Datafolha: vantagem de Lula encolhe e eleição de 2026 entra em terreno apertado
A nova pesquisa Datafolha traz uma fotografia significativamente diferente daquela observada no mesmo estágio da eleição presidencial de 2022. Lula continua numericamente na liderança, com 38% das intenções de voto, contra 33% de Flávio Bolsonaro, enquanto Augusto Cury alcança 8%. O dado central, porém, não está apenas nas posições dos candidatos, mas na distância entre os dois primeiros: são cinco pontos percentuais, num levantamento com margem de erro de dois pontos. No segundo turno, a distância é ainda menor: Lula 46% e Flávio Bolsonaro 44%, configurando empate técnico.
O contraste com quatro anos atrás dimensiona a mudança. No início de setembro de 2022, o Datafolha registrava Lula com 45% e Jair Bolsonaro com 32%. A vantagem do petista era de 13 pontos. Na simulação de segundo turno daquele momento, o placar era 53% a 38%, uma diferença de 15 pontos. Agora, considerando o cenário principal sem Pablo Marçal, Lula aparece sete pontos abaixo do percentual que possuía naquele estágio de 2022, enquanto Flávio Bolsonaro tem um ponto a mais do que o pai registrava. Mais importante: a diferença de 13 pontos do primeiro turno foi reduzida para cinco, enquanto os 15 pontos do segundo turno se transformaram em apenas dois.
A fotografia também mudou nas últimas duas semanas. No Datafolha divulgado em 21 de agosto, Lula tinha 39% e Flávio 33%, com segundo turno em 47% a 43%. Agora são 38% a 33% no primeiro e 46% a 44% no segundo. As oscilações individuais são pequenas e precisam ser interpretadas dentro da margem de erro, mas o conjunto mantém uma disputa numericamente estreita.
Há ainda uma novidade relevante: Augusto Cury. O candidato do Avante passou de 2% no Datafolha de agosto para 8% agora, crescimento de seis pontos. Sua presença introduz uma variável adicional numa eleição que, até recentemente, parecia organizada quase exclusivamente em torno de Lula e Flávio. A rejeição também ajuda a explicar a complexidade do quadro: 47% afirmam que não votariam em Flávio Bolsonaro de maneira alguma e 45% dizem o mesmo sobre Lula, enquanto a rejeição a Cury está em 9%.
A comparação com 2022 não permite transportar automaticamente o desfecho daquela eleição para 2026. Pesquisas são fotografias do momento e campanhas podem produzir mudanças até a votação. O que os números permitem afirmar é algo mais objetivo: Lula chega ao início de setembro de 2026 com uma vantagem consideravelmente menor do que possuía no mesmo período de 2022. Naquela eleição, liderava por dois dígitos no primeiro e no segundo turno; agora, conserva cinco pontos no primeiro e aparece tecnicamente empatado no segundo.
O Datafolha, portanto, registra uma eleição presidencial com margens mais estreitas neste momento da campanha. Faltando cerca de um mês para as urnas, a distância que separa os dois principais candidatos é muito menor do que aquela observada há quatro anos — e Cury adiciona uma terceira variável ao tabuleiro presidencial.
DataTrends em Alagoas – Hoje, a partir das 9 horas o DataTrends divulga os números da corrida pelo governo de Alagoas entre Renan Filho e JHC. O levantamento também será divulgado pela TV Gazeta de Alagoas.
Homenagem – O deputado federal Eduardo da Fonte (PP/UP) será homenageado, no próximo dia 16 de setembro, com a Medalha da Ordem do Mérito Pontes de Miranda, a mais alta honraria concedida pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5). A solenidade será realizada às 14h, no Recife. Criada em 1990, a comenda reconhece autoridades e personalidades que prestaram relevantes serviços à Justiça. Eduardo afirmou receber a homenagem com gratidão e senso de responsabilidade.
Crise no STF – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) gravou, nesta quinta-feira (3), um vídeo para se pronunciar sobre a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), após a divulgação de relatório da Polícia Federal que aponta contatos entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A manifestação ocorre em meio ao aumento da pressão política sobre o Supremo e à repercussão das informações reveladas pela investigação.
Inocente quer saber – A reeleição de Lula subiu no telhado?



