Treze ex-presidentes do STF cobram de Fachin investigação rigorosa do escândalo Moraes/Vorcaro

Foto: Divulgação

Carta assinada por treze ex-presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), todos aposentados, manifestou nesta segunda-feira (7) ao atual presidente da Corte, ministro Edson Fachin, em tom elegante, mas de cobrança, a designação, “com toda urgência”, de sessão pública para que o Tribunal Pleno determine imediata e rigorosa apuração” das graves denúncias que, na avaliação de todos eles, “vem comprometendo o prestígio e a autoridade do Tribunal, a confiança do povo e até mesmo a estabilidade das instituições democrática”.

“Os ministros aposentados e ex-presidentes, abaixo assinados, vêm manifestar plena confiança na seriedade, discernimento e firmeza de V. Exª na condução dessa Suprema Corte, na mais aguda crise de sua história, e a absoluta convicção de que V. Exª designará, com toda a urgência, sessão pública para que o Pleno determine imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal, dos gravíssimos fatos cuja divulgação vem comprometendo o prestígio e a autoridade desse Tribunal, a confiança do povo e até a estabilidade das instituições democráticas”.

O texto tem um peso político devastador contra ministros do STF que ensaiam uma tentativa de impedir rigorosa apuração dos fatos investigados e documentados pela Polícia Federal sobre o relacionamento entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, acusado de roubar dezenas de bilhões de reais dos clientes e de subornar autoridades.

Os ministros aposentados e ex-presidente do STF Neri da Silveira, Francisco Rezek, Sidney Sanches, Celso de Mello, Carlos Veloso, Ilmar Galvão, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Eros Grau e Rosa Weber assinam a mensagem.

Pizzaiolos já estavam a postos

Uma manobra de ministros ligados a Moraes passou a caracterizar a crise como uma suposta “briga” ou “disputa política” com o ministro André Mendonça, oque talvez fizesse tudo terminar em pizza. A ministra Cármen Lúcia chegou a afirmar que “os dois erraram”, numa tentativa de comparar a gravidade do caso Moraes/Vorcaro à frágil “denúncia” sobre o rito da investigação autorizada pelo relator, ministro André Mendonça.

Mendonça virou alvo do Planalto e seus aliados no STF por relatar inquéritos que incomodam a atual situação de poder político: além de Vorcaro, também é alvo de três inquéritos, inclusive por tráfico de influência e corrupção, Lulinha, filho de Lula (PT).

No âmbito das investigações da Operação Compliance Zero, a PF realizou perícia em um dos celulares de Vorcaro e identificou entre seus interlocutores frequentes, em conversas por mensagens de Whatsapp, Alexandre de Moraes. O ministro e o ex-banqueiro trocaram ao menos 52 mensagens, segundo a PF, nas quais foi possível verificar a ocorrência ao menos de oito encontros pessoais entre eles. A grande parte das mensagens de Moraes eram de leitura única, do tipo que se apaga quando lida.

O acesso à troca de mensagens permitiu aos investigadores não apenas verificar o processo de negociação do fabuloso contrato de R$131 milhões do Banco Master com o escritório de advocacia da esposa de Moraes, como também a descoberta de um novo acerto, de R$50 milhões, pagos por meios de quotas de propriedade de um jato executivo Legacy e de um sofisticado helicóptero fabricado pela Airbus. Mensagens no celular de Vorcaro indicaram que a família Moraes já vinha utilizando as aeronaves. Com informações do Diário do Poder.

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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