“Matematicamente impossível”, diz assessor de Trump sobre eleição no Brasil

Foto: Divulgação

Jason Miller compartilhou levantamento que aponta vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro na evolução dos votos em 4.371 municípios.

O assessor de comunicação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Jason Miller, questionou o resultado da eleição presidencial brasileira. Em publicação no X, nesta quinta-feira, 29, ele classificou como “matematicamente impossível” a evolução da votação do presidente Lula (PT) em comparação com a do senador Flávio Bolsonaro (PL) entre o primeiro e o segundo turno.

Miller compartilhou uma publicação do usuário Rafa Couto, que afirma, com base em dados atribuídos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que Lula teria recebido mais votos dos candidatos de direita eliminados no primeiro turno do que Flávio em 4.371 municípios brasileiros.

“Isso é matematicamente impossível”, escreveu o assessor de Trump, em inglês, acompanhado de um emoji apontando para a publicação.

O levantamento compara o crescimento da votação dos dois candidatos entre as duas etapas da disputa. A publicação apresenta números de municípios brasileiros e sustenta que Lula teve um aumento de votos superior ao de Flávio em localidades onde os candidatos derrotados no primeiro turno haviam recebido votos.

O que dizem os números

No segundo turno, Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%, segundo a totalização oficial do TSE.

A diferença entre os dois candidatos foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos. Em relação ao primeiro turno, Lula ampliou sua votação em cerca de 10,37 milhões de votos, enquanto Flávio recebeu aproximadamente 3,72 milhões a mais.

A comparação entre os resultados dos dois turnos, porém, não permite identificar individualmente para qual candidato foram os votos dos eleitores que escolheram os concorrentes eliminados na primeira etapa. Os dados municipais mostram a votação agregada, mas não revelam a escolha de cada eleitor, já que o voto é secreto.

A variação também pode envolver eleitores que não compareceram no primeiro turno, mudanças na abstenção e nos votos brancos e nulos. Portanto, o crescimento da votação de um candidato não comprova, por si só, a transferência de votos de um grupo político específico.

Quem é Jason Miller

Miller é um estrategista político americano e aliado próximo de Trump. Foi porta-voz da campanha presidencial republicana de 2016 e conselheiro sênior nas disputas de 2020 e 2024. Em agosto de 2026, voltou à estrutura da Casa Branca como assessor temporário, com atuação ligada à estratégia de comunicação do governo americano.

Ele também mantém relações com a família Bolsonaro. Em 2021, esteve no Brasil a convite do então deputado federal Eduardo Bolsonaro para participar da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC). Desde então, manteve interlocução com integrantes do grupo político.

Em maio deste ano, Miller participou de uma entrevista coletiva de Flávio Bolsonaro e declarou apoio público à candidatura do senador à Presidência. Também fez críticas ao governo Lula e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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