A estratégia de setores da direita pernambucana de direcionar o segundo voto para Carlos Sant’Anna (Novo) pode ter como efeito indireto beneficiar Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT) na disputa pelas duas vagas de Pernambuco no Senado. O efeito não ocorre por transferência de votos, mas pela própria matemática da eleição: cada eleitor dispõe de duas escolhas e, quando o segundo voto é destinado a Sant’Anna, ele deixa de ser contabilizado para outro candidato que poderia reduzir a distância para os nomes que aparecem nas primeiras posições.
O Datafolha divulgado em 11 de setembro ajuda a dimensionar essa discussão. Marília aparecia com 18%, Humberto com 16%, Mendonça Filho (PL) com 12%, Eduardo da Fonte (PP) com 10% e Carlos Sant’Anna com 2%. O levantamento ouviu 1.204 eleitores entre 8 e 10 de setembro e teve margem de erro de três pontos percentuais.
O dado específico sobre a segunda escolha reforça o peso dessa discussão. Quando o Datafolha perguntou separadamente pelo segundo voto, Marília registrou 15%, Humberto 13%, Eduardo da Fonte 12%, Mendonça 7% e Sant’Anna 2%. Naquele levantamento, portanto, o candidato do Novo aparecia numericamente distante dos quatro primeiros colocados.
É nesse contexto que a pulverização do segundo voto ganha importância. Quando um eleitor escolhe Sant’Anna como segunda opção, esse voto não vai para Marília ou Humberto, mas também deixa de reforçar uma candidatura que esteja tentando ultrapassá-los. O eventual benefício aos dois é indireto: eles preservam suas próprias votações enquanto seus adversários deixam de receber votos adicionais.
Isso não permite afirmar que cada voto em Sant’Anna automaticamente beneficie Marília e Humberto, porque seria necessário saber para quem seus eleitores votariam caso não o escolhessem. As pesquisas disponíveis não respondem a essa questão.
O dado objetivo é que, numa eleição para duas vagas, a distribuição do segundo voto pode modificar as distâncias entre as candidaturas. Com Sant’Anna registrando 2% no levantamento citado e outros candidatos apresentando percentuais superiores, a concentração ou pulverização desse segundo voto tornou-se uma variável relevante da reta final da disputa pelo Senado em Pernambuco.




