Coluna deste sábado

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Flávio Bolsonaro avança, Lula encolhe e 2026 já nasce sob o fantasma de 2022

O desempenho de Flávio Bolsonaro nas pesquisas de fevereiro de 2026 alterou o eixo da sucessão presidencial e produziu um fato político relevante: o bolsonarismo segue competitivo mesmo sem o ex-presidente encabeçando a disputa. Em diferentes levantamentos nacionais, Flávio aparece numericamente à frente ou em empate técnico com Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno. O dado ganha peso quando comparado ao mesmo período do ciclo eleitoral anterior. Em fevereiro de 2022, Lula liderava com folga, enquanto Jair Bolsonaro oscilava vários pontos atrás. Agora, o cenário é de equilíbrio precoce e pressão redobrada sobre o Planalto.

A comparação histórica é inevitável. Em 2022, Lula terminou o primeiro turno com 48% dos votos válidos, contra 43% de Jair Bolsonaro. No segundo turno, venceu por 50,9% a 49,1%, na eleição presidencial mais apertada desde a redemocratização. Mesmo partindo de uma dianteira consistente nas pesquisas ao longo daquele ano, o petista enfrentou uma reta final dramática e um país profundamente dividido. O recado das urnas foi claro: a vantagem inicial não se traduziu em folga eleitoral. Foi uma vitória mínima, sustentada por uma coalizão ampla e por forte rejeição ao adversário.

Em 2026, porém, Lula não demonstra a mesma gordura política no ponto de largada. Se há quatro anos ele aparecia acima dos 40% com regularidade, agora oscila em patamar mais comprimido e diante de um adversário que nasce competitivo. Flávio Bolsonaro apresenta desempenho inicial superior ao que o pai registrava em fevereiro de 2022, o que indica não apenas manutenção, mas possível reorganização estratégica do campo conservador. A transferência de capital político mostra-se mais consistente do que muitos previam, sugerindo que o bolsonarismo permanece estruturado e mobilizado.

O efeito imediato é a configuração de uma disputa novamente polarizada, com risco real de repetição do cenário de 2022 — ou até de um embate ainda mais apertado. Lula começa o ciclo eleitoral sob maior vulnerabilidade relativa, sem a vantagem confortável que teve no passado recente. Já Flávio consolida-se como herdeiro viável de um eleitorado fiel e numeroso. Se o histórico ensina que liderança em pesquisa não garante tranquilidade nas urnas, o retrato atual aponta para uma corrida longa, dura e definida nos detalhes, como foi a última — talvez ainda mais.

Paralelo – O paralelo entre os dois momentos eleitorais revela um cenário de forte simetria política. Em fevereiro de 2022, o governo de Jair Bolsonaro registrava aprovação na faixa de 42% a 45% e desaprovação entre 50% e 54%, iniciando o ano da eleição sob desgaste relevante, ainda que competitivo. Já em fevereiro de 2026, Luiz Inácio Lula da Silva apresenta números muito semelhantes: aprovação oscilando entre 43% e 47% e desaprovação acima de 50% nos principais levantamentos. A coincidência estatística chama atenção porque Bolsonaro, mesmo largando com mais rejeição do que apoio, conseguiu levar a disputa ao segundo turno mais apertado da história recente; agora, Lula enfrenta quadro quase espelhado no início do novo ciclo eleitoral, sinalizando uma corrida novamente polarizada e potencialmente acirrada.

Alerta – O ministro André Mendonça afirmou que o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode confundir manifestação artística com propaganda eleitoral no período pré-eleitoral. Ao analisar representações sobre o caso, ele destacou que, embora não haja censura prévia, o fato de o homenageado ser candidato à reeleição e o alcance nacional do Carnaval exigem cautela. Mendonça alertou que eventual uso de recursos públicos e mensagens com conteúdo eleitoral pode, em tese, ferir a paridade de armas e ser apurado em outras instâncias.

Bom carnaval – Desejamos a todos um excelente carnaval. A partir de hoje daremos uma pausa nos trabalhos da coluna e voltaremos na próxima quinta-feira trazendo todos os detalhes e bastidores deste ano eleitoral que promete muito.

Inocente quer saber – Flávio Bolsonaro poderá ser eleito em outubro?

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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