
Nos últimos anos, as relações comerciais entre o Brasil e os países africanos passaram por uma importante etapa de retomada estratégica e busca por diversificação de mercados econômicos. De olho nesse cenário, o Porto do Recife recebeu, nesta quarta-feira (09/09), os embaixadores de Cabo Verde, Costa do Marfim e Senegal, abrindo um canal de diálogo essencial para o fortalecimento do terminal portuário, sobretudo no comércio exterior e no turismo junto às nações da costa ocidental africana.
Recebidos pelo diretor-presidente do Porto do Recife, Wagner Maciel, os embaixadores no Brasil José Pedro Máximo Chantré D’Oliveira (Cabo Verde), Diamouténé Alassane Zié (Costa do Marfim) e Marie Gnama Bassene (Senegal) conheceram a história do terminal portuário, um dos mais antigos em atividade no Brasil, e, após uma apresentação técnica, debateram importantes temas econômicos com amplo potencial comercial.
“Essa visita é muito importante para o Porto do Recife e a economia regional e nacional, tendo em vista as semelhanças que o nosso terminal portuário possui com os portos de Praia, Abdijã e Dacar, respectivamente as capitais de Cabo Verde, Costa do Marfim e Senegal. São países com uma atuação econômica pujante e consistente na costa oeste africana, banhada pelo Oceano Atlântico e próxima à nossa costa, com uma diversidade de produtos consumidos mundialmente”, declarou Wagner Maciel.
Na avaliação do diretor-presidente do Porto do Recife e dos embaixadores, existe um leque variado de oportunidades comerciais, tanto no escoamento de cargas diversas entre os portos quanto no turismo de cruzeiros marítimos. Isso se deve, entre fatores distintos, à localização estratégica do terminal portuário recifense e à proximidade com a costa ocidental africana, através do Atlântico. Além disso, ressaltou Wagner Maciel, os investimentos que têm sido feitos atualmente no porto e outros recursos que estão sendo articulados junto aos governos de Pernambuco e Federal, vão potencializar as chances de acordos comerciais.
Outro fator determinante, na avaliação dos próprios embaixadores, é o fato de Cabo Verde, Costa do Marfim e Senegal fazerem parte da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO ou ECOWAS, em inglês), organização de integração regional criada em 1975 para promover a cooperação sócio-econômica e o desenvolvimento comercial na África Ocidental através de um bloco comercial e união aduaneira entre os membros, semelhante ao Mercosul. Neste contexto, a comunidade fomenta a autossuficiência coletiva em setores como transportes, indústria, energia, agricultura e turismo.
“O Brasil, por meio da ApexBrasil e do Governo Federal através do Itamaraty, tem liderado importantes missões empresariais em países do continente africano. Na costa ocidental, esse potencial é muito grande e existem muitas possibilidades de parcerias comerciais, reduzindo a dependência econômica de mercados tradicionais, como os Estados Unidos e a China. Estamos abertos ao diálogo, pois temos um amplo potencial diante das cargas que já movimentamos e das que poderemos operar no Porto do Recife”, frisou Wagner Maciel.
A agenda institucional contou, ainda, com diretores do Porto do Recife e dos cônsules honorários no Recife José Ricardo Galdino (Cabo Verde), Enio Castellar (Senegal) e Giovanna de Melo Pessoa (Costa do Marfim). Ainda hoje, Wagner Maciel e o grupo dos três embaixadores participam do evento “Oportunidades de Negócios entre Pernambuco e a África Ocidental”, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Pernambuco (Sebrae-PE).



