Coluna da Folha desta quinta-feira

Foto: Divulgação

Nacionalização não surtiu efeito desejado no primeiro turno 

A disputa pelo governo de Pernambuco no primeiro turno não trouxe o efeito que três candidaturas a governador esperavam, Danilo Cabral e Marília Arraes utilizaram a exaustão a imagem do ex-presidente Lula, enquanto Anderson Ferreira buscou a vinculação com o presidente Jair Bolsonaro. Com a abertura das urnas, Lula obteve pouco mais de 65% dos votos válidos e Jair Bolsonaro obteve quase 30% dos votos válidos.

Se Pernambuco seguisse a nacionalização, o segundo turno seria disputado entre dois lulistas ou entre um lulista e o candidato bolsonarista, fato que não aconteceu, pois as candidaturas de Miguel Coelho e Raquel Lyra, fugindo da polarização nacional, obtiveram desempenho satisfatório. Diante deste cenário, a candidata do PSDB, finalista do segundo turno, decidiu não declarar voto em nenhum dos candidatos a presidente. A estratégia se deu com o objetivo de ampliar o palanque, uma vez que tem apoio de lulistas e bolsonaristas.

Marília Arraes, a outra finalista, tem mantido a estratégia do primeiro turno, tentando vincular ao máximo sua imagem a do ex-presidente Lula, tentando nacionalizar este segundo turno e apostando numa mudança de comportamento do eleitor em relação ao primeiro turno.

Lula virou para Marília uma espécie de tábua de salvação, que agora tentará casar o voto. Para atingir a maioria dos votos, Marília precisará fazer com que o eleitor lulista, caso repita o posicionamento do primeiro turno de 65% dos votos válidos em Pernambuco, garanta cerca de 80% dos votos lulistas para sua candidatura na segunda etapa.

Histórico – Os candidatos apoiados por Lula em Pernambuco não conseguiram atingir o objetivo esperado em pleitos anteriores. Na disputa de 2006, o candidato oficial de Lula, Humberto Costa, ficou na terceira colocação, Eduardo Campos, o alternativo, foi ao segundo turno e venceu a eleição. Armando Monteiro, em 2014, candidato apoiado por Lula, perdeu a disputa em primeiro turno, enquanto Danilo Cabral, em 2022, igualmente com a grife lulista, não chegou ao segundo turno.

Marcação cerrada – O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), tem intensificado as conversas com parlamentares reeleitos e novatos. Dentre os neófitos, que representam doze parlamentares na bancada pernambucana, a maioria já recebeu algum tipo de aceno de Lira ou de seus interlocutores. O atual presidente pretende continuar no cargo para o próximo biênio independente de quem seja eleito no próximo dia 30, Lula ou Bolsonaro.

Em Pernambuco – Nesta quinta-feira o presidente Jair Bolsonaro cumprirá mais uma agenda em Pernambuco. Desta vez, terá encontro com pastores em um hotel em Boa Viagem. O presidente aposta na pauta de costumes para ampliar sua votação em Pernambuco e diminuir a desvantagem para Lula no Nordeste.

Expectativa – Agora que retomou as agendas de campanha, a candidata Raquel Lyra (PSDB), que recebeu diversas demonstrações de apoio de prefeitos espalhados por todas as regiões, é esperada pelos mesmos para um encontro que reúna seus apoiadores. Muitos estão esperando uma foto com a candidata e a chegada de material de campanha.

Inocente quer saber – A chegada de Lula na próxima sexta-feira fará Marília Arraes disparar nas pesquisas?

Compartilhe esse post

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
WhatsApp
Páginas
Quem sou eu
Picture of Edmar Lyra

Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

Conhecer
Redes sociais