Coluna desta sexta-feira

Foto: Divulgação

Datafolha reposiciona disputa em Pernambuco a quatro meses da eleição

A quatro meses da eleição, a nova pesquisa Datafolha para o Governo de Pernambuco ganha peso ainda maior no ambiente político e eleitoral do Estado. Divulgado nesta quinta-feira (28), o levantamento contratado pela TV Tribuna mostra a governadora Raquel Lyra (PSD) com 48% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) aparece com 43%. Ivan Moraes (PSOL) soma 2%, enquanto brancos e nulos representam 4% e outros 2% não souberam responder. O dado mais significativo, porém, está na comparação com a rodada anterior do instituto: João liderava com 50%, contra 38% da atual governadora. A inversão em um intervalo tão curto e já em período pré-eleitoral avançado sugere uma mudança concreta de percepção do eleitorado, sobretudo porque ocorre em um momento no qual as campanhas começam a entrar em sua reta decisiva de organização política, comunicação e mobilização territorial.

O crescimento de Raquel Lyra coincide diretamente com a elevação da aprovação de sua gestão, que saltou de 61% para 67%. Em disputas estaduais, especialmente quando o candidato ocupa o governo, aprovação elevada costuma representar um ativo eleitoral determinante, pois reduz o espaço para discursos de ruptura e fortalece a narrativa de continuidade administrativa. A leitura predominante nos bastidores é que o governo conseguiu transformar entregas administrativas e presença institucional em recuperação política. Além da intensificação de agendas no interior, aliados avaliam que a gestão passou a comunicar melhor ações em áreas estratégicas, como infraestrutura, segurança e programas sociais. A vantagem registrada também no segundo turno — 51% para Raquel contra 44% de João Campos — reforça a ideia de que parte do eleitorado que antes demonstrava resistência à governadora passou a enxergá-la de forma mais competitiva e consolidada.

Ao mesmo tempo, o cenário permanece aberto e longe de qualquer definição antecipada. João Campos continua apresentando índices robustos e mantém forte presença eleitoral, sobretudo na Região Metropolitana do Recife, onde o PSB historicamente concentra influência política e administrativa. A diferença entre os dois candidatos está dentro de uma faixa que ainda permite movimentações importantes ao longo da campanha, especialmente diante do peso do guia eleitoral, dos debates e da entrada mais intensa das estruturas partidárias nas ruas. Há ainda um componente político relevante: eleições estaduais em Pernambuco costumam sofrer influência direta da dinâmica nacional e da formação de alianças locais, o que pode alterar estratégias, ampliar palanques e redefinir prioridades dos grupos políticos nas semanas finais da disputa.

O retrato desenhado pelo Datafolha, portanto, é o de uma eleição competitiva, polarizada e marcada por um reposicionamento claro da atual governadora no jogo eleitoral. Se antes João Campos aparecia como favorito mais confortável, agora o cenário aponta equilíbrio com vantagem para Raquel Lyra em um momento considerado decisivo do calendário político. A quatro meses da votação, a tendência é que a campanha se torne mais intensa e menos baseada apenas em projeções futuras. O eleitor pernambucano começa a comparar, de forma mais objetiva, gestão, capacidade de articulação e perspectiva administrativa. Nesse contexto, a aprovação elevada de Raquel fortalece sua condição de favorita momentânea, enquanto João Campos precisará reorganizar narrativa e estratégia para recuperar o terreno perdido em uma disputa que entra definitivamente em sua fase mais sensível.

Senado – Apesar de não haver alteração substancial no Senado, com Marília Arraes com 39% e Humberto Costa com 32% na liderança, nomes como Eduardo da Fonte (22%) e Miguel Coelho (19%) seguem completamente no páreo devido ao elevado número de indecisos. Inclusive o próprio Túlio Gadelha, que apareceu com 8%, também pode crescer na reta final por ser o candidato da governadora.

Decisão irreversível – O deputado federal Eduardo da Fonte tem dito a seus interlocutores que a decisão de disputar o Senado na chapa da governadora é irreversível. Melhor nome da chapa governista no Datafolha, Eduardo não tem nenhum motivo para não ser candidato à Câmara Alta, pois as suas chances de vitória são reais.

Rejeição diminuiu – Além do crescimento da avaliação do governo, saltando de 61% para 67% de aprovação, a governadora Raquel Lyra viu sua rejeição cair de 31% em abril para 25%, tornando-se a menos rejeitada dos três nomes que disputarão o Palácio do Campo das Princesas.

Mudança abrupta – Não foi apenas a rejeição e a aprovação que mudaram drasticamente num curto espaço de tempo. A intenção de voto da governadora saltou de 38% para 48% em pouco mais de quarenta dias. São números muito significativos para um curto espaço de tempo.

Inocente quer saber – Os senadores escolhidos por Raquel Lyra serão competitivos no embate com Humberto Costa e Marília Arraes?

Compartilhe esse post

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
WhatsApp
Páginas
Quem sou eu
Picture of Edmar Lyra

Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

Conhecer
Redes sociais