Coluna desta quarta-feira

Foto: Yacy Ribeiro

Pernambuco corre contra o tempo

A governadora Raquel Lyra deu mais um passo relevante para imprimir sua marca administrativa em Pernambuco. Ao lado de deputados estaduais, ela sancionou nesta terça-feira (16) a lei que autoriza a contratação de um empréstimo de R$ 1,5 bilhão para obras estruturadoras no Estado. O gesto político vai além da solenidade: simboliza a consolidação de uma base de apoio na Assembleia Legislativa e a tentativa de transformar discurso em entrega concreta, em um momento em que sua gestão busca acelerar resultados.

O crédito autorizado tem destino certo: mobilidade, infraestrutura hídrica, saúde, segurança e educação. O Arco Metropolitano e a duplicação da BR-232, gargalos históricos da malha viária, despontam como prioridades. São projetos de alto impacto que podem redefinir a dinâmica logística e econômica do Estado, mas que também carregam riscos: prazos longos, custos elevados e a natural cobrança política da população. A governadora reconhece esse desafio quando afirma que “Pernambuco tem pressa”. Esse discurso, por sinal, não é apenas retórico — é um recado claro de que o governo está consciente da necessidade de acelerar o ritmo para dar respostas visíveis até 2026.

O ato de ontem também reforça a sintonia com a Assembleia Legislativa. A aprovação expressiva do Projeto de Lei nº 2692/2025 mostrou que a base governista, sob a liderança de Socorro Pimentel, está coesa em torno de uma agenda de investimentos. Na cerimônia, a deputada classificou a medida como “um dia histórico”, traduzindo o tom de otimismo que o Palácio das Princesas busca transmitir. A presença de mais de 20 parlamentares na assinatura foi estratégica: Raquel quis demonstrar apoio político robusto, sinalizando estabilidade institucional. Esse alinhamento é fundamental, sobretudo porque outros projetos de crédito, somando quase R$ 2 bilhões adicionais, ainda tramitam na Alepe e precisarão da mesma articulação.

O ponto central, contudo, é a execução. O governo diz que a operação de crédito só foi possível porque Pernambuco “organizou a casa” e tem capacidade de endividamento. É verdade que os indicadores fiscais permitem contrair novos empréstimos sem comprometer a solvência do Estado. Porém, a avaliação final será feita nas estradas duplicadas, nas escolas equipadas, nos hospitais reestruturados e nas torneiras das comunidades que hoje sofrem com a falta d’água. Raquel Lyra sabe que endividamento sem resultado palpável vira munição política para adversários.

Ao mesmo tempo, a governadora tenta imprimir uma narrativa de modernização da máquina pública. Outros dois projetos em análise — um de R$ 1,7 bilhão e outro de US$ 152 milhões com organismos internacionais — mostram que a estratégia não se limita às obras, mas também busca reforçar a gestão fiscal e administrativa. É um duplo movimento: entregar infraestrutura e modernizar a governança.

Em resumo, o empréstimo de R$ 1,5 bilhão é mais que uma operação financeira: é uma aposta política. Se bem-sucedida, Raquel Lyra pavimenta não apenas estradas, mas também sua trajetória como líder capaz de tirar Pernambuco da inércia. Se fracassar na execução, corre o risco de ser cobrada por promessas não cumpridas. A pressa que a governadora tanto repete é, na verdade, o relógio eleitoral já em contagem regressiva.

Expulsão – O presidente estadual do PL, Anderson Ferreira, anunciou nesta terça-feira (16) a expulsão do vereador recifense Paulo Muniz, após manifestações consideradas ofensivas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher. Em nota, Anderson afirmou que as declarações foram recebidas com “surpresa e indignação” pelo partido e classificou o ataque como “inaceitável e reprovável”. A medida, segundo o dirigente, busca resguardar a unidade da legenda e reafirmar o compromisso com o respeito às suas lideranças.

LiderançaO deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pode assumir a liderança da minoria na Câmara dos Deputados, indicação que depende do líder do PL na Casa, Sóstenes Cavalcante (RJ). Se confirmado, o cargo garantiria ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro prerrogativas regimentais que afastam o risco de perda de mandato por faltas, já que ele reside nos Estados Unidos. A movimentação é vista como estratégica para manter influência da família Bolsonaro no Legislativo, mas críticos apontam que a escolha fragiliza a representatividade parlamentar ao usar funções de liderança como instrumento de proteção política.

Crítica – O líder do PSB na Câmara, Pedro Campos, classificou como “extremamente vergonhoso” para o Parlamento a nomeação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) como líder da minoria, oficializada nesta terça-feira (16) mesmo com o deputado residindo nos Estados Unidos. Para Campos, a indicação é uma estratégia de blindagem contra faltas plenárias e representa afronta à soberania nacional, já que, segundo ele, Eduardo estaria mais voltado a defender interesses estrangeiros do que os do povo brasileiro.

BlindagemA Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (16), em 1º turno, a chamada PEC da Blindagem, que dificulta a prisão e a abertura de processos criminais contra parlamentares. O texto, relatado por Cláudio Cajado (PP-BA), recebeu 354 votos favoráveis e 134 contrários, e prevê que a autorização para prisão ou ações penais contra deputados e senadores dependa de aval do Legislativo em votação secreta e por maioria absoluta, com prazo de 90 dias para análise.

Inocente quer saber – A governadora Raquel Lyra será capaz de executar as obras oriundas dos empréstimos até metade de 2026?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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