Coluna deste sábado

Foto: Divulgação

A disputa do Quinto Constitucional será retomada e terá desfecho em novembro 

O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) marcou para o próximo dia 3 de novembro uma das decisões mais aguardadas do ano no meio jurídico e político do Estado: a escolha da lista tríplice que definirá o novo desembargador ou desembargadora pelo Quinto Constitucional da advocacia. O pleito será o desfecho de uma disputa que extrapolou os limites do Judiciário e envolveu debates sobre autonomia institucional, influência política e o peso das entidades de classe na composição dos tribunais.

A data foi confirmada pelo presidente do TJPE, desembargador Ricardo Paes Barreto, após o Supremo Tribunal Federal (STF) restabelecer a lista sêxtupla original elaborada pela OAB Pernambuco. A decisão, assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, encerrou uma série de questionamentos que vinham travando o processo, com decisões conflitantes do TRF5 e da 12ª Vara Federal. Ao julgar procedente a Reclamação nº 81.568, Moraes reforçou a competência da OAB para conduzir a escolha dos nomes — um gesto visto como reafirmação da independência da advocacia diante de interferências externas.

Com a disputa reaberta, o jogo político recomeçou. Os seis nomes apresentados pela OAB-PE — Adriana Caribé Bezerra Cavalcanti, Carlos Gil Rodrigues Filho, Diana Patrícia Lopes Câmara do Espírito Santo, Ana Paula da Silva Azevedo, Alexandre Soares Bartilotti e Paulo Artur dos Anjos Monteiro da Silva — representam diferentes perfis da advocacia pernambucana. Entre eles, há quem conte com o apoio de grupos tradicionais da Ordem, quem tenha trânsito nos meios acadêmicos e quem dialogue diretamente com o mundo político.

Nos bastidores, sabe-se que a votação no Pleno do TJPE costuma refletir não apenas a trajetória técnica dos candidatos, mas também as articulações que envolvem o universo jurídico e o Executivo estadual. Isso porque, após a definição da lista tríplice, caberá à governadora Raquel Lyra (PSD) fazer a escolha final. E, como em toda indicação pelo Quinto Constitucional, o gesto é político. A escolha de Raquel será lida como sinalização de força — tanto para o meio jurídico quanto para os aliados que orbitam seu governo.

A disputa chega num momento em que o Judiciário pernambucano busca reafirmar estabilidade após meses de questionamentos sobre o processo. A própria OAB-PE, presidida por Ingrid Zanella, sai fortalecida do episódio: manteve a lista original e conseguiu reverter no Supremo uma decisão que poderia abrir precedente perigoso de ingerência na sua autonomia.

O resultado da votação e, posteriormente, a decisão da governadora, terão peso simbólico e institucional. Mais do que preencher uma vaga no TJPE, o processo definirá quem melhor traduz — ou representa — o espírito da advocacia pernambucana diante do poder público. O que está em jogo, portanto, não é apenas um nome, mas o equilíbrio entre a técnica, a política e a independência que o Quinto Constitucional promete preservar, ainda que, na prática, raramente consiga escapar do jogo de forças que o cerca.

Favoritismo – Apesar de a disputa ocorrer apenas no próximo dia três, os nomes considerados favoritos à lista tríplice são: Adriana Caribé, Diana Câmara e Carlos Gil. A grande dúvida seria sobre quem recairia a escolha da governadora Raquel Lyra para o próximo desembargador do TJPE.

Armando Pimentel – O prefeito de Itambé, Armando Pimentel (PV), comemorou a chegada de uma cozinha comunitária para a cidade, dentre outros investimentos. Armando já foi prefeito de Camutanga e tem despontado como uma das mais influentes lideranças da Mata Norte, sendo aliado da governadora Raquel Lyra.

Reconhecimento – Durante a ida da governadora Raquel Lyra a Itambé, o deputado estadual Antonio Moraes (PP), principal liderança da Mata Norte na Alepe, enalteceu o senador Fernando Dueire. “Grave este nome: Fernando Dueire. Uma das melhores figuras da política de Pernambuco”. O nome do senador tem ganhado força para disputar a reeleição na chapa da governadora Raquel Lyra.

VistaO ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista no julgamento que analisa a denúncia por calúnia contra o senador Sergio Moro (União Brasil-PR), apresentada pelo ministro Gilmar Mendes. O caso era apreciado no plenário virtual da Primeira Turma, onde todos os demais ministros já haviam votado pela manutenção de Moro como réu — resultado que, na prática, já está definido, restando apenas a devolução do processo por Fux para a conclusão formal do julgamento.

Inocente quer saber – Teremos alguma supresa na lista tríplice do quinto constitucional?

Compartilhe esse post

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
WhatsApp
Páginas
Quem sou eu
Picture of Edmar Lyra

Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

Conhecer
Redes sociais