
Serviços incluem a implantação de estacas de diferentes dimensões e a preparação das margens do Rio Capibaribe para receber a estrutura da nova ligação entre as avenidas Caxangá e 17 de Agosto. Prefeito Victor Marques vistoriou serviços nesta quinta-feira (10)
A construção da Ponte Cordeiro–Casa Forte entra em uma nova etapa, com o avanço dos serviços de fundação que vão preparar as estruturas necessárias para a implantação do mastro e, posteriormente, do tabuleiro da nova ligação sobre o Rio Capibaribe. Os trabalhos incluem a execução de estacas de diferentes tipos e dimensões nas margens do rio, entre os bairros do Cordeiro e Santana e Casa Forte. Ao todo, a obra conta com 216 trabalhadores diretos, 62 máquinas e mais de 50 carretas para a mobilização de equipamentos. O prefeito do Recife, Victor Marques, vistoriou o andamento dos serviços nesta quinta-feira (10).
“Estamos vistoriando a obra da ponte que vai ligar os bairros de Cordeiro a Casa Forte, a maior obra de ponte dos últimos anos na nossa cidade. Trouxemos uma máquina de fora para fazer a escavação, uma obra de mais de 100 metros de altura, permitindo a execução da ponte por meio de uma solução construtiva impressionante. É um grande investimento da Prefeitura do Recife e ficamos muito felizes de saber que esse desenvolvimento está chegando com muita força no Recife”, afirmou o prefeito do Recife, Victor Marques. “Nos últimos anos, tivemos recordes de investimentos e seguimos muito firmes nesse caminho. A expectativa é que a obra avance em um ritmo acelerado e, em breve, possamos entregar mais essa importante ligação para a população”, completou o gestor recifense.
Entre os principais serviços dessa nova etapa está a implantação das fundações que vão sustentar o mastro da ponte. Ao todo, serão 30 superestacas escavadas, distribuídas em três grandes blocos de fundação. Cada peça terá 2,30 metros de diâmetro, 50 metros de profundidade e capacidade para receber, aproximadamente, 200 metros cúbicos de concreto, o que equivale a 25 caminhões betoneira. Para a escavação dessas superestacas, foi mobilizado um equipamento conhecido como perfuratriz, que pesa aproximadamente 100 toneladas.
Além das superestacas para os blocos do mastro, no lado Cordeiro estão previstas oito estacas metálicas para a fundação do Bloco 4, com 24 metros de profundidade, mobilizando um bate-estaca de 70 toneladas, que servirá de base para o encontro da ponte com o sistema viário, também em execução. No lado Santana, estão em execução duas plataformas metálicas provisórias que vão permitir a chegada dos equipamentos responsáveis pela cravação das estacas nos pontos onde a ponte se divide em duas alças. Depois da conclusão dessas estruturas de apoio, serão executadas 32 estacas metálicas, com profundidades de até 35 metros.
A secretária de Infraestrutura do Recife, Beatriz Menezes, explicou as novas etapas de fundação da obra. “Temos três blocos de fundação, que vão sustentar o nosso mastro, sendo executados em paralelo, com estacas de mais de 50 metros de profundidade. É uma etapa de engenharia bastante complexa que está sendo realizada. Temos também o bloco 4, que faz o encontro da ponte com o viário, onde também estamos cravando estacas metálicas. É uma técnica construtiva nunca utilizada antes em Pernambuco, que vai nos permitir tirar essa ponte do papel o mais rápido possível”, destacou.
Para viabilizar a execução das fundações e o acesso dos equipamentos às margens do rio, também está sendo implantado um caminho de serviço com estrutura de contenção. Essa etapa conta com aproximadamente 250 estacas-prancha, que chegam a 18 metros de profundidade. Esse serviço está sendo viabilizado com um bate-estaca acoplado a um martelo hidráulico, além de mais de 600 estacas hélices contínuas para reforçar o terreno.
Alexandre Gusmão, engenheiro civil, professor da Universidade de Pernambuco (UPE) e consultor do projeto da ponte, contou sobre os desafios relacionados às fundações da ponte estaiada. “A obra de uma ponte sempre exige muitos desafios, porque envolve várias disciplinas. Temos, por exemplo, a questão hidráulica, que envolve preservar a seção do rio para que a água possa continuar passando. Temos também a questão estrutural, já que se trata de uma obra com milhares de toneladas de peso, além dos entornos da obra, onde a ponte começa e onde termina. Então, cada uma dessas etapas é fundamental para que se tenha uma obra desenvolvida dentro de um prazo razoável e que, ao final, possa servir à cidade. É uma obra que envolve várias áreas da engenharia civil e é fascinante”, disse.
Para o engenheiro civil, professor da UPE e consultor que elaborou o projeto conceitual, Carlos Calado, a nova ponte foi concebida trazendo elementos inovadores. “O estudo viário mostrou que precisaria abrir a ponte em dois ramos: um com tráfego pela Rua Dona Olegarinha, em direção ao Cordeiro, e outro que sairia do Cordeiro e faria uma curva sobre o rio, separando o tabuleiro e encaixando a chegada no bairro de Santana. Então, o desafio foi vencer toda a calha do Capibaribe apenas com um pilar no centro, além dos encontros nas margens”, explicou. “Essa é uma obra de arte. Ela tem funcionalidade, beleza e se encaixa bem no desafio de transpor os obstáculos, ligando duas margens distintas. Nesse aspecto, fiz uma proposição à Prefeitura para estudar uma nova concepção que viesse trazer uma obra realmente inovadora e bonita, como as pontes Jaime Gusmão, entregue recentemente, e o viaduto Parnamirim-Torre”, acrescentou.
PONTE CORDEIRO-CASA FORTE – A construção da Ponte Cordeiro–Casa Forte integra um conjunto de intervenções que recebe investimento total de R$ 218 milhões. Desse valor, R$ 169 milhões são destinados à ponte e R$ 49 milhões à requalificação do complexo viário da III Perimetral.
Com financiamento da Caixa Econômica Federal/FGTS e contrapartida municipal, as intervenções são executadas pela Autarquia de Urbanização do Recife (URB) e vão criar uma nova alternativa de deslocamento entre as zonas Oeste e Norte da capital. Também estão em andamento serviços de pavimentação e drenagem nas ruas Joaquim Alheiros, Firmino de Barros, Professor Estevão Francisco da Costa e Clotilde de Oliveira.
Com 380 metros de extensão, a Ponte Cordeiro–Casa Forte fará a ligação entre a Avenida Caxangá e a Avenida 17 de Agosto. A estrutura terá quatro faixas de rolamento, sendo duas em cada sentido, além de ciclovia e calçadas acessíveis. A nova travessia foi projetada a partir de estudos de mobilidade e tráfego e terá prazo de execução de 38 meses, criando uma nova opção de deslocamento entre as duas regiões e contribuindo para melhorar a fluidez do trânsito.
SISTEMA EXTRADORSO – O projeto utiliza o sistema estrutural do tipo “extradorso”, que combina características de dois modelos de ponte. Na prática, essa solução permite uma estrutura mais leve, capaz de atravessar o rio sem necessidade de apoios dentro da água, preservando a navegabilidade do Capibaribe, e ainda reduzir a altura do mastro, garantindo mais eficiência e economia na obra.
A ligação vai partir do bairro do Cordeiro, pela Avenida Professor Estevão Francisco da Costa, e, ao chegar em Casa Forte, se dividirá em dois acessos: um pela Rua Dona Olegarinha e outro pela Rua Jorge Gomes de Sá, ao lado do Parque Santana. Essa bifurcação foi pensada para melhorar a distribuição do tráfego na região.
COMPLEXO VIÁRIO – O projeto também prevê obras no complexo viário da III Perimetral. Serão requalificadas 17 vias do entorno, totalizando 7,3 km de extensão, incluindo 2 km que hoje não são pavimentados. As intervenções contemplam melhorias de drenagem, iluminação pública, calçadas acessíveis, paisagismo, urbanização, implantação de ciclofaixa de 1,2 km, recuperação da Praça Flor de Santana e modernização de 13 abrigos de ônibus.



