Coluna desta segunda-feira

Foto: Divulgação

Datafolha mostra disputa mais dura que em 2022

Os números do Datafolha ajudam a iluminar duas eleições em contextos bastante diferentes no Brasil recente: 2022 e o cenário projetado para 2026. A comparação não é apenas sobre percentuais, mas sobre a própria natureza da competição política.

Em junho de 2022, Luiz Inácio Lula da Silva aparecia em posição amplamente favorável nas pesquisas. Em um dos principais cenários, marcava 47% no primeiro turno contra 28% de Jair Bolsonaro — uma diferença de quase 20 pontos. Em simulações de segundo turno, a vantagem era ainda mais expressiva, chegando a algo próximo de 57% a 34%. Era, na superfície, um quadro de domínio claro.

A urna, no entanto, mostrou outra dinâmica. No primeiro turno, Lula terminou com 48% dos votos válidos contra 43% de Bolsonaro. No segundo turno, a disputa se apertou ainda mais: 50,9% a 49,1%. A vantagem larga das pesquisas se reduziu a uma margem mínima na contagem final. O recado político daquele ciclo foi direto: vantagem em pesquisa não é sinônimo de resultado consolidado, especialmente em ambientes polarizados.

Em 2026, o cenário descrito pelo Datafolha já nasce mais equilibrado. Lula aparece com cerca de 41% no primeiro turno contra 31% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, a diferença é de apenas 47% a 43% a favor do atual presidente. A distância que antes era de quase 20 pontos agora se comprime para algo em torno de 4 pontos.

Há ainda um elemento novo nessa equação: a reconfiguração da chamada terceira via. Diferentemente de outros ciclos, os principais nomes alternativos hoje estão mais associados ao campo da direita, o que tende a reduzir a dispersão desse eleitorado e tornar a disputa mais eficiente para o bloco opositor no segundo turno.

A comparação entre 2022 e 2026 revela, portanto, uma mudança de escala. Antes, uma vantagem inicial ampla de Lula sobre Bolsonaro acabou se estreitando fortemente na urna. Agora, o ponto de partida já é uma disputa muito mais apertada, em que pequenas variações podem definir o resultado.

Se em 2022 o país saiu de uma fotografia de vantagem larga para uma eleição decidida no detalhe, em 2026 o que se observa desde o início é exatamente esse “detalhe”: uma eleição sem margem confortável, em que o erro de leitura do humor do eleitor pode ser decisivo.

Avaliação – O Datafolha apontava em junho de 2022, o então presidente Jair Bolsonaro com 26% de ótimo e bom, 26% de regular e 47% de ruim e péssimo. Em junho de 2026, Lula teria 32% de ótimo e bom 29% de regular e 38% de ruim e péssimo.

ContrapartidaO presidente estadual do PL em Pernambuco, Anderson Ferreira, afirmou que uma eventual aliança com a governadora Raquel Lyra para as eleições de 2026 estará condicionada ao apoio dela à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro. Em entrevista, ele destacou que a prioridade da legenda no estado é fortalecer o projeto nacional de Flávio Bolsonaro e que qualquer composição eleitoral dependerá desse alinhamento, reforçando que, sem declaração de apoio, o partido seguirá buscando alternativas para sustentar sua estratégia política.

Mudança – Durante a filiação da governadora Raquel Lyra ao PSD em 2025, o presidente estadual do PL, Anderson Ferreira, foi um dos que discursaram e na sua fala ele afirmou que “estava com Raquel Lyra até depois do fim”. Ao que parece, houve uma mudança de direção por parte do dirigente liberal.

Sem espaço – O pré-candidato a deputado federal pelo Podemos, Gilson Machado Neto, avaliou que não há espaço para uma candidatura do PL ao governo de Pernambuco com objetivo de formar palanque para Flávio Bolsonaro. Para ele, a direita perdeu o timing de lançar um projeto competitivo estadual.

Inocente quer saber – Os institutos terão nova discrepância significativa em relação às urnas em 2026?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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