Quando falta Deus e amor no coração

Por Lucas Ramos

Gravatá viveu ontem (7) um momento histórico. A população compareceu em peso para a inauguração do Parque Ambiental Janelas para o Rio, o primeiro no estado nesse formato, investimentos da Compesa e APAC através da Secretaria de Infraestrutura e Recursos Hídricos de Pernambuco. Junto, o anúncio de uma série de investimentos em educação com a melhoria do ambiente escolar, – reforma, ampliação, e cobertura de quadra; pavimentação asfáltica da PE-087, trecho Mandacaru a Uruçu-Mirim, tão perseguida pelas lideranças políticas, sonhado há décadas pelos gravataenses; a implantação dos Espaços 4.0, transformado a cidade e região do Agreste em um importante hub de inovação tecnológica; entre outras – muitas outras – ações.

Mas aquele espaço, que deveria ser palco de festa, de celebração de conquistas, de materialização de sonhos, foi se transformando num ambiente hostil, de ataques gratuitos e infortúnios. Devido à mobilização da militância, criou-se uma grande expectativa para ouvir o prefeito da cidade, Padre Joselito. Inclusive eu, votado na cidade com o apoio da oposição, mas que nunca havia escutado um discurso seu. E parei para prestar atenção, afinal de contas, são grandes oradores. O sermão sempre é um dos pontos altos da missa católica.

Um show de horrores. Foi o que presenciamos. Uma verdadeira demonstração de falta de amor e de Deus no coração. Era gritante o ódio do prefeito quando se referia a seus opositores. “Vozes do além” foi um termo repetido várias vezes em seu discurso. Chocou os ouvintes quando celebrou a morte de adversário, vítima do arrasador SARS-COV-2, o novo coronavirus. “A COVID levou aquele camarada para o quinto dos infernos”. E as pessoas riram. E aplaudiram.

Desumano. Não aprendeu com a Bíblia a amar e respeitar? Amar o próximo, como a si mesmo. Respeitar aqueles que pensam diferente. Não aprendeu com o exemplo de Cristo a perdoar? Procure o que diz a Oração de São Francisco de Assis, que provavelmente você celebrou em missa com seus fiéis. Fez parecer que ao deixar a batina, despiu-se também da fraternidade. Desconheceu a dor de mais de 600 mil famílias que perderam seus entes para essa doença que colocou o mundo inteiro de joelhos.

A política nem sempre é um ambiente justiça. Algumas pessoas se exaltam e falam o que não deveria. Propagam mentiras e fake news, e está errado. E a Justiça está aí para defendê-las. Se o prefeito Joselito foi vítima, deveria recorrer às leis dos homens. Eu não sei a quem o Padre se referia em sua fala. Me solidarizo com a família do falecido, que não merecia ser exposta daquela maneira. Faltou Deus e amor no coração de algumas pessoas.

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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