Coluna da Folha desta terça-feira

Foto: Ricardo Stuckert

A hora da pacificação do país 

Eleito para o terceiro mandato, sendo o político mais longevo da história do país à frente da presidência numa democracia, Lula chegará em janeiro de 2023, exatamente vinte anos após a sua primeira oportunidade, ao Palácio do Planalto fruto de uma eleição polarizada, a menor diferença da história entre o primeiro e o segundo colocado.

Esta divisão não aconteceu apenas na eleição, veio de um processo que se instaurou nos governos do PT e se agravou nos últimos dez anos, pois desde as manifestações de 2013 que o país experimenta uma elevada temperatura que culminou em impeachment de Dilma Rousseff, atentado contra candidato a presidente, prisão de ex-presidentes e que ficou mais latente no último domingo com uma diferença ínfima entre Lula e Jair Bolsonaro.

Aos 77 anos de idade, Lula mostrou que é a maior liderança política da história do país, enfrentou um adversário extremamente competitivo que cresceu no antipetismo e que se não tivesse o petista como adversário, certamente teria vencido mais uma eleição. Para isso, Lula convergiu para o centro, buscou seu antigo adversário Geraldo Alckmin para a sua vice-presidência e acabou vencendo a eleição, mesmo que por uma diferença ínfima de votos.

O presidente eleito, claramente na sua última missão na política, uma vez que anunciou que não pretende disputar a reeleição, terá a incumbência de buscar uma maior convergência do que seu antecessor em diversos setores da sociedade. Será dando respostas à economia, geração de emprego, distribuição de renda, diálogo com o Congresso Nacional, relação harmônica com o Supremo Tribunal Federal e cordial com a imprensa, que Lula poderá ajudar a pacificar o país.

Político experiente, curtido na adversidade, Lula poderá entregar o país, ao término do seu mandato, numa condição de menor convulsão social e maior diálogo entre as partes envolvidas. Sendo um governo de transição para o diálogo e a convergência, Lula terá cumprido bem a missão que a maioria dos brasileiros lhe conferiu no último domingo.

Ciência e Tecnologia – A especulação nacional quanto a possível pasta ocupada pelo governador Paulo Câmara no governo Lula é o ministério da Ciência e Tecnologia. Caso se concretize a escolha, Paulo ocupará a mesma função que Eduardo Campos no primeiro governo Lula, quando foi responsável pelas pesquisas com células-tronco deixando um grande legado para o país.

Transição – O governador Paulo Câmara indicou os secretários José Neto (Casa Civil), Décio Padilha (Fazenda), Alexandre Rebelo (Planejamento), Marília Lins (Administração) e Ernani Médicis (PGE) para a equipe de transição para a governadora eleita Raquel Lyra.

Coincidência – Num hiato de oito anos, o governador Paulo Câmara recebeu o cargo em 2015 do então governador João Lyra Neto e entregará em 2023 o cargo à futura governadora Raquel Lyra, filha do ex-governador que foi vice de Eduardo Campos. A governadora eleita foi filiada ao PSB e deixou o partido em 2016 para disputar a prefeitura de Caruaru.

Inocente quer saber – Quando será anunciado o secretariado da governadora eleita Raquel Lyra?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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