
O Cariri entrou no radar da mineração mundial
Reportagem do Movimento Econômico, site da minha amiga, a jornalista Patrícia Raposo, revelou que mineradoras australianas pesquisam terras raras e titânio no Cariri paraibano. A Enova Mining tem opção de compra de cerca de 17,8 mil hectares em *Caraúbas* e *Congo*, com decisão até 1º de dezembro. Ao lado, em *Caraúbas* e *Coxixola*, a Liberty Metals já é dona de cerca de 12 mil hectares. Somadas, as áreas passam de uma vez e meia o território de João Pessoa. Mais ao norte, no Seridó, outra australiana, a Perpetual Resources, pesquisa tungstênio em *São Mamede* e *Várzea*. E o Serviço Geológico do Brasil já aponta potencial para minerais críticos, entre eles as terras raras, em *Monteiro* e *Sumé*, além de *Patos* e *Piancó*, municípios que terão folhas geológicas detalhadas no novo mapa geológico da Paraíba.
Nada está confirmado: ninguém perfurou ainda e não há recurso mineral definido. Mas é uma notícia que faz qualquer filho do Cariri levantar a cabeça. Sou de Monteiro, sou do Cariri, e falo como quem tem raízes nessa terra.
O que se procura: monazita, titânio e minerais pesados
Do ponto de vista técnico, o alvo é um conjunto de minerais pesados. A monazita concentra elementos de terras raras, como cério, lantânio e neodímio, e o neodímio e o praseodímio são os metais usados nos ímãs dos carros elétricos e das turbinas eólicas. A ilmenita e o rutilo fornecem o titânio, e o zircão serve às indústrias de cerâmica e de materiais resistentes ao calor. Esses minerais se desprendem das rochas pela chuva e pela erosão e se acumulam nas areias dos rios, de onde, segundo a análise preliminar da Enova, podem ser separados por gravidade e depois por separadores magnéticos ou eletrostáticos.
Cautela necessária: o caminho ainda é de pesquisa
A única amostra divulgada, uma pedra de superfície na área da Liberty, trouxe também tório e urânio, elementos radioativos que costumam acompanhar a monazita, o que exige controle rigoroso no processamento. Os alvarás consultados na Agência Nacional de Mineração citam apenas ilmenita e rutilo, e a própria empresa avisa que uma amostra escolhida a dedo não representa o depósito.
Mão de obra: a demanda pode chegar antes da mina
Se a extração se confirmar, a cadeia exigirá técnicos de geologia e mineração para pesquisa, sondagem e mapeamento, operadores de equipamentos de lavra e beneficiamento, analistas de laboratório, profissionais de segurança do trabalho, especialistas em meio ambiente e licenciamento, proteção radiológica, topografia, manutenção, logística e gestão. É muita gente, e gente qualificada. A demanda chegará antes de a região estar pronta para atendê-la, a menos que alguém comece a preparar agora.
Mais de 20 anos formando gente para o trabalho
Tenho mais de 20 anos de experiência em educação, e não apenas nas universidades. Fui diretor do SENAI Pernambuco e secretário de Educação Profissional e Juventude do Recife, onde o desafio era exatamente este: qualificar pessoas para as demandas reais do mercado de trabalho. Hoje presido o Instituto Darcy Ribeiro, que mantém o EJA Nacional em Monteiro. Já temos uma base educacional estabelecida na cidade, com escolas em funcionamento e uma equipe de professores que já trabalha na preparação dos cursos.
30 bolsas de estudo 100% gratuitas para começar
Para dar o primeiro passo desse movimento, já estamos oferecendo 30 bolsas de estudo 100% gratuitas para jovens e adultos que ainda não têm o ensino médio. É gratuito, sem custo algum. Basta ir à nossa unidade, na Praça da Saudade, em Monteiro, informar que leu este artigo e preencher os requisitos para garantir a bolsa de 100%. O ensino médio é a base de qualquer qualificação, e quem quiser disputar as oportunidades que podem surgir precisa começar por ele.
Nosso compromisso: formar dezenas, até centenas, em Monteiro e Sumé
Temos estrutura para montar e formar dezenas, e até centenas, de jovens e adultos para esse novo desafio, com Monteiro e Sumé como bases da capacitação. Na próxima semana estarei em Monteiro e em Sumé, visitando a região para colher mais informações sobre o assunto e ajustar os cursos ao que o setor realmente vai demandar. Como filho da terra, assumo o compromisso de formar essa mão de obra, para que o trabalhador do Cariri ocupe as vagas na sua própria terra. Se a extração não se confirmar, a qualificação continuará sendo um patrimônio de quem a conquistou.
Parabéns, Patrícia Raposo, pela notícia que acordou o sertão. Quem quiser ler a reportagem completa e acompanhar o noticiário econômico da região pode acessar o site do Movimento Econômico: www.movimentoeconomico.com.br
Inácio Feitosa
Advogado, mestre em Educação pela UFPE e escritor



