Raquel vence em 133 municípios e constrói reeleição com força em todas as regiões de Pernambuco

A reeleição de Raquel Lyra (PSD) no primeiro turno foi construída a partir de uma ampla vantagem territorial sobre João Campos (PSB). A governadora venceu em 133 dos 185 municípios pernambucanos, o equivalente a quase 72% das cidades do estado, enquanto o adversário terminou na frente em 52.

O mapa das urnas revela que a vitória de Raquel não ficou restrita ao Agreste, sua região de origem e principal reduto eleitoral. A governadora conseguiu espalhar sua votação por praticamente todo o território pernambucano e venceu o confronto regional nas quatro grandes regiões do estado.

Outro dado que dimensiona o resultado é o desempenho nos maiores centros urbanos. Raquel venceu em 15 dos 20 maiores colégios eleitorais de Pernambuco. Ou seja, além da predominância no número de municípios, a governadora conseguiu se impor em cidades que concentram parcelas expressivas do eleitorado estadual.

O Agreste foi o principal motor da vitória. Somados os municípios da região, Raquel abriu aproximadamente 255 mil votos de vantagem sobre João Campos. No Agreste Central, onde está Caruaru, a diferença chegou a cerca de 178 mil votos.

Caruaru protagonizou uma das maiores vantagens da eleição. Raquel alcançou 75,2% dos votos válidos, contra 23,1% de João, construindo uma frente superior a 100 mil votos. O domínio se repetiu no Polo de Confecções. Em Santa Cruz do Capibaribe, a governadora chegou a 83,3%. Também obteve votações próximas de 80% em Toritama e Taquaritinga do Norte.

A Zona da Mata foi outro pilar importante da vitória. Raquel acumulou aproximadamente 112 mil votos de vantagem na região e venceu cidades estratégicas como Vitória de Santo Antão, Goiana, Carpina, Palmares, Paudalho, Água Preta e Barreiros. O resultado mostrou capacidade de avançar sobre uma região que historicamente teve forte presença política do PSB.

Na Região Metropolitana, João Campos venceu o Recife, onde obteve 49,9% contra 46,1% de Raquel, uma vantagem de aproximadamente 36,7 mil votos. O problema para o socialista foi o comportamento das demais cidades metropolitanas.

Sem considerar a capital, Raquel abriu cerca de 85,8 mil votos sobre João na Região Metropolitana. A governadora venceu Jaboatão dos Guararapes, Paulista, Camaragibe, Igarassu, Ipojuca, Abreu e Lima, Araçoiaba, Itapissuma e Ilha de Itamaracá, entre outros municípios. Em Ipojuca, por exemplo, alcançou 56,6%, enquanto em Igarassu chegou a 59,4%. A vantagem obtida no entorno do Recife mais do que compensou a derrota na capital.

Esse desempenho metropolitano ganha ainda mais peso quando observado em conjunto com os grandes colégios eleitorais. João tinha no Recife sua principal fortaleza e precisava transformar a capital e seu entorno em uma vantagem suficientemente ampla para neutralizar a força de Raquel no interior. Isso não aconteceu. A governadora perdeu na capital, mas avançou sobre cidades populosas da própria Região Metropolitana.

No Sertão, o mapa foi mais dividido, mas Raquel também conseguiu vitórias estratégicas. A governadora venceu Petrolina, maior colégio eleitoral do interior, com 51,6%, além de Serra Talhada, Salgueiro e Arcoverde.

Salgueiro foi um dos principais destaques sertanejos, com aproximadamente 67,8% para Raquel. No Sertão Central, a governadora venceu cinco dos oito municípios: Salgueiro, Mirandiba, Cedro, Verdejante e Serrita. João, por outro lado, manteve redutos importantes no interior, vencendo municípios como Araripina, Afogados da Ingazeira e algumas cidades do Pajeú e do Araripe.

O desempenho regional ajuda a explicar os 53,27% dos votos válidos obtidos por Raquel em Pernambuco, contra 44,82% de João.

Mais do que a diferença estadual, entretanto, o mapa municipal mostra a dimensão política da vitória. Raquel venceu quase três em cada quatro municípios pernambucanos e 15 dos 20 maiores colégios eleitorais. Conseguiu, portanto, combinar duas características decisivas: capilaridade nos pequenos e médios municípios e competitividade nas maiores cidades.

O resultado também mostrou os limites da estratégia de João Campos. O socialista venceu o Recife, seu principal reduto, mas não conseguiu construir na capital uma vantagem suficiente para compensar as derrotas na Região Metropolitana, Zona da Mata e, principalmente, no Agreste.

Ao vencer em 133 municípios e dominar três quartos dos 20 maiores colégios eleitorais, Raquel sai das urnas não apenas reeleita, mas com uma base eleitoral geograficamente distribuída. É um resultado que fortalece sua liderança estadual, amplia seu capital político e poderá ter reflexos diretos na reorganização das forças políticas de Pernambuco a partir de 2027.

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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