A história recente das eleições em Pernambuco revela um dado importante para quem acompanha a corrida pelo Palácio do Campo das Princesas: desde 1998, o candidato que chegou à reta final de setembro na liderança das pesquisas terminou o primeiro turno na primeira colocação. O levantamento das sete eleições estaduais realizadas entre 1998 e 2022 mostra ainda que, entre os governadores que disputaram a permanência no cargo, chegar ao mês decisivo na frente foi, na maioria das vezes, um forte indicativo de reeleição.
Em 1998, Miguel Arraes buscava a reeleição, mas chegou a setembro atrás de Jarbas Vasconcelos. As pesquisas já apontavam uma vantagem expressiva do então candidato do PMDB, que confirmou o favoritismo nas urnas. Jarbas foi eleito no primeiro turno com 64,14% dos votos válidos, enquanto Arraes terminou com 26,38%. Foi a única eleição do período em que um governador eleito para o mandato anterior chegou a setembro atrás nas pesquisas ao tentar a reeleição.
Quatro anos depois, a situação se inverteu. Em 2002, Jarbas Vasconcelos era o governador e buscava um novo mandato. Em setembro, aparecia com mais de 60% das intenções de voto e ampla vantagem sobre Humberto Costa. Nas urnas, confirmou o cenário e foi reeleito no primeiro turno com 60,41% dos votos válidos.
A eleição de 2006 apresentou a principal exceção da série. Mendonça Filho, que havia assumido o governo após a renúncia de Jarbas para disputar o Senado, liderava as pesquisas no final de setembro. Um levantamento do Ibope apontava Mendonça com 35%, Eduardo Campos com 27% e Humberto Costa com 22%. O então governador confirmou a primeira colocação no primeiro turno, com 39,32%, contra 33,81% de Eduardo. No segundo turno, porém, o cenário foi completamente revertido: Eduardo Campos venceu com 65,36% dos votos válidos, contra 34,64% de Mendonça.
Em 2010, Eduardo Campos protagonizou o cenário mais confortável para um governador candidato à reeleição. Já no início de setembro, pesquisas chegaram a apontá-lo acima dos 70% das intenções de voto contra Jarbas Vasconcelos. A vantagem cresceu nas urnas: Eduardo foi reeleito no primeiro turno com expressivos 82,83% dos votos válidos.
A disputa de 2014 demonstrou, por sua vez, como o cenário eleitoral pode mudar antes da chegada da reta final. Armando Monteiro começou a campanha com larga vantagem e chegou a registrar 47%, contra apenas 13% de Paulo Câmara. Após a morte de Eduardo Campos, em agosto, a eleição mudou completamente. Paulo empatou com Armando no início de setembro, assumiu a liderança durante o mês e chegou aos últimos dias da campanha na frente. Nas urnas, venceu com 68,08% dos votos válidos.
Em 2018, Paulo Câmara buscava a reeleição em uma disputa novamente contra Armando Monteiro. O governador chegou a setembro liderando, mas sem a vantagem esmagadora observada com Jarbas em 2002 ou Eduardo em 2010. No final daquele mês, o Datafolha apontava Paulo com 38% e Armando com 30%. O governador cresceu na reta final e conseguiu resolver a eleição já no primeiro turno, alcançando 50,70% dos votos válidos.
Já em 2022, sem candidato à reeleição, Marília Arraes liderou praticamente toda a campanha. Na última semana de setembro, o Ipec apontava Marília com 34%, seguida por Raquel Lyra, com 15%, Miguel Coelho e Danilo Cabral, ambos com 13%, e Anderson Ferreira, com 11%. Marília confirmou a liderança no primeiro turno, com 23,97%, contra 20,58% de Raquel. No segundo turno, entretanto, ocorreu a segunda grande virada da série histórica: Raquel Lyra venceu por 58,70% a 41,30%.
O retrospecto mostra que, entre 1998 e 2022, a liderança no final de setembro foi confirmada no primeiro turno em todas as sete eleições. Entre os governadores em exercício que disputaram o cargo, Miguel Arraes chegou atrás e perdeu em 1998; Jarbas Vasconcelos liderou e venceu em 2002; Mendonça Filho liderou e venceu o primeiro turno em 2006, mas perdeu no segundo; Eduardo Campos liderou e foi reeleito em 2010; e Paulo Câmara chegou a setembro na frente e garantiu a reeleição em 2018.
Os números históricos reforçam, portanto, a importância de setembro para a disputa estadual pernambucana. Se agosto costuma marcar a consolidação das candidaturas, o mês seguinte tem funcionado, nas últimas décadas, como uma fotografia muito mais próxima da realidade das urnas. Desde 1998, ninguém que chegou ao final de setembro atrás conseguiu ultrapassar o líder antes da abertura das urnas do primeiro turno. As únicas grandes reviravoltas, em 2006 e 2022, aconteceram depois, no segundo turno.




