Coluna desta terça-feira

Foto: Divulgação

Apex/Futura mostra consolidação da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro 

A nova rodada do instituto Futura Inteligência, divulgada nesta segunda-feira, reforça um dado que já vinha sendo percebido nos bastidores de Brasília: a eleição presidencial de 2026 tende a repetir a polarização que marcou os últimos pleitos nacionais, mas agora sob novos personagens e com uma disputa muito mais apertada. O levantamento mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva numericamente à frente nos cenários estimulados de primeiro turno, mas em empate técnico com o senador Flávio Bolsonaro dentro da margem de erro de 2,2 pontos percentuais. No principal cenário testado, Lula aparece com 38,3% contra 36,1% de Flávio. Em outra simulação, o placar fica ainda mais apertado: 38,1% a 37,4%. A pesquisa espontânea também aponta a cristalização de dois polos eleitorais fortes, com Lula registrando 34,9% e Flávio 27,8%, enquanto os demais nomes aparecem muito distantes da disputa principal.

O dado mais sensível para o Palácio do Planalto, porém, talvez seja o cenário sem Lula na disputa. Quando o nome do presidente é substituído pelo do ex-ministro Fernando Haddad, Flávio Bolsonaro abre ampla vantagem e alcança 35,9%, contra apenas 17,1% do petista. O resultado evidencia que, apesar da força eleitoral do lulismo, a transferência integral de votos ainda está longe de ser garantida. Haddad aparece competitivo apenas em cenários específicos de segundo turno contra nomes de centro-direita, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Já Flávio demonstra maior capacidade de consolidação do eleitorado conservador e bolsonarista, vencendo Haddad, Caiado e até Ciro Gomes nas projeções de segundo turno. Nos bastidores, integrantes do PL avaliam que o senador começa a ocupar de forma mais orgânica o espaço de liderança nacional do bolsonarismo, especialmente diante das incertezas jurídicas que ainda cercam o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Outro aspecto relevante do levantamento é a persistência da elevada rejeição dos principais polos políticos. Lula lidera a taxa de rejeição com 47,4%, seguido de perto por Flávio Bolsonaro, com 43,8%. Haddad também enfrenta resistência significativa, alcançando 31,9%. Os números ajudam a explicar por que a disputa permanece tão equilibrada: os dois campos têm bases eleitorais sólidas, mas igualmente enfrentam elevados índices de resistência fora de seus núcleos mais fiéis. Esse cenário mantém aberta a possibilidade de crescimento de candidaturas alternativas, embora, até o momento, nenhum nome tenha conseguido romper efetivamente a barreira da polarização. Caiado e Zema aparecem com desempenho moderado, enquanto Ciro Gomes preserva competitividade relativa em alguns cenários, sobretudo no segundo turno contra Lula, onde há empate técnico dentro da margem de erro.

A leitura política da pesquisa indica que 2026 começa a ganhar contornos de uma eleição menos ideológica e mais plebiscitária sobre os resultados econômicos, a estabilidade institucional e a fadiga da polarização. O governo federal ainda aposta na recuperação da popularidade presidencial a partir da melhora de indicadores econômicos e sociais ao longo de 2026, enquanto a oposição trabalha para transformar o desgaste natural de um quarto mandato petista no principal combustível eleitoral. Dentro desse ambiente, a consolidação de Flávio Bolsonaro como potencial herdeiro político do bolsonarismo altera o tabuleiro e dificulta os planos de setores do centro, que esperavam uma fragmentação maior da direita. A pouco mais de cinco meses do início oficial das articulações nacionais mais intensas, o levantamento do Futura Inteligência sinaliza uma corrida presidencial aberta, competitiva e marcada por um eleitorado ainda profundamente dividido.

Palestra – O advogado Delmiro Campos será um dos palestrantes do X Congresso Brasileiro de Direito Eleitoral, que acontecerá em Curitiba. O encontro será realizado entre os dias 26 a 29 de maio, às 10h, reunindo nomes de destaque nacional para debater os principais desafios das eleições contemporâneas, com foco em temas como desinformação, inteligência artificial, novas tecnologias e integridade do processo eleitoral.

Está apto – A respeito das especulações de que a União Progressista indicaria Antonio Coelho para a vice de Raquel Lyra, surgiu uma dúvida se ele tinha idade para ocupar o posto. Como ele nasceu em 1995, teria 31 anos na data da posse, um ano a mais do que o mínimo necessário para disputar o cargo de vice-governador.

Presidente da Alepe – Nos bastidores, há quem aposte que uma composição tendo Antonio Coelho na chapa majoritária como vice, poderia enviar Miguel para a Alepe, mas com uma função clara: ser presidente da Alepe em caso de vitória da governadora.

Questionamento – Apesar das movimentações, pouca gente acredita que a governadora Raquel Lyra trocaria Priscila Krause por outro quadro. Priscila foi parceira de Raquel em 2022, arriscando um mandato certo na Alepe, e agora deverá receber a confiança da governadora para ser novamente sua companheira de chapa.

Inocente quer saber – Caso não dispute o Senado nem a vice, Miguel Coelho abrirá mão de seu capital político e não disputará nenhum cargo este ano?

Compartilhe esse post

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
WhatsApp
Páginas
Quem sou eu
Picture of Edmar Lyra

Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

Conhecer
Redes sociais