores.

Na condição de vice-presidente eleito e sob a perspectiva de Lula de não disputar a reeleição, o papel de Alckmin no governo poderá fazer dele mais do que um companheiro de chapa, na verdade ser o grande executor das ações do governo. Esse papel de Alckmin será, indubitavelmente, fundamental para apaziguar as tensões, dialogar com diversos setores da sociedade e garantir a governabilidade necessária para Lula, que tem pela frente um Congresso mais alinhado com a direita e que exigirá um governo mais ao centro do que todas as outras quatro gestões que o PT realizou na presidência da República.

Prestígio – Reeleito com uma expressiva votação, o deputado federal Silvio Costa Filho foi um dos principais parlamentares do Republicanos a declarar voto em Lula e fazer campanha para o presidente eleito. Ele agora terá a incumbência de levar parte significativa da sua bancada, mais alinhada com Bolsonaro, para a base de sustentação de Lula. Neste segundo mandato, Silvio Costa Filho deverá ter ainda maior destaque em Brasília como aliado do Palácio do Planalto.

Relação – A governadora eleita de Pernambuco, Raquel Lyra, não encontrará obstáculos com a bancada pernambucana no Senado Federal. A tucana recebeu o apoio formal do senador Jarbas Vasconcelos (MDB), enquanto os senadores Humberto Costa e Teresa Leitão, ambos do PT, sinalizaram que farão um mandato de cooperação com o novo governo.

Base – Já na Assembleia Legislativa de Pernambuco, contas preliminares dos próprios parlamentares apontam para uma base de sustentação segura de trinta deputados para o governo Raquel Lyra. São esperados na oposição pouco mais de dez parlamentares por questões ideológicas e partidárias.

Inocente quer saber – Pernambuco conseguirá emplacar quantos ministros no governo Lula?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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