
Paes cai, Douglas cresce e eleição no Rio ganha novo desenho
A disputa pelo Governo do Rio de Janeiro começa a ganhar contornos bem diferentes daqueles projetados há alguns meses. Eduardo Paes continua na liderança e permanece como favorito, mas a trajetória dos números acende um sinal de alerta para sua campanha. Enquanto o candidato do PSD perde terreno sucessivamente, Douglas Ruas, do PL, cresce e se consolida como seu principal adversário. Na pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quarta-feira, Paes aparece com 35% das intenções de voto, contra 21% de Douglas. Garotinho registra 7%, William Siri 5%, Coronel Busnello 4% e André Marinho 3%.
Mais importante do que a fotografia atual é o filme da eleição. Em outubro de 2025, Eduardo Paes aparecia com expressivos 53%. Em março deste ano, recuou para 46%, caiu para 37% em julho e agora registra 35%. Em menos de um ano, portanto, são 18 pontos percentuais perdidos. Douglas Ruas percorreu exatamente o caminho contrário. Tinha 13% em março, avançou para 16% em julho e chegou agora aos 21%. Desde março, enquanto Paes perdeu 11 pontos, Douglas ganhou oito. A distância entre os dois, que chegou a 33 pontos em março, caiu para 14.
Isso não significa que Eduardo Paes tenha deixado de ser favorito. Ele continua liderando com uma vantagem considerável. O problema para sua campanha está na direção da curva. Paes precisa interromper uma sequência de quedas, enquanto Douglas chega à reta decisiva da eleição embalado por um movimento consistente de crescimento. Em campanhas eleitorais, tendência importa tanto quanto fotografia.
O cenário de segundo turno talvez seja o dado mais importante da pesquisa. Num confronto direto, Eduardo Paes aparece com 41%, contra 30% de Douglas Ruas. A diferença cai para 11 pontos. Além disso, 13% afirmam votar branco ou nulo e 16% ainda não sabem ou não responderam. Isso significa que 29% do eleitorado ainda está fora da escolha entre os dois candidatos. É um universo suficientemente grande para modificar o desenho da disputa nas próximas semanas.
A rejeição também merece atenção especial. Eduardo Paes registra 42%, enquanto Douglas Ruas tem 29%. Garotinho, com 61%, possui a maior rejeição entre os nomes testados. Para Paes, os 42% representam um obstáculo importante porque estabelecem um teto potencial para seu crescimento, sobretudo numa disputa de segundo turno. Douglas, por sua vez, combina rejeição menor com um grau de desconhecimento ainda elevado, o que pode representar espaço para expansão.
A votabilidade reforça essa leitura. Entre os entrevistados, 17% afirmam votar com certeza em Eduardo Paes e outros 34% consideram a possibilidade de votar nele. Em contrapartida, 45% dizem conhecê-lo e não votar nele. Douglas possui 10% de voto certo e 32% que considerariam votar em sua candidatura. Ao mesmo tempo, 30% dizem não conhecê-lo suficientemente para opinar. Esse desconhecimento é uma faca de dois gumes: Douglas ainda precisa se apresentar a uma parcela relevante dos fluminenses, mas justamente aí reside uma de suas principais possibilidades de crescimento.
Outro aspecto interessante aparece no recorte por renda. Entre os eleitores que recebem mais de cinco salários mínimos, Paes tem 29% e Douglas chega a 26%, praticamente configurando um empate dentro da margem de erro. Nas camadas de até dois salários mínimos, porém, Paes conserva vantagem expressiva: 38% contra 19%. Se Douglas pretende transformar crescimento em ameaça concreta à liderança, precisará avançar justamente entre os eleitores de menor renda.
O cenário, portanto, não permite decretar uma virada, muito menos retirar de Eduardo Paes a condição de favorito. Mas também já não autoriza tratar a eleição como resolvida. Paes ainda lidera, mas cai. Douglas ainda está atrás, mas cresce. A vantagem de 14 pontos no primeiro turno e de 11 no segundo continua relevante, porém é muito menor do que aquela observada meses atrás.
A campanha entra agora numa fase decisiva. Para Eduardo Paes, a missão é estancar a perda de votos e reduzir uma rejeição que já alcança quatro em cada dez eleitores. Para Douglas Ruas, o desafio é aproveitar sua rejeição menor, aumentar o conhecimento de sua candidatura e transformar a tendência de crescimento numa disputa efetivamente competitiva.
Se as duas curvas continuarem caminhando nas mesmas direções, a pergunta no Rio de Janeiro poderá deixar de ser apenas quem enfrentará Eduardo Paes no segundo turno. Passará a ser até onde Douglas Ruas conseguirá chegar.
Debate do Senado – O g1 Pernambuco realizou nesta quarta-feira (2) o primeiro debate entre os candidatos ao Senado pelo estado nas eleições de 2026, reunindo Eduardo da Fonte (PP), Humberto Costa (PT), Marília Arraes (PDT), Mendonça Filho (PL), Paulo Rubem Santiago (Rede) e Túlio Gadêlha (PSD). Mediado pelo jornalista Márcio Bonfim, o encontro ocorreu no Recife e abordou temas como responsabilidade fiscal, interiorização da saúde, violência contra a mulher e relação entre os Poderes, além de registrar divergências sobre o STF, o impeachment de Dilma Rousseff e os atos de 8 de janeiro. O debate integra uma série promovida pelo g1 com candidatos ao Senado em diferentes estados e no Distrito Federal.
Flávio em Pernambuco – O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, confirmou que estará em Pernambuco no próximo dia 16 para cumprir agenda de campanha no estado. O anúncio foi feito em vídeo ao lado do deputado federal e candidato ao Senado Mendonça Filho (PL), apresentado por Flávio como seu candidato à Casa Alta. Na gravação, o presidenciável afirmou que a visita será uma oportunidade para estar próximo dos pernambucanos e reforçar a campanha de Mendonça, destacando que pretende “abraçar o povo pernambucano” durante a passagem pelo estado.
Quaest presidente – A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (2), mostra Lula (PT) na liderança da disputa presidencial com 37%, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 29%, e Augusto Cury (Avante), com 10%, no cenário sem Pablo Marçal; Renan Santos (Missão) tem 3%, enquanto Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP) aparecem com 1% cada. No segundo turno, a disputa entre Lula e Flávio está em empate técnico, com 42% para o petista e 41% para o candidato do PL, diferença de apenas um ponto. A pesquisa também mostra 45% de aprovação e 48% de desaprovação ao trabalho de Lula. A Quaest ouviu 2.004 eleitores em 120 municípios entre 30 de agosto e 1º de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Comitê – O deputado estadual Antônio Moraes inaugurou, nesta quarta-feira (2), seu comitê de campanha no bairro do Pina, no Recife, reunindo aliados e lideranças políticas em apoio à sua reeleição para a Assembleia Legislativa de Pernambuco. O ato contou com a presença da vice-governadora Priscila Krause, do candidato a deputado federal Daniel Coelho, além de prefeitos e outras lideranças que apoiam Moraes, reforçando a mobilização de sua campanha na capital e no interior do estado.
Inocente quer saber – Eduardo Paes perderá novamente o governo do Rio de Janeiro?


