Coluna da Folha desta quarta-feira

Foto: Guga Matos/Divulgação

A divisão dos espectros ideológicos de Pernambuco 

Desde a eleição de 1982, quando tivemos eleições diretas para governador de Pernambuco, o estado experimentou dez pleitos, sendo vencido por apenas dois nomes da direita, Roberto Magalhães em 1982 e Joaquim Francisco em 1990, em comum nos dois resultados, a divisão política da esquerda, quando Marcos Freire acabou sendo o nome escolhido em vez de Miguel Arraes, recém-chegado do exílio, e foi derrotado por uma margem pequena pelo nome do PDS à época.

Na eleição de 1990 já se iniciara o processo de rompimento entre Jarbas Vasconcelos e Miguel Arraes, quando Arraes decidiu ser candidato a deputado federal e não se empenhou diretamente para a vitória do seu correligionário, derrotado por pequena margem por Joaquim Francisco.

Nas demais eleições, em especial a que projetou a chegada de Jarbas Vasconcelos ao Palácio do Campo das Princesas em 1998, foi necessária uma aliança com o PFL, que não conseguiu por duas vezes derrotar Arraes, vide 1986 e 1994, e atrelados ao desgaste do então governador, bem como a retaguarda do governo federal liderado por FHC, a União por Pernambuco sagrou-se vitoriosa por larga margem, levando Jarbas e José Jorge à vitória.

Em 2006 novamente a esquerda se mostrou mais forte, mesmo tendo um governador bem-avaliado que era Jarbas, a União por Pernambuco viu seu império ruir com a chegada de Eduardo Campos ao Palácio do Campo das Princesas numa eleição que desde o primeiro turno dava sinais que seria vencida por um nome da esquerda. Em 2022, a centro-direita, historicamente menor, se fragmenta em três postulações, Anderson Ferreira, Miguel Coelho e Raquel Lyra, enquanto a esquerda vai fragmentada em dois nomes, Danilo Cabral e Marília Arraes.

Por ser historicamente maior, se a direita permanecer fragmentada em três nomes, a esquerda poderá levar ao segundo turno os dois nomes, Danilo Cabral e Marília Arraes, portanto a redução para uma candidatura entre Miguel Coelho e Raquel Lyra se faz necessária para dar alguma chance de ida ao segundo turno da centro-direita, mesmo que esse nome possa ser Anderson Ferreira.

Identidade – O deputado estadual Alberto Feitosa (PL), que tentará seu quinto mandato na Assembleia Legislativa de Pernambuco, começa a ser identificado pelo eleitorado bolsonarista após a transição que realizou ao ser candidato a prefeito em 2020. Feitosa poderá ter uma votação além do esperado, uma vez que o eleitorado do presidente Jair Bolsonaro pode votar em nomes sintonizados com o ocupante do Planalto.

Direito eleitoral – Os advogados Delmiro Campos, Emílio Duarte e Julio Oliveira, especialistas em direito eleitoral, estão entre os autores do livro “Estudos de direito eleitoral e político”. O prefácio é do presidente do TRE de Pernambuco, André Guimarães.

Valorizado – O deputado federal Sebastião Oliveira (Avante) tornou-se a principal noiva do momento. Ele é disputado por Danilo Cabral e Marília Arraes. Além de ser bom de voto, Sebá é o herdeiro direto do ex-deputado Inocêncio Oliveira, que fez história na política pernambucana e nacional chegando até a ocupar a presidência da República.

Inocente quer saber – Quem será o nome apoiado pela deputada estadual Clarissa Tércio na disputa para governador?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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