Coluna da Folha desta segunda-feira

Fator Bolsonaro sumiu da eleição recifense 

A disputa para prefeito do Recife começou sob forte expectativa de que o presidente Jair Bolsonaro poderia ter um papel importante no processo eleitoral deste ano. Tal premissa se baseava no fundamento em que na disputa de 2018 o presidente da República foi o mais votado no primeiro turno na capital pernambucana.

Porém, nunca é demais lembrar que cada eleição tem sua história e eleição de presidente é completamente diferente de eleição de prefeito. Para completar a situação, tivemos uma fragmentação na oposição que dificultou a identificação do eleitorado que votou em Jair Bolsonaro com um nome de direita, haja vista que nenhum deles teve efetivamente a benção do presidente para a disputa.

Outro fator importante é que Recife é uma cidade historicamente de esquerda, que desde 1985 elegeu apenas duas vezes prefeitos de direita, Joaquim Francisco em 1988 e Roberto Magalhães em 1996, este último com o apoio irrestrito de Jarbas Vasconcelos, uma das principais lideranças de esquerda da época. Portanto, isso acaba evidenciando a dificuldade de candidatos com origem na direita de apontarem algum tipo de competitividade na disputa pelo comando da capital pernambucana.

A esperança de que o presidente Jair Bolsonaro poderia ajudar a mudar essa história começa a se esvair a medida que se aproxima o pleito do próximo dia 15 de novembro, com um significativo favoritismo do projeto liderado pelo deputado federal João Campos, do PSB.

Inversão – Está chamando atenção o fato de Priscila Krause ter aparecido igual ou até mais que o candidato a prefeito Mendonça Filho no guia eleitoral. A estratégia pode ter um efeito difuso na cabeça do eleitor, que começa a achar que a candidata é Priscila e não Mendonça. Isso pode ter como desdobramento a queda do candidato em pesquisas eleitorais, uma vez que Priscila não aparece na lista dos candidatos nos institutos.

Justificativa – Defensores da candidatura de Mendonça Filho alegam que a estratégia visa suavizar a chapa e fazer com que o eleitor que simpatiza com a deputada Priscila Krause vote no candidato do partido.

Ricardo Teobaldo – Presidente estadual do Podemos, o deputado federal Ricardo Teobaldo deverá sair das urnas muito maior do que entrou em 2020. O Podemos deverá ter um aumento significativo de prefeitos, enquanto o próprio deputado terá aumento das suas bases espalhadas por todo o estado.

Daniel Coelho – Fora da disputa pela prefeitura do Recife, Daniel Coelho divide sua agenda entre os atos de campanha da Delegada Patrícia e de seus candidatos a prefeito e vereador em diversas cidades do interior de Pernambuco. O parlamentar busca ampliar suas bases para tentar seu terceiro mandato na Câmara dos Deputados em 2022.

Coincidências – Candidato a prefeito do Recife pelo PSB, João Campos completará 27 anos em novembro. Ele terá a mesma idade que seu pai, Eduardo Campos, quando disputou seu primeiro mandato majoritário, que também foi a prefeitura do Recife em 1992.

Inocente quer saber – João Campos poderá vencer a disputa já no próximo dia 15?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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