Coluna desta quarta-feira

Foto: Nadja Kouchi

Fora da curva 

O ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, provou ser um dos maiores políticos da sua geração, pois soube exercer com maestria a função de chefe do Palácio do Campo das Princesas. Foi graças a Eduardo que tivemos Paulo Câmara, Geraldo Júlio, João Campos e Raquel Lyra como seus sucessores na política, uma vez que todos tiveram atuação direta em seus governos ou tornaram-se herdeiros políticos, a exemplo de João Campos.

Excelente orador e com grande capacidade de convencimento, Eduardo conseguiu marcar história na política pernambucana, e foi graças ao prestígio de Eduardo que João Campos elegeu-se deputado federal com uma expressiva votação em 2018 e em 2020 disputou a prefeitura do Recife sagrando-se vitorioso.

Apesar de ser filho de Eduardo e indiscutivelmente ter sido forjado na política por conta disso, é inegável que as urnas de 2024 trouxeram o sentimento de luz própria de João Campos. De contestado em 2020, foi ovacionado em 2024, e isso se deu por ter realizado uma gestão transformadora e sintonizada com anseios da população. Prova disso foi a sua reeleição com 78% dos votos válidos, repetindo seu pai em 2010 para governador, e tornando-se o prefeito mais votado da história do Recife.

Na última segunda-feira, durante a entrevista ao Roda Viva, é inegável reconhecer que João Campos é como seu pai, fora da curva. Aos 30 anos de idade, demonstrou maturidade para discutir qualquer tema sem titubear, com forte presença de palco e capacidade de convencimento. Eduardo foi um meteoro, que soube mudar para sempre a história política de Pernambuco, o Brasil não teve a oportunidade de conhecê-lo.

Num espaço de poder representativo como de prefeito do Recife, mais jovem do que seu pai quando virou ministro da Ciência e Tecnologia, João Campos tem tudo para protagonizar a política pernambucana pelos próximos vinte anos, e se tiver mais sorte que seu pai, poderá ser um dos grandes atores políticos nacionais. O Brasil demorou a conhecer Eduardo Campos, mas quem sabe terá a oportunidade de conhecer João Campos como uma alternativa madura, serena e que aponte para um futuro fora da polarização que está colocada atualmente? O tempo irá dizer!

Transição – Depois de vencer a eleição para a Prefeitura de Olinda, Mirella Almeida (PSD) iniciou a transição para assumir a gestão a partir de 2025, destacando que sua administração será focada nas pessoas e não nos políticos. “A política precisa parar de ser sobre os políticos e precisa ser sobre as pessoas. É palanque desmontado, é a união e trabalho. Política pública para todos,” afirmou a futura prefeita, que pretende ampliar o número de vagas em creches, pavimentar 400 ruas e criar uma UPA Especialidades (UPA-E).

Tese defendida – Nos corredores da Assembleia Legislativa de Pernambuco, parlamentares têm defendido a manutenção da chapa vitoriosa composta por Álvaro Porto e Gustavo Gouveia na presidência e na primeira-secretaria, respectivamente. Eles alegam que uma mudança vai de encontro à vontade soberana dos pares ocorrida na eleição que foi anulada pelo STF.

Presidente reconhecido – O presidente da Alepe, Álvaro Porto, tornou-se uma unanimidade entre os pares pela forma altiva, correta e cumpridora de acordos que tem desempenhado na função. Esse comportamento faz com que a recondução de Álvaro seja pule de dez por parte dos pares.

Inocente quer saber – Quando João Campos será governador de Pernambuco?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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