Minas Gerais ostenta uma das mais longevas coincidências da história eleitoral brasileira. Desde 1955, em todas as eleições presidenciais realizadas pelo voto direto, o candidato que venceu entre os eleitores mineiros na disputa decisiva também terminou eleito presidente da República. A última exceção aconteceu em 1950, há 76 anos.
Naquele ano, Getúlio Vargas retornou ao poder pelo voto popular ao conquistar 48,7% dos votos em todo o país. Minas Gerais, porém, apresentou um quadro diferente. Eduardo Gomes terminou na primeira colocação no estado, com cerca de 34,8%, contra aproximadamente 32,9% de Getúlio e 32,2% de Cristiano Machado. A diferença entre Eduardo Gomes e Vargas em território mineiro foi de pouco mais de 23 mil votos.
Foi a última vez em que Minas Gerais escolheu um candidato e o Brasil elegeu outro presidente.
Na eleição seguinte, em 1955, Juscelino Kubitschek venceu em seu estado natal e também conquistou a Presidência da República. Em 1960, Jânio Quadros repetiu a combinação, vencendo tanto em Minas quanto no resultado nacional.
Com o regime militar, o Brasil deixou de realizar eleições diretas para presidente. Quando o voto popular para o Palácio do Planalto retornou, em 1989, a coincidência mineira também reapareceu. Fernando Collor venceu em Minas Gerais no segundo turno e foi eleito presidente.
A partir daí, a sequência permaneceu intacta. Fernando Henrique Cardoso venceu Minas e o Brasil em 1994 e 1998. Luiz Inácio Lula da Silva repetiu o resultado em 2002 e 2006. Dilma Rousseff fez o mesmo em 2010 e 2014. Jair Bolsonaro venceu no estado e nacionalmente em 2018. Em 2022, Lula voltou a repetir a combinação.
A eleição de 2022 reforçou ainda mais a característica de Minas como um estado que frequentemente acompanha de perto o equilíbrio nacional. No segundo turno, Lula obteve 50,20% dos votos válidos entre os mineiros, contra 49,80% de Bolsonaro. Nacionalmente, o petista venceu por 50,90% a 49,10%.
O quadro histórico evidencia a sequência:
| Ano | Vencedor em Minas | Vencedor no Brasil |
| 1945 | Eurico Gaspar Dutra | Eurico Gaspar Dutra |
| 1950 | Eduardo Gomes | Getúlio Vargas |
| 1955 | Juscelino Kubitschek | Juscelino Kubitschek |
| 1960 | Jânio Quadros | Jânio Quadros |
| 1989 | Fernando Collor | Fernando Collor |
| 1994 | Fernando Henrique Cardoso | Fernando Henrique Cardoso |
| 1998 | Fernando Henrique Cardoso | Fernando Henrique Cardoso |
| 2002 | Lula | Lula |
| 2006 | Lula | Lula |
| 2010 | Dilma Rousseff | Dilma Rousseff |
| 2014 | Dilma Rousseff | Dilma Rousseff |
| 2018 | Jair Bolsonaro | Jair Bolsonaro |
| 2022 | Lula | Lula |
São, portanto, 11 eleições presidenciais diretas consecutivas, entre 1955 e 2022, nas quais o vencedor em Minas Gerais também foi o vencedor nacional.
Naturalmente, não existe uma regra matemática determinando que seja necessário ganhar Minas para chegar ao Palácio do Planalto. O estado representa uma parcela importante, mas minoritária, do eleitorado brasileiro, e um candidato poderia compensar uma derrota mineira com resultados mais expressivos em outras unidades da Federação.
O que existe é uma regularidade histórica de grande duração. Minas reúne grandes centros urbanos, cidades médias, regiões industrializadas, áreas agrícolas e localidades com diferentes níveis de renda e desenvolvimento, características que ajudam a explicar por que seu comportamento eleitoral é frequentemente comparado ao conjunto do país.
Em 2026, portanto, o desempenho dos presidenciáveis em Minas volta a merecer atenção especial. Não porque o resultado mineiro determine o resultado brasileiro, mas pelo peso de uma sequência que atravessa diferentes períodos políticos, partidos e gerações.
Desde a eleição de Getúlio Vargas, em 1950, nenhum candidato conseguiu ser eleito presidente pelo voto direto depois de perder a disputa decisiva em Minas Gerais.


