O Brasil precisa de paz institucional e previsibilidade para resgatar a sua esperança

 

 

Foto: Divulgação

O debate público nacional exibe um esgotamento crônico, alimentado por um ciclo vicioso de crises artificiais e polarizações estéreis que paralisam as tomadas de decisão. Diante desse cenário de volatilidade, torna-se imperativo que o Estado brasileiro mude sua postura metodológica, abandonando o viés meramente reativo para assumir um caráter eminentemente propositivo. O desenvolvimento socioeconômico sustentável e a atração de capital de longo prazo não florescem em terrenos marcados por sobressaltos institucionais e insegurança jurídica. O país precisa ser repensado a partir de um planejamento estratégico de médio e longo prazos, que perpassem as alternâncias de poder, convertendo prioridades governamentais temporárias em políticas de Estado perenes e consolidadas.

O horizonte temporal para essa guinada estrutural, contudo, estreita-se de forma alarmante devido à perda acelerada do bônus demográfico. O Brasil enfrenta o dilema de envelhecer demograficamente antes de atingir o patamar de nação desenvolvida, assistindo ao fechamento da janela histórica em que a população economicamente ativa supera o contingente de dependentes. Sem uma elevação drástica da produtividade sistêmica e sem reformas estruturais profundas, essa transição demográfica inevitável converter-se-á em um colapso previdenciário e social sem precedentes. A construção de uma nova rota exige, portanto, centralidade absoluta em infraestruturas logísticas e na garantia de direitos fundamentais que maximizem o capital humano e a eficiência da nossa força de trabalho.

Políticas públicas essenciais voltadas à mobilidade urbana, à habitação digna, à saúde pública universal e à logística intermodal não podem gravitar em torno de calendários eleitorais ou interesses localizados. A inclusão social legítima pressupõe o amparo vulnerável, mas demanda rigor técnico em sua execução. Torna-se imperativo institucionalizar medidores de resultados e matrizes de avaliação de impacto para cada linha de despesa pública. Esse ordenamento garante que os programas de transferência de renda e fomento educacional funcionem de fato como mecanismos de emancipação socioeconômica e requalificação laboral para a economia digital, estancando o desperdício do potencial produtivo nacional.

No âmbito da reforma do Estado, a agenda de reordenamento legal e fiscal não admite mais postergações ou concessões corporativistas. O país clama por uma reforma política substantiva, capaz de mitigar a fragmentação partidária oportunista, fortalecer a governabilidade e aproximar a representação parlamentar do corpo eleitoral. Paralelamente, o princípio da justiça tributária deve nortear a matriz fiscal, reduzindo a regressividade que penaliza as camadas de menor renda e simplificando o ambiente de negócios para desonerar as forças produtivas. Essa engrenagem nacional só alcançará pleno funcionamento se houver o adensamento das conexões intra-regionais, integrando mercados locais e mitigando as históricas assimetrias regionais que fragmentam o território.

Para viabilizar essa arquitetura de desenvolvimento, o pacto federativo deve substituir a lógica da competição fiscal predatória pelo paradigma da complementaridade econômica. Estados e municípios precisam articular suas vantagens comparativas em cadeias de valor integradas, em vez de dispersar recursos em disputas tributárias de soma zero. Nesse tabuleiro de cooperação interfederativa, Pernambuco desponta como um laboratório estratégico para essa reinvenção regional. O estado reúne as condições necessárias para reatar com suas tradicionais vocações industriais, portuárias e agroecológicas, ao mesmo tempo em que catalisa a transição para a economia do conhecimento, consolidando seu polo tecnológico, sua economia criativa e sua inserção na matriz de energias renováveis.

O resgate da esperança coletiva e da estabilidade democrática depende da nossa capacidade de pactuar uma agenda de desenvolvimento que transcenda mandatos. A previsibilidade institucional e a clareza de metas macroeconômicas reduzem o risco-país, estimulam investimentos de alta qualidade e devolvem a dignidade à cidadania. Ao pacificar o ambiente político, enfrentar o desafio do envelhecimento populacional e planejar as próximas décadas com rigor analítico, o Brasil abandonará a condição de eterna promessa do porvir para se consolidar, efetivamente, como uma potência justa, soberana e previsível.

Fernando Dueire

Senador da República por Pernambuco

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Quem sou eu
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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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