Mulheres ampliam protagonismo e ocupam espaços históricos de poder em Pernambuco

Foto: Brenda Alcântara/TV Globo

A eleição de 2026 consolidou um movimento de fortalecimento da participação feminina na política pernambucana. A partir de 2027, mulheres estarão simultaneamente em posições de destaque no Governo do Estado, Senado Federal, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa, formando uma representação com capacidade crescente de influenciar os principais debates e decisões de Pernambuco.

No Executivo estadual, Raquel Lyra iniciará seu segundo mandato como governadora ao lado da vice-governadora Priscila Krause. A composição mantém o Palácio do Campo das Princesas sob uma liderança integralmente feminina e reforça um processo iniciado em 2023, quando Pernambuco passou a ser governado pela primeira vez por uma mulher.

No Senado, a presença feminina também será histórica. Teresa Leitão, eleita em 2022 e com mandato até 2031, terá a companhia de Marília Arraes, eleita em 2026 para um mandato de oito anos. Com isso, duas das três cadeiras de Pernambuco no Senado Federal serão ocupadas por mulheres.

O avanço também aparece na Câmara dos Deputados. Foram eleitas Juliana de Chaparral, Rosa Amorim, Clarissa Tércio, Iza Arruda, Eliane Soares e Liana Cirne. A nova bancada reúne parlamentares de diferentes partidos e campos políticos, mostrando que o fortalecimento da representação feminina não está restrito a uma única corrente ideológica.

Na Assembleia Legislativa de Pernambuco, o crescimento também é significativo. Foram eleitas Dani Portela, Lara Santana, Maria Arraes, Débora Almeida, Gleide Ângelo, Professora Ivete Caetano, Andréa Medeiros e Roberta Arraes. A ampliação da bancada feminina na Alepe fortalece uma geração de lideranças que poderá ocupar espaços ainda maiores nos próximos anos.

O resultado das urnas, portanto, vai além do crescimento numérico. Pernambuco terá mulheres comandando o Executivo estadual, ocupando dois terços de sua representação no Senado e ampliando sua presença tanto na Câmara Federal quanto na Assembleia Legislativa.

Esse novo desenho poderá produzir consequências importantes nos próximos ciclos eleitorais. Mandatos proporcionais funcionam como vitrines para a construção de candidaturas majoritárias. Deputadas estaduais e federais que ampliem suas bases políticas poderão surgir como candidatas competitivas às prefeituras em 2028 e, posteriormente, ao Governo do Estado e ao Senado em 2030.

Existe ainda um efeito simbólico e eleitoral. Quanto maior o número de mulheres exercendo funções de destaque, mais natural se torna para o eleitorado enxergá-las disputando e ocupando cargos de comando. Pernambuco, cuja política durante décadas foi predominantemente protagonizada por homens, passa a apresentar uma configuração bastante diferente.

A eleição de 2026 poderá, assim, representar um ponto de inflexão na história política pernambucana. A participação feminina ainda está distante da paridade nos parlamentos, mas deixou de ocupar posição periférica. A partir de 2027, as mulheres estarão não apenas representadas, mas posicionadas em alguns dos principais centros de decisão política de Pernambuco, com potencial para ampliar ainda mais esse protagonismo nas eleições de 2028 e 2030.

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Edmar Lyra

Jornalista político, foi colunista do Diário de Pernambuco e da Folha de Pernambuco, palestrante, comentarista de mais de cinquenta emissoras de rádio do Estado de Pernambuco e CEO do instituto DataTrends Pesquisas. DRT 4571-PE.

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